Sergio Ramos comemora o gol na final da Liga dos Campeões (AP Photo/Manu Fernandez)

Foi difícil, mas escolhemos os 10 melhores jogos da temporada na Europa

Toda lista é polêmica. Afinal, depende de escolhas subjetivas e isso varia de pessoa para pessoa. Aqui na redação, as discussões em torno dos melhores da temporada tem sido constante. Primeiro, com a lista da seleção da temporada, que divulgamos nesta segunda-feira. Nesta terça, é a vez dos dez melhores jogos, ou porque tecnicamente foram incríveis, ou porque foram momentos marcantes. Fechamos a nossa lista, mas nem na redação houve consenso, mas alguns jogos não poderiam ficar de fora.

A importância do jogo é inegavelmente importante e foi um dos critérios mais importantes usados por nós aqui. Por isso, você voai ver nesta lista alguns dos jogos de mata-mata que tanto marcaram esta temporada. Mas há jogos de liga também, que foram marcantes pela forma como aconteceram, pelos times que envolveram, pelas atuações que tiveram, além da importância que tiveram no campeonato.

Então, desfrute e, claro, pode incluir os jogos que você mais gostou na temporada e que não estão na nossa lista. Essa é a nossa lista, mas não quer dizer que seja a melhor. A sua é tão importante quanto a nossa. Então, participe com a gente!

Vamos à lista:

Liverpool 3×2 Manchester City
Estádio Anfield Road
Campeonato Inglês
13 de abril de 2014

Gerrard (esq.) comemora com Coutinho: é o grande momento do Liverpool no campeonato (AP Photo/Clint Hughes)

Gerrard (esq.) comemora com Coutinho: é o grande momento do Liverpool no campeonato (AP Photo/Clint Hughes)

Os dois melhores times da temporada inglesa fizeram um duelo que tinha cara de final. Líder, o Liverpool sabia que precisava vencer o City para continuar dependendo só de si mesmo para ser campeão. Só que o Manchester City vinha de um retrospecto muito bom. Nos sete jogos anteriores, dois empates e cinco vitórias. Era a 34ª rodada e dali em diante seriam só três duelos até a taça. Era o jogo mais difícil do time de Luis Suárez e do técnico Brendan Rodgers até o final da competição. O City tinha cara de time que poderia segurar o Liverpool. E, de fato, o jogo mostrou isso.

Logo no início, o Liverpool saiu na frente com um gol de Sterling, levando a torcida à loucura no estádio Anfield Road. O segundo gol do Liverpool veio aos 26 minutos, com Skrtel, e o Liverpool parecia estar no controle do jogo. Uma boa atuação, seguro e confiante. Mais doq eu isso, o time ainda jogava em casa. Tinha tudo para dar certo. Só que o Manchester City é um time forte demais para se dar como vencido tão cedo.

O segundo tempo mal começou e James Milner entrou em campo no lugar de Jesús Navas. E o meio-campista inglês fez diferença em campo. Atuando pela direita, foi dela a jogada que resultou em gol. Aos 12 minutos, conseguiu uma boa jogada pela direita que resultou em gol de David Silva. Nesses minutos do segundo tempo, o time azul de Manchester era muito melhor no jogo. O Liverpool, acuado, não lidou bem com o gol. E, não por acaso, o empate saiu pouco depois, graças a uma jogada pela esquerda que resultou em gol contra de Glen Johnson, aos 17 minutos.

Àquela altura, a impressão que dava era que o City viraria o jogo. O time era melhor em campo e havia muito jogo a ser disputado. O Liverpool precisou se reencontrar na partida, colocar os nervos no lugar. Mesmo assim, não conseguiu pressionar. Mas aí veio um lance que mudou o jogo. Aos 33 minutos da etapa final, cruzamento da direita, Kompany falhou no corte e Philippe Coutinho acertou um belo chute no canto. O gol da vitória, que deixou o título pertinho do Liverpool. A taça acabou não vindo, mas foi um dos jogos mais marcantes da temporada.

