Em qualquer lista dos maiores treinadores brasileiros, Flávio Costa figura entre os primeiros. O ex-técnico da Seleção é marcado pelo vice na Copa de 1950, mas construiu uma história vitoriosa no Flamengo e no Vasco. Foi multicampeão com os rubro-negros e dirigiu o time mais poderoso da história cruzmaltina. O que as memórias às vezes se esquecem de contar é que o seu maior concorrente na década de 1940 foi um treinador estrangeiro, tão relevante para o futebol carioca quanto Costa na época.

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Ondino Viera assumiu um esquadrão do Fluminense no final dos anos 1930, três vezes campeão em cinco vezes que disputou o Campeonato Carioca. Um período no qual fazia Flávio Costa ter fama de “vice-campeão” no Flamengo. Mais do que isso, o uruguaio ajudou a implantar uma visão mais acadêmica do futebol brasileiro, valorizando tática e treinamentos individuais. Isso antes de seguir para o Vasco, onde montou as bases do Expresso da Vitória, justamente o time que brilharia tanto nas mãos de Costa. Uma lenda que merece reverências.

Os primeiros sinais do fenômeno no Uruguai

Nascido no interior do Uruguai, Ondino Viera foi para Montevidéu se tornar jogador. A carreira, porém, não vingou. Mas o seu talento para dirigir equipes começou logo aos 27 anos de idade, de volta à cidade natal de Cerro Largo, onde treinou a seleção local e foi campeão do torneio de regiões do Uruguai. Durante a juventude, o jovem comandante teve contato com imigrantes ingleses em seu país. Um intercâmbio importante para sua mentalidade, como ele próprio afirmava. Logo na sequência, já assumiria o Nacional, potência que vivia jejum de títulos.

Héctor Scarone, lenda do Nacional

Héctor Scarone, lenda do Nacional

À frente do Bolso, a passagem de Viera não foi tão gloriosa assim. O treinador enfrentou a transição entre o amadorismo e o profissionalismo no futebol uruguaio. As saídas de jogadores emblemáticos da Celeste para o futebol italiano, a exemplo Héctor Scarone e Pedro Petrone, bem como a reta final da carreira de outros veteranos, atrapalharam uma sequência mais gloriosa. Mesmo assim, ele demonstrou na equipe tricolor uma das principais características que marcaria a sua carreira: o talento para formar jogadores.

Foi pelas mãos de Viera que surgiu La Máquina Blanca, a célebre equipe do Nacional que conquistou o Campeonato Uruguaio de 1933 – em novembro de 1934, quando o comandante já tinha partido. O treinador promoveu jogadores da base e buscou boas contratações em clubes menores do país, entre eles Aníbal Ciocca, que se tornaria um dos nomes mais vitoriosos do Bolso. Houve também negócios de maior peso, como a vinda de José Nazassi, capitão da seleção uruguaia, e de Domingos da Guia, que deslumbrara os uruguaios após uma série de amistosos com a seleção brasileira e acabou atraído pelo profissionalismo local. Durante a temporada, contudo, Viera foi demitido, mesmo participando de uma série de bons resultados em amistosos contra outros clubes sul-americanos.

A chegada de Viera ao Brasil

Ondino Viera seguiu a carreira em clubes menores do Uruguai, incluindo o River Plate local. A grande chance, porém, viria no Brasil. Em novembro de 1938, o uruguaio era trazido pelo Fluminense ao futebol brasileiro. Os tricolores, inclusive, mantinham uma tradição de contar com técnicos estrangeiros. Depois que Charlie Williams foi trazido por Oscar Cox em 1911 e se tornou o primeiro treinador de futebol do Rio de Janeiro (substituindo o comitê de jogadores dentro de campo, o comum até então), o clube manteve a prática. De 1917 a 1937, o Flu teve 11 comandantes diferentes, de cinco nacionalidades diferentes, e só dois brasileiros.

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O uruguaio Carlos Carlomagno foi bicampeão carioca em 1936 e 1937, muito elogiado por seu trabalho à frente do Fluminense. Entretanto, problemas internos abreviaram a saída do comandante no meio do Campeonato Carioca de 1938. Carlos Nascimento assumiu interinamente o time, mas desempenhava seu trabalho principalmente nos bastidores do time. Viera foi contratado justamente para ser o homem à beira do campo, para controlar o timaço de muitos craques e personalidades fortes, como Tim, Romeu Pellicciari e Russo.

Romeu e Tim, do Flu, ao lado de Leônidas na Seleção

Romeu e Tim, do Flu, ao lado de Leônidas na Seleção

A chegada de Viera gerou algumas desconfianças, sobretudo diante dos bons resultados que o Flu vinha alcançando. Mas o técnico contrariou os críticos ao conquistar os resultados logo de cara. Assumindo a equipe no segundo turno do Carioca, o uruguaio deu o tricampeonato ao Tricolor, com apenas uma derrota na reta final. Era o cartão de visitas que o novato precisava. Mais do que isso, Viera aprimorou o trabalho que Carlomagno fazia nas Laranjeiras. Introduziu os treinos secretos e passou a investir em exercícios individuais aos seus jogadores, algo pouco comum na época.

Ao lado de Dori Kürschner, ex-Flamengo, Viera é considerado um dos pioneiros na visão “acadêmica” no futebol. Frequentador da Escola Nacional de Educação Física, o uruguaio também assimilava ideias da psicologia e da medicina no clube – incluindo o dentista Mário Trigo, que começou sua carreira no futebol neste período. Em seu segundo ano no Fluminense, Viera não conquistou resultados tão bons, quarto colocado no Campeonato Carioca. Apenas uma baixa em sua ótima passagem pelos tricolores.

O bicampeonato carioca com o Flu

A redenção de Viera aconteceu logo no ano seguinte. Sobretudo, porque manteve a sua mentalidade de renovar o elenco, e conseguiu recuperar a hegemonia do Fluminense no Rio de Janeiro. Mário Milani, Norival e Spinelli estavam entre as novidades da equipe que conquistou o Campeonato Carioca de 1940, perdendo apenas três partidas. Um desafio e tanto, especialmente ao barrar o bicampeonato do Flamengo de Leônidas e Domingos da Guia.

flu1940

No ano seguinte, mais críticas sobre Viera por conta dos resultados que não iam tão bem, principalmente após uma derrota para o surpreendente Madureira. O técnico se agarrava às estatísticas para rebater a imprensa. Gostava de ser preciso em seu trabalho, elogiado pelas “12 horas que passava por dia dentro do clube” e pela forma como era “meticuloso, exigente e bem organizado”, como afirma a edição 217 do Sport Ilustrado. E o seu Fluminense, “certo como um cronômetro”, respondeu mesmo dentro de campo. O uruguaio conquistou o seu terceiro título estadual em quatro anos, o quinto do clube desde 1936.

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Na partida decisiva, o empate por 2 a 2 contra o Flamengo se tornou célebre. O Fluminense jogou os minutos finais com dez em campo, após a expulsão de Carreiro, e com o goleiro Batatais se mantendo na meta com uma clavícula deslocada. A partir de então, criou-se o mito do “Fla-Flu da Lagoa” e Flávio Costa, então técnico rubro-negro, passou a sustentar uma fama de ser sempre segundo colocado – algo que dolorosamente se endossaria na final da Copa de 1950. Já Ondino Viera era idolatrado por tudo o que fazia à frente do Flu mesmo quando não conseguiu o tricampeonato em 1942, superado pelo Flamengo. Ainda assim, deixou as Laranjeiras no ano seguinte.

O grande negócio do Vasco

O Vasco já tinha um histórico muito favorável com treinadores estrangeiros. Afinal, todos os seus títulos estaduais até a década de 1940 haviam sido conquistados por comandantes de fora do país. O primeiro vitorioso foi Ramón Platero. O uruguaio, que já comandara a sua seleção, o Fluminense e o Flamengo, foi bicampeão carioca em 1923 e 1924. Era ele quem treinava o lendário time com negros e operários, que tanto significou para o combate ao racismo no futebol brasileiro. E o treinador foi fundamental nas conquistas, pela forma como priorizava o preparo físico – tanto que, por estarem mais inteiros no segundo tempo, os vascaínos ficaram conhecidos como “Time da Virada”.

Ondino Viera, técnico do Vasco e Fluminense

Já entre 1927 e 1937, os cruz-maltinos foram comandados por Harry Welfare, inglês radicado no Brasil e ex-jogador de Flamengo e Fluminense, que faturou o estadual três vezes no período. Depois da saída de Welfare, o Vasco até tentou retomar os prumos dos títulos com Héctor Scarone e a volta de Platero. No entanto, o grande negócio foi feito pelos cruz-maltinos em 1943, quando buscaram Ondino Viera no Fluminense. O momento era de alta para os outros rivais, enquanto o Clube da Colina havia sido apenas o sétimo colocado no Campeonato Carioca de 1942. O jeito, então, foi investir na reformulação, com o técnico consagrado à frente.

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Além de Viera, as principais aquisições do Vasco naquele ano vieram do Madureira. O clube resolveu apostar no trio que levava o Tricolor Suburbano a grandes campanhas no começo da década: Jair da Rosa Pinto, Lelé e Izaías. Com os três reforços, o uruguaio conduziu o profundo processo de renovação, que já contava com outros jovens jogadores recém-integrados ao grupo, como Ademir de Menezes e Djalma, vindos do Sport. Ajudado financeiramente pela colônia portuguesa, convocada pelo presidente Cyro Aranha, o Vasco ganhava força. Era o início de um dos maiores times de sua história.

A criação do Expresso da Vitória

Não foi de imediato que Ondino Viera colheu os resultados no Vasco. Mesmo assim, a transformação do time já foi notável desde 1943. A equipe terminou na quarta colocação, quatro pontos atrás do bicampeão Flamengo, derrubada depois da goleada por 6 a 2 que sofreu no segundo turno. Os sinais de evolução, contudo, vinham especialmente no desempenho de Ademir, o grande trunfo do treinador, vice-artilheiro do estadual com 22 gols em 18 jogos. “Realmente, sob o olhar clínico de Ondino Viera, o famoso Queixada melhorou consideravelmente, tanto que hoje não é aquele bisonho player de 1942”, definir o Sport Ilustrado, de setembro de 1943.

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Aos poucos, as novas caras do esquadrão do Vasco começaram a aparecer. Ademir e Jair logo se tornaram protagonistas, enquanto Lelé balançava as redes com frequência. E a rede de olheiros colocada a serviço de Viera pelo presidente Aranha começou a dar resultados. Chico veio do Grêmio, Ely foi trazido do Canto do Rio, Maneca era do Bahia, Barbosa foi revelado pelo Ypiranga de São Paulo. Em 1944, o resultado no Carioca melhorou ainda mais, embora não tenha sido suficiente para impedir o tricampeonato do Flamengo. O Vasco foi vice-campeão, somente dois pontos atrás, perdendo o último jogo do segundo turno para os rubro-negros. Em compensação, os vascaínos faturaram dois títulos municipais.

A grande recompensa só viria em 1945. O Vasco iniciou o ano de maneira arrasadora, ao faturar o Torneio Municipal e o Torneio Início do estadual. Completaria as campanhas inesquecíveis com o primeiro título invicto da era profissional do Campeonato Carioca. Foram 13 vitórias e cinco empates em 18 rodadas, com média de mais de três gols marcados por partida e menos de um sofrido. O Expresso sobrou na tabela, terminando quatro pontos à frente do Botafogo e seis do Flamengo, distante do tetra. Enfim, Ondino Viera tinha o feito que o colocaria definitivamente na história cruzmaltina.

A transformação que tornou o Vasco fulminante

Aquele time do Vasco também podia ser considerado um inovador. Desde que chegou ao Rio de Janeiro, Viera foi um amplo difusor dos conceitos táticos no futebol carioca. Também ele era um adepto do WM, o sistema padrão da época no resto do mundo, embora tenha o adaptado. Em 1941, quando ainda estava no Fluminense, o uruguaio criou a “Diagonal”, usada também pelo Flamengo de Flávio Costa. Foi a solução encontrada pelos dois depois de uma excursão a Buenos Aires em que a dupla carioca sofreu sete derrotas em oito partidas. Para tentar dar maioridade numérica, a linha de defesa contava com um homem a sua frente, enquanto um dos atacantes era recuado ao meio para organizar o jogo.

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Foi no Vasco que o esquema tático acabou aprimorado, principalmente depois que Ademir foi colocado na função do ponta de lança. O Queixada era o grande diferencial no elenco de Viera. E no novo papel é que começou a atingir o ápice de seu futebol. Alguns defendem até mesmo que, naquela disposição, o Vasco teria sido até mesmo o precursor do 4-2-4 no futebol, embora não houvesse consciência disso na época – diferente do que aconteceu, por exemplo, após a vinda de Béla Guttmann ao futebol brasileiro. O fato é que o sistema vascaíno era extremamente eficiente, sobretudo por manter a força no ataque e dar uma solidez ainda maior à defesa. Os números do Expresso da Vitória reforçam ainda mais essa noção. Não à toa, o uruguaio passaria a adotar a tática na sequência de seus trabalhos.

Já no seu próprio discurso, Viera também passava essa noção de eficiência máxima. Assim como nos tempos de Laranjeiras, passava boa parte de seu dia em São Januário, com a dedicação elogiada pelos jornais da época. Dizia que o futebol era uma guerra, vencida pela máquina que conseguiu armar. Não por menos, acabou apelidado como o Marechal da Vitória. Definitivamente, a lenda sobre o sapo de Arubinha, que deixaria os cruzmaltinos 12 anos sem títulos, estava enterrada.

