Penapolense 169

Os antecessores do Penapolense: quando os grandes sucumbiram para pequenos no Paulistão

Não há atenuantes para a eliminação do São Paulo para o Penapolense. O time jogou mal, não pressionou e não mereceu vencer o jogo no tempo normal. Curioso que, em duas semanas, o time de Penápolis se tornou responsável pela eliminação de dois grande do Paulistão após segurar o 0 a 0 (havia tirado os pontos que causaram a queda do Corinthians).

Tiração de sarro de torcedor à parte (e torcedor tem mais é que tirar sarro mesmo, esse é seu papel), historicamente não é a maior novidade do universo um clube do interior eliminar um grande no Paulistão. Ainda mais pela propalada (e cada vez menos presente) força do interior paulista.

Desde o São José que eliminou Palmeiras e Santos em 1981, passando por XV de Jaú de Wilson Mano, em 1985, Bragantino de Mauro Silva, Tiba, Gil Baiano e Mazinho Oliveira, em 1990, o São Caetano de Fabrício Carvalho e Marcinho, em 2004, e o Noroeste que segurou o Corinthians, em 2008, relembramos aqui alguns casos de equipes de pequenas eliminaram grandes nos Estaduais das últimas décadas.

Obs.: o levantamento considera apenas eliminações para clubes pequenos. Por isso, não mencionamos as competições em que os quatro grandes paulistas foram desclassificados por Portuguesa, Ponte Preta e Guarani.

1981

São José deixa Palmeiras e Santos para trás

O Paulistão de 1981 teve um regulamento bastante confuso. Campeões dos dois turnos se enfrentariam na final, mas era justamente na disputa desses turnos que tudo foi meio que uma bagunça. O segundo turno, por exemplo, tinha primeiro uma fase regular, depois os oito primeiros iam para uma fase de grupos, divididos em duas chaves de quatro equipes cada. Em uma delas, o São José conseguiu despachar Santos e Palmeiras na última rodada, ao vencer o Peixe e ver o Verdão empatar em 0 a 0 com a Ponte Preta. Os alviverdes até ficaram com a mesma pontuação que o time do interior (sete pontos de 12 disputados), mas tiveram saldo de gols inferior (dois contra um). Como o campeão do primeiro turno era o São Paulo, a Águia do Vale havia encerrado ali as chances de santistas e palmeirenses.

1985

XV de Jaú e Comercial despacham Palmeiras e Corinthians

Em 1985, o Paulistão era disputado de maneira diferente. Dois turnos, com todas as 20 equipes se enfrentando, e o vencedor de cada turno mais os outros dois melhores colocados na classificação geral (além dos campeões dos turnos) avançavam para as semifinais. O Corinthians havia aproveitado os milhões da venda de Sócrates para a Fiorentina e montou uma seleção. Na verdade, uma equipe em que quase todos os jogadores tinham ou teriam em breve passagem por seleção: Carlos, Édson, Juninho, De León e Wladimir; Dunga, Biro-Biro e Zenon; Casagrande, Serginho e João Paulo. Não deu liga, mas ainda assim, precisava de apenas uma vitória sobre o Comercial na última rodada do returno da primeira fase para se classificar para as semifinais. No entanto, foi derrotado por 1 a 0.

A derrota alvinegra abria o caminho para o Palmeiras, que pegava o XV de Jaú em casa e precisava vencer para ficar com a segunda vaga por índice técnico. No entanto, com um 3 a 2 no placar, o time do interior, que contava com Wilson Mano como destaque, encerrou um jejum de 11 jogos sem vencer o Verdão e despachou o time da capital.

Como Corinthians e Palmeiras foram incompetentes ao mesmo tempo, a Ferroviária agradeceu à ajuda de ribeirão-pretanos e jauenses e ficou com a quarta vaga nas semifinais.

Destacado na foto, Wilson Mano

Destacado na foto, Wilson Mano

1986

Palmeiras fica com o vice diante da Inter de Limeira

Com o mesmo formato do ano anterior, o Campeonato Paulista de 1986 teve Inter de Limeira classificada como campeã do segundo turno, Santos como campeão do primeiro e Palmeiras e Corinthians como os dois times por índice técnico. Após passar pelo maior rival na semifinal, o Verdão acabou derrotado pela equipe de Limeira na final, com um empate em 0 a 0 no primeiro jogo e uma derrota por 2 a 1 na partida decisiva.