Bayern de Munique 0×4 Real Madrid
Estádio Allianz Arena
Liga dos Campeões
29 de abril de 2014

Ensaiava-se um jogo emocionante em Munique, mas não foi o que se viu. O Real Madrid atropelou, com dois gols de Sergio Ramos em 20 minutos matando o duelo. Cristiano Ronaldo fez mais dois, e se isolou como maior artilheiro de uma edição da Copa/Liga dos Campeões, com 16 (AP Photo/Matthias Schrader)

Ensaiava-se um jogo emocionante em Munique, mas não foi o que se viu. O Real Madrid atropelou, com dois gols de Sergio Ramos em 20 minutos matando o duelo. Cristiano Ronaldo fez mais dois, e se isolou como maior artilheiro de uma edição da Copa/Liga dos Campeões, com 16 (AP Photo/Matthias Schrader)

Depois do Real Madrid vencer o primeiro jogo por 1 a 0 tendo que lidar com o Bayern de Munique tendo enorme posse de bola, a expectativa do jogo de volta era, novamente, que o Bayern dominasse a bola de novo e, desta vez, conseguisse uma vitória importante. Só que não foi bem isso que aconteceu. Aliás, nada disso.

Aos 16 minutos de jogo, Sergio Ramos subiu bem de cabeça para abrir o placar. E aí complicou, porque o Bayern já precisaria de um 3 a 1 para se classificar. O 2 a 1 seria pouco. Bom, complicado, mas longe de impossível, ainda mais para um time como o Bayern. Também é verdade. Só que Sergio Ramos fez outro gol aos 20 minutos e aí tudo se complicou novamente. A essa altura, a missão do Bayern já parecia espinhosa demais para ser realizada, até porque o time do Real Madrid, também muito forte, estava jogando bem.

Com espaço para o contra-ataque, o time merengue aproveitou. Marcou o terceiro gol aos 34 minutos, desta vez com Cristiano Ronaldo, e aí matou o jogo. O quarto gol, já no final do jogo, já foi a pá de cal em um confronto decidido. Um jogo épico para o Real Madrid, que conseguiu um resultado maiúsculo contra aquele que, talvez até ali, fosse o time mais temido de todos os adversários.E ali já mostrou que poderia fazer um estrago fosse quem fosse o adversário.

Fiorentina 4×2 Juventus
Estádio Artemio Franchi
20 de outubro de 2013
Campeonato Italiano

Giuseppe Rossi se tornou o primeiro jogador da Fiorentina a marcar três gols em um jogo contra a Juventus (AP Photo/Fabrizio Giovannozzi)

Giuseppe Rossi se tornou o primeiro jogador da Fiorentina a marcar três gols em um jogo contra a Juventus (AP Photo/Fabrizio Giovannozzi)

A Juventus foi soberana no Campeonato Italiano e foi campeã com folga, mas não conseguiu ser tão dominante em todos os jogos. No dia 20 de outubro, a Fiorentina fez a sua melhor partida na temporada e arrancou uma virada fantástica sobre o melhor time italiano. Mas precisou ser de maneira dramática. No primeiro tempo, a Juventus conseguiu dois gols no final da primeira etapa, com Tevez e Pogba, aos 37 e 40 minutos do segundo tempo, respectivamente.

Parecia ruim, mas o segundo tempo foi totalmente diferente. Aos 21 minutos, Giuseppe Rossi converteu um pênalti e diminuiu o placar. Aos 31, Matías Fernández fez o passe para Rossi marcar o segundo e empatar o jogo. A Fiorentina dominava o jogo, criava chances de gols e a virada, naquele momento, parecia uma questão de tempo. E foi mesmo. Aos 33, Borja Valera fez o passe para Joaquín marcar e virar para 3 a 2 para a Fiorentina. Aos 36, Cuadrado fez passe rápido para Rossi, em contra-ataque mortal, marcar o quarto gol do time e definir o placar e uma virada para lá de empolgante para os torcedores.

Cuadrado, jogando demais, e Rossi, decisivo, acabaram fazendo o jogo virar em favor do time de Florença. O time acabaria a Serie A em quarto lugar, muito longe do terceiro colocado, o Napoli, 13 pontos de diferença. Mesmo assim, a campanha do time foi satisfatória. E esse jogo contra a Juventus certamente será lembrado por muito tempo pelos torcedores do time.

Borussia Dortmund 2×0 Real Madrid
Estádio Signal-Iduna Park
Liga dos Campeões
8 de abril de 2014

Marco Reus foi o protagonista do Borussia Dortmund, mas o time não conseguiu a classificação (AP Photo/Martin Meissner)

Marco Reus foi o protagonista do Borussia Dortmund, mas o time não conseguiu a classificação (AP Photo/Martin Meissner)

Depois de tomar de 3 a 0 no jogo de ida no estádio Santiago Bernabéu, o jogo de volta do Borussia Dortmund contra o Real Madrid era para ser meramente protocolar. Era para ser, mas não foi. O Dortmund, jogando um futebol ofensivo e sufocante, pressionou demais o Real Madrid, que não teve Cristiano Ronaldo, machucado – ele ficou no banco de reservas.

A missão parecia impossível, mas essa impressão se dissipou com dois gols de Marco Reus, aos 24 e aos 37 minutos do primeiro tempo, aproveitando falhas da defesa merengue. O que parecia impossível se tornou totalmente possível com apenas mais um gol. Um gol que parecia, àquela altura do jogo, bastante possível.

No segundo tempo, com a pressão do Dortmund, a virada não só parecia possível como a impressão era que era uma questão de minutos. Em um lance, o Mkhitaryan recebeu sozinho, sem goleiro, e tocou para fora. Um gol perdido incrível e que faria, claro, muita falta aos aurinegros. O segundo tempo transcorria e Cristiano Ronaldo, no banco, parecia desesperado. Talvez sequer tivesse condição de jogo, considerando que a situação era crítica e mesmo assim o português não entrou.

O mais curioso desse jogo é que Casemiro entrou em campo aos 28 minutos do segundo tempo e, dali em diante, a marcação no meio-campo se acertou e a pressão diminuiu, ao invés de aumentar, como seria de se esperar. O Real Madrid ficou a um gol de um desespero parecido com o que fez o Atlético de Madrid passar na final, tomando um gol que tiraria não só a classificação, mas a força mental do time para uma eventual prorrogação. Não tomou o gol e avançou, em uma campanha que acabaria no título.

Betis 0×2 Sevilla
Estádio Benito Villamarín
Liga Europa
20 de março de 2014

Sevilla comemorou contra o rival Betis na Liga Europa

Sevilla comemorou contra o rival Betis na Liga Europa

Um clássico é sempre um jogo especial. Para o Betis, o jogo era mais especial ainda: brigando para não cair no Campeonato Espanhol, o time teve a chance de eliminar o rival da cidade de uma competição europeia, a Liga Europa. E a chance era muito real: o time tinha vencido o Sevilla fora de casa por 2 a 0. Precisava de um empate e podia até perder por 1 gol de diferença que ainda assim se classificaria.

Só que mesmo jogando em casa, o Betisnão conseguiu vencer. E ainda viu o rival abrir 2 a 0, graças a gols de Reyes (sim, é aquele mesmo, ex-Arsenal e Real Madrid) e do colombiano Bacca. O placar igualou tudo, e o Sevilla, melhor em campo, quase conseguiu a virada ainda em campo.

Nos pênaltis, melhor mentalmente, o Sevilla conseguiu ter mais tranquilidade e competência para vencer nos pênaltis por 4 a 3. Dali, o Sevilla partiu para as quartas de final e partiria para o título – incluindo um jogo de matar torcedores do coração contra o Valencia, com um gol nos acréscimos da partida de volta.

Valencia 5×0 Basel
Estádio Metalla
Liga Europa
10 de abril de 2014

Comemorações de Paco Alcácer contra o Basel (AP Photo/Alberto Saiz)

Comemorações de Paco Alcácer contra o Basel (AP Photo/Alberto Saiz)

O Basel tinha vencido o primeiro jogo por 3 a 0 e a indicação era que se classificaria, pelo bom futebol apresentado. Só que o Valencia mostrou uma força acima da média e conseguiu fazer o seu melhor jogo da temporada. Precisando marcar ao menos três gols, o Valencia sofreu. Conseguiu um gol aos 38 minutos do primeiro tempo com Paco Alcácer, e ampliou com Eduardo Vargas aos 42. Foi a diferença que o time conseguiu até o intervalo.

No segundo tempo, o Valencia partiu para cima como se não houvesse amanhã – e não haveria mesmo se não goleasse, ao menos na Liga Europa. O jogo foi dramático e, aos 25 minutos, o time conseguiu o gol que igualou tudo: Eduardo Vargas passou para Paco Alcácer fazer 3 a 0, levando o Valencia a igualar o placar do primeiro jogo. O jogo iria, então, à prorrogação.

Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Paco Alcácer marcou mais um gol, que já dava a classificação ao Valecia. Juan Bernat, aos 13, marcou outro e carimbou a passagem às semifinais. Com emoção. Muita emoção.

Chelsea 1×3 Atlético de Madrid
Estádio Stamford Bridge
Liga dos Campeões
30 de abril de 2014

Arda Turan, do Atlético de Madrid, festeja gol contra o Chelsea (AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

Arda Turan, do Atlético de Madrid, festeja gol contra o Chelsea (AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

Semifinal de Liga dos Campeões, jogo de volta. Durante uma semana se falou sobre o ônibus de José Mourinho, que tinha arrancado um empate por 0 a 0 contra o Atlético de Madrid no estádio Santiago Bernabéu praticamente abdicando do jogo. O que se esperava é que em Londres o time inglês fizesse a sua parte, exercesse a pressão que exerceu contra o Paris Saint-Germain, por exemplo. O que se viu em campo foi um Chelsea incapaz de exercer pressão na forte defesa do Atlético e, ao contrário do Chelsea no jogo de ida, o time de Simeone conseguiu atacar.

O gol de Fernando Torres aos 36 minutos do primeiro tempo pareceu colocar o Chelsea em vantagem. O gol nem foi de um grande merecimento, mas o que se esperava então é que o Chelsea fizesse uso da sua vantagem, ao menos para saber se defender. Não foi o que aconteceu: oito minutos depois, o Atlético chegou ao empate em uma jogada pela direita de Juanfran, que Adrián meteu para a rede. E aí o jogo ficou bom para o Atlético, que passou a ter a vantagem do gol fora de casa para administrar.

O segundo tempo não teve um Chelsea desesperado indo para o ataque. Nem sequer um Chelsea que tentava dominar o jogo na posse de bola. O que teve foi um Atlético brigador, valento, indo para cima e assustando os ingleses com uma pressão de onde não se esperava. Aí, com um pênalti que Diego Costa converteu aos 15 minutos e, ali, já parecia decretar a classificação – afinal, o Chelsea precisaria de dois gols para virar o jogo e sair com a vaga. O terceiro gol, de Arda Turan aos 27 minutos, cravou na pedra o nome do Atlético na final. Uma vitória épica do Atlético de Simeone em um campo duro de vencer em anos recentes na Liga dos Campeões.

Real Madrid 3×4 Barcelona
Estádio Santiago Bernabéu
Campeonato Espanhol
23 de março de 2014

Messi comemora no Bernabéu: ele foi decisivo e deu a vitória ao Barça (AP Photo/Paul White)

Messi comemora no Bernabéu: ele foi decisivo e deu a vitória ao Barça (AP Photo/Paul White)

Um dos grandes jogos da temporada na Espanha teve uma série de reviravoltas. Mas é bom contextualizar: ali, o Atlético de Madrid era o primeiro colocado, o Real Madrid vinha logo atrás e o Barcelona parecia quase fora da disputa. Uma vitória dos merengues, que vinham em uma fase muito melhor, colocaria o Barcelona longe da briga, a ponto de quase ser descartado. Só que é um clássico, Messi é um jogador que adora esse tipo de jogo, especialmente contra o Real Madrid. E aí o campeonato ganhou outros contornos.

Primeiro, Iniesta conseguiu colocar o Barcelona na frente aos sete minutos do primeiro tempo. A força dos catalães era colocada em testequando Benzema empatou o jogo aos 20 minutos e quando o mesmo centroavante francês, aos 24, virou o jogo para o time de Ancelotti no Bernabéu. Naquele momento, jogando melhor, o Real Madrid parecia ter conseguido recuperar o controle do jogo. Não conseguiu.

Aos 42 minutos, Messi conseguiu empatar o jogo e se tornar o jogador que mais gols marcou no clássico espanhol.  No segundo tempo, aos dez minutos, o Real Madrid teve um pênalti inexistente dado a seu favor, Cristiano Ronaldo marcou e colocou novamente os merengues na frente. Mas aí veio Messi. Duas vezes. Aos 20 minutos do segundo tempo, gol do argentino em um pênalti também discutível de Sergio Ramos em Neymar.

Aos 39 minutos, veio o gol que selou a vitória. Pênalti em Iniesta, Messi bateu no ângulo e o Barcelona arrancou uma vitória que parecia improvável em pleno campo do adversário. Ali, a disputa voltava a estar aberta. O Atlético de Madrid seguia na frente, com 70 pontos, mesma pontuação do Real Madrid, mas com os colchoneros em vantagem pelo saldo de gols.

O Barcelona, que podia ficar a sete pontos dos líderes, diminuiu a diferença para apenas um. E foi assim que o Barcelona chegou à última rodada do Espanhol com chance de título e o Real Madrid não. Tudo bem que os torcedores do Real Madrid nem ligam para essa derrota depois da conquista da Liga dos Campeões. O Barcelona, porém, que não ganhou nenhum título, terá nesta vitória um dos poucos grandes momentos do time na temporada.

Crystal Palace 3×3 Liverpool
Selhurst Park
Campeonato Inglês
5 de maio de 2014

Luis Suárez, do Liverpool (AP Photo/Alastair Grant)

Luis Suárez, do Liverpool (AP Photo/Alastair Grant)

Se a vitória heroica sobre o Manchester City foi a prova definitiva de que o Liverpool poderia, sim, chegar ao título da Premier League, não houve baque maior do que o empate contra o Crystal Palace. Os Reds já estavam abalados pela derrota para o Chelsea, o escorregão fatal de Steven Gerrard. Mesmo assim, era torcer por um tropeço dos Citizens e fazer a própria parte. Apesar da boa fase do Crystal Palace, o desafio não era tão grande assim. E os comandados de Brendan Rodgers tornavam a situação ainda mais confortável. Mal esperavam pelo enorme baque que, definitivamente, ampliou o jejum de pelo menos 25 anos sem o título inglês.

Durante 78 minutos, a partida decorreu conforme os planos do Liverpool. A equipe sabia que teria dificuldades para vencer os londrinos em Selhurst Park – quanto mais golear para tirar a diferença em relação ao City no saldo de gols. Mesmo assim, caminhava firme para conquistar os três pontos. Joe Allen abriu o placar no primeiro tempo, enquanto Damien Delaney (contra) e Luis Suárez iam garantindo o triunfo tranquilo dos visitantes. Até os 12 minutos finais chegarem. O apagão que levou o Liverpool a nocaute de vez.

O próprio Delaney se encarregou de diminuir a diferença aos 34 do segundo tempo, em um chutaço de fora da área. Dwight Gayle, em um contra-ataque que pegou a defesa do Liverpool aberta, fez com que o Palace encostasse no placar três minutos depois. E o inimaginável empate saiu aos 43, menos de dez minutos depois do primeiro tento, de novo com Gayle. Os Reds sentiam na pele uma reação fulminante, parecida com aquela que tinham conseguido contra o Milan na decisão da Liga dos Campeões de 2005. Desta vez, a vítima impotente era o Liverpool. O adeus à Premier League, representado pelas lágrimas de Luis Suárez.

Real Madrid 4×1 Atlético de Madrid
Estádio da Luz
Liga dos Campeões

24 de maio de 2014

Eram 48 minutos do segundo tempo, o título estava nas mãos do Atlético. O Real jogava mal, só no desespero. Até que Modric cobrou escanteio na cabeça de Sergio Ramos, que levou a decisão para a prorrogação (AP Photo/Paulo Duarte)

Eram 48 minutos do segundo tempo, o título estava nas mãos do Atlético. O Real jogava mal, só no desespero. Até que Modric cobrou escanteio na cabeça de Sergio Ramos, que levou a decisão para a prorrogação (AP Photo/Paulo Duarte)

A final da Liga dos Campeões foi um jogo para lá de emocionante. O Real Madrid esteve longe de ser o time encantador que foi em alguns momentos da temporada. O Atlético de Madrid também não esteve no seu melhor, já muito desgastado fisicamente. O que se viu foi um jogo para ver quem tinha mais garrafa vazia para vender, como diriam os antigos. No fim, foi um jogo de muita emoção e equilíbrio, embora o placar de 4 a 1 não dê essa impressão.

A semana toda foi de expectativa sobre a condição dos times escalarem seus titulares. No lado do Real Madrid, Pepe e Benzema eram problema, além de Cristiano Ronaldo, que não estava 100% recuperado. No Atlético de Madrid, os dois principais jogadores, Arda Turan e Diego Costa, estavam machucados, com poucas chances de jogar. No fim, só Pepe desfalcou o Real Madrid, mas no Atlético a situação foi pior. Turan nem para o banco foi. Diego Costa foi escalado desde o início, mas saiu de campo aos nove minutos, depois de sentir a lesão.

Benzema esteve em campo, mas não fez quase nada. Acabou substituído na etapa final. Já Cristiano Ronaldo jogou o tempo todo, inclusive a prorrogação, mas estava muito longe dos seus melhores dias, técnica e fisicamente. Em determinado momento do segundo tempo, o português mal podia andar.

O Atlético de Madrid conseguiu um gol em uma rara falha de Casillas, aos 36 minutos da etapa inicial. Daí em diante, o Real Madrid foi aumentando a pressão, sem muita organização. Do meio do segundo tempo para frente, foi só pressão do time merengue e o Atlético, cada vez mais cansado em campo, recuado, fazendo tudo que podia para segurar o resultado – e sem pernas para contra-atacar.

O árbitro deu cinco minutos de acréscimo e quando o relógio marcava 49, o Real Madrid teve um escanteio. Na cobrança para dentro da área do croata Modric, Sergio Ramos subiu mais que todo mundo, se antecipou e marcou o gol do dramático empate. Um gol que não só empatou o jogo, mas destruiu a forte mentalidade do time de Simeone, que ficou abalado.

Na prorrogação, o Atlético não teve nem pernas, nem cabeça para segurar o Real Madrid. Mas foi por pouco. O segundo gol do Real Madrid, de Bale, veio em uma jogada de Di María em cima de Juanfran, que se arrastava em campo. Daí em diante, foi só um massacre. Marcelo marcou um gol sem ninguém marcar. O pênalti no final já tinha gosto de ressaca para o Atlético. Os 4 a 1 deram ao Real Madrid a tão esperada décima taça. Ao Atlético, restou aplaudir o Real Madrid e comemorar a boa campanha de uma temporada histórica.