“Foi a conquista mais difícil de meus anos de técnico. A luta não foi unicamente contra os 12 [times] da Federação, possuidores em sua maioria, de poderosas organizações técnicas e de conjuntos integrados pelos mais famosos craques; foi contra um estado de ânimo interno cercado por longos anos de decepções e amarguras; foi contra uma mística criada pelos alimentadores de legendas inverossímeis e absurdas!”, escreveu Viera n’O Globo Esportivo, após o título de 1945.

O adeus em São Januário e a peregrinação pelo Rio

A trajetória de Ondino Viera pelo Vasco, contudo, terminaria logo nos primeiros meses de 1946. O clube sofreu um duro golpe após a transferência de Ademir de Menezes para o Fluminense. E o enfraquecimento do elenco teria sido o principal motivo para que o uruguaio pedisse demissão de seu cargo. Os jornais cariocas diziam que o técnico gostaria de desempenhar funções apenas nos bastidores, sendo supervisor, algo que não se concretizou. Ainda assim, ajudou os vascaínos a escolherem o seu substituto: após um anúncio feito pelo próprio clube no jornal, o contratado foi Ernesto dos Santos, também endossado por Viera por conta de seu passado na Escola Nacional de Educação Física. Porém, o catedrático durou apenas três meses no cargo, antes de ser substituído por Flávio Costa.

A partir de então, Viera começou a rodar pelos clubes do Rio, mas sem causar os mesmos impactos de seus dois primeiros trabalhos. No ano seguinte, chegou bastante festejado no Botafogo. Todavia, sua passagem serviu apenas para diminuir o espaço de Heleno de Freitas (com quem já tinha tido problemas no Fluminense) e terminou meses depois, sem ter forças suficientes para vencer no Carioca o Vasco que ele mesmo projetara. Em 1948, voltou ao Fluminense, mas de novo não conseguiu recuperar as taças. Ajudou na renovação do elenco Tricolor, abrindo espaço até mesmo para Didi. Entretanto, perdeu o emprego ainda em 1949.

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Aos poucos, o moral de Ondino Viera caía. Após a Copa de 1950, chegou a ser acusado de ajudar o Uruguai na conquista do título mundial, contando os segredos daquela seleção brasileira. Nada mais natural, já que o time de Flávio Costa tinha como base também o seu Expresso da Vitória. A última grande chance no Rio de Janeiro foi dada pelo Bangu, que investiu pesado em seu futebol no início da década de 1950, tirando também Zizinho do Flamengo. Suas façanhas ficaram limitadas ao Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951.

Para tentar renovar seu nome no futebol brasileiro, foi buscar oportunidades fora do Campeonato Carioca. Em São Paulo, assumiu um Palmeiras que apostava em jogadores renomados, mas o trabalho acabou no mesmo ano em que começou, 1953. Já na temporada seguinte, assumiu o Atlético Mineiro. Também não teve vida longa no Galo, mas ajudou na conquista do Campeonato Mineiro de 1954. O uruguaio foi demitido durante a campanha, que durou entre junho de 1954 e maio de 1955, permanecendo no cargo durante dois dos três turnos. Seu substituto, Ricardo Díez, acabou com a taça.

A consolidação de um mito no Uruguai

Viera deu sequência na carreira no Nacional, clube que o projetou ao futebol chegou em 1955 e permaneceu à frente do Bolso até 1960. Mesmo em um período de muita força do Peñarol, o técnico conseguiu levar os tricolores ao tricampeonato uruguaio. O começo da trajetória vitoriosa começou em um time estrelado por Schubert Gambetta, José Santamaría, Javier Ambrois e Julio César Britos, bicampeão em 1955 e 1956. Já o terceiro título consecutivo foi alcançado graças a mais uma renovação liderada pelo técnico, após a saída dos veteranos.

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Na sequência da carreira, Viera passou pela seleção paraguaia, com a qual foi vice-campeão da Copa América e rodou por clubes menores de seu país, além de ter conquistado o Campeonato Paraguaio de 1964 com o Guarani. O grande momento, no entanto, aconteceu entre 1965 e 1967, quando dirigiu a seleção uruguaia. Dentro de campo, o ápice veio aconteceu na estreia, quando segurou o 0 a 0 contra a anfitriã Inglaterra. Diz a lenda que o treinador passou as lições táticas para o time na véspera, simulando o posicionamento com saleiros e pimenteiras na mesa de um restaurante. A Celeste cairia nas quartas de final, para a Alemanha Ocidental, mas o comandante ainda deixaria como legado uma célebre frase: “Outros países têm sua história. O Uruguai tem seu futebol”.

A última passagem de Ondino Viera pelo Brasil aconteceu depois que deixou a seleção, rapidamente, outra vez no Bangu. Parou por ali. Era melhor respeitar tudo o que havia construído na década de 1940. Afinal, nenhum outro técnico estrangeiro conseguiu ser tão dominante no país quanto aquele marechal uruguaio.