Divock Origi não disputaria a Copa do Mundo se não fosse o acaso. Ou melhor, uma fatalidade. Christian Benteke rompeu o tendão de Aquiles em abril, desfalque certo da seleção belga. Não era um titular absoluto na equipe de Marc Wilmots, mas uma peça importante para se revezar com Romelu Lukaku no comando do ataque. Era preciso encontrar um jogador de características parecidas, que pudesse preencher a lacuna no Mundial do Brasil. A partir de então, a sorte do garoto mudou.

Bélgica 1×0 Rússia: Hazard salva “time sem vergonha” no Maracanã

Origi não nasceu na Bélgica e sequer possui ascendentes no país, mas não dá para negar seu apego à camisa da seleção. O prodígio é filho de Mike Origi, atacante da seleção queniana por 15 anos e que fez carreira no futebol belga. Seu herdeiro nasceu na Inglaterra e chegou a ser sondado para defender o Quênia. Desde a infância, no entanto, sempre serviu aos Diabos Vermelhos. Origi faz parte das seleções de base desde o sub-15. Época em que atuava pelo Genk e acabou atraindo as atenções do Lille, que resolveu investir na promessa. Deu certo.

Em Lille, Origi se desenvolveu muito. Tinha o apoio de um clube que sabe trabalhar muito bem com os garotos de suas categorias de base. E possuía a influência de um compatriota que começava a estourar: Eden Hazard. Naquele primeiro ano nos Dogues, o centroavante viu os seus companheiros do time profissional conquistarem a Ligue 1. E Hazard, que tinha sido eleito o melhor jovem do torneio nas duas temporadas anteriores, foi o protagonista no título.

Ainda na base, Origi demorou um pouco mais para surgir na equipe principal do Lille. Seu talento aparecia mesmo nas seleções menores da Bélgica, em especial no sub-19. Os muitos gols nas categorias fizeram com que começasse a chamar a atenção da comissão técnica e de Marc Wilmots também para a seleção principal. Algo que foi fundamental para a sua presença na Copa do Mundo, assim como a primeira temporada completa na Ligue 1.  Não foi titular sempre, mas demonstrou talento e ajudou o time a se classificar para as preliminares da Liga dos Campeões, com cinco gols na campanha.

NOTAS: Jogador por jogador, as avaliações de Bélgica 1×0 Rússia

Sua primeira convocação para a Bélgica só aconteceu em maio, justamente na lista decisiva para o Mundial de 2014. O jovem que mais chamava atenção era Adnan Januzaj, mas Origi não deixava de ser uma surpresa de Marc Wilmots. Maior até que o descendente de kosovares. Afinal, para que o garoto fosse incluído, Jelle Vossen ficou de fora, um centroavante bem mais rodado com os Diabos Vermelhos. A opção era por um prodígio que combinava velocidade, boa estatura, técnica e um chute potentíssimo.

De fato, Origi surpreendeu. Mesmo se lesionando em um treino três dias antes da estreia da Copa, se recuperou. Entrou muito bem no lugar de Romelu Lukaku na partida contra a Argélia, dando mobilidade ao ataque sem fazê-lo perder presença de área. Contra a Rússia, aconteceu o mesmo, e desta vez para Lukaku deixar bem evidente a sua insatisfação com Wilmots. A resposta do técnico veio dentro de campo. Hazard, o mesmo espelho dos tempos de Lille, foi quem deu o passe para Origi marcar. Anotar o tento da classificação para as oitavas de final. Seu primeiro gol pela seleção principal, para justificar a aposta do técnico.

Aos 19 anos e 65 dias, Origi se torna o mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo desde Lionel Messi, nos 6 a 0 da Argentina sobre Sérvia e Montenegro em 2006. Impossível dizer se esse fato, por si, é um bom indício para o futuro que se apresenta para o atacante. De qualquer forma, a maturidade e o senso de responsabilidade que demonstrou no Mundial já valem muito. Se já era especulado por Arsenal e Liverpool, Origi deverá gerar ainda mais interesse. Para ser mais um a encabeçar o rótulo da “ótima geração belga”.