1989

Palmeiras e Corinthians novamente se dão mal, dessa vez contra Bragantino e São José

Neste ano, o Paulistão tinha 22 equipes, divididas em dois grupos de 11, com dois turnos. No primeiro, times de uma chave enfrentavam os clubes da outra, enquanto no segundo atuavam contra os integrantes de seu próprio grupo. Classificavam para a segunda fase os três primeiros colocados de cada grupo mais os seis times de melhor campanha que não ficaram entre os líderes de suas chaves.

O Palmeiras avançou como líder do Grupo 2 e caiu na chave 2, ao lado de Bragantino e Novorizontino, com as equipes se enfrentando duas vezes entre si. A esta altura, avançava apenas um time de cada grupo para a disputa da semifinal. No confronto direto contra o Bragantino, seu segundo na chave contra o time de Bragança Paulista, o Palmeiras levou um 3 a 0, única derrota da equipe no campeonato, resultado que o deixou de fora da próxima fase, com o Bragantino passando às semis.

O Corinthians teve um pouco mais de sucesso, e chegou ao mata-mata. Com uma vitória por 2 a 0 no jogo de ida sobre o São José, a confiança estava alta no lado alvinegro. No entanto, o saldo de gols não era um diferencial, já que se a outra equipe vencesse a volta, independentemente do placar, levaria o jogo para a prorrogação. O time do interior venceu por 1 a 0 o segundo jogo, e a vantagem do empate no tempo extra era do alvinegro paulista. Entretanto, o São José marcou duas vezes e conseguiu a classificação à decisão, em que acabou derrotado pelo São Paulo.

1990

Trio-de-Ferro dá vexame

Com 24 times na fase inicial, divididos em dois grupos de 12, o Paulistão tinha uma fórmula em que os sete primeiros da chave 1 e os cinco primeiros da chave 2 classificavam-se para a segunda fase. Os restantes disputavam a repescagem, divididos também em dois grupos, de 12 times cada.

O líder de cada chave da repescagem ganhava vaga na segunda fase. O São Paulo caiu já nessa fase. Na última rodada da chave, até goleou o Noroeste (6 a 1), mas não foi o suficiente para ultrapassar o Botafogo de Ribeirão. Com isso, o Tricolor foi colocado no Módulo Amarelo do Paulista de 1991, iniciando a polêmica sobre haver ou não rebaixamento e virada de mesa (por mais humilhante que tenha sido a eliminação precoce e a queda para um grupo de equipes mais fracas, o regulamento de 1990 não previa rebaixamento para uma segunda divisão).

Na segunda fase, com dois grupos de sete clubes, em que os líderes de cada chave garantiam vaga na final. No Grupo Preto, o Corinthians precisava vencer o Bragantino no confronto direto para conseguir a vaga. O Leão segurou o 0 a 0 em Bragança Paulista e eliminou o Alvinegro.

Bragantino que conquistou o Paulistão em 1990 (Arquivo Placar)

Bragantino que conquistou o Paulistão em 1990 (Arquivo Placar)

Na noite anterior, a vítima havia sido o Palmeiras de Telê Santana. O Alviverde estava um ponto atrás do Novorizontino, mas o clube do interior não passava do 1 a 1 com a Portuguesa no Canindé. Assim, uma vitória simples dos palmeirenses contra a lanterna Ferroviária no Pacaembu já servia. Mas o time de Araraquara segurou o 0 a 0. Irritada com mais uma eliminação em casa para um time do interior  e uma fila que se tornava incômoda, a torcida foi à sede do clube e atirou pedras na sala de troféus, danificando algumas taças.

2004

Paulista passa por Palmeiras, e São Paulo e Santos são despachados pelo São Caetano

Em 2004, em sua primeira e única conquista estadual, o São Caetano teve de eliminar dois grandes para chegar à final contra o Paulista. Nas quartas de final, em jogo único, passou pelo São Paulo, em pleno Morumbi. Vitória por 2 a 0, com dois gols de cabeça de Fabrício Carvalho. Depois, na semifinal, já em ida e volta, o Azulão empatou por 3 a 3 no primeiro jogo com o Santos, na Vila Belmiro. O segundo duelo, no Anacleto Campanella, foi um verdadeiro passeio do time do ABC. Triunfo por 4 a 0, com dois gols de Marcinho, um de Fabrício Carvalho e outro de Euller. A outra chave das semifinais também teve uma zebra, com o Paulista passando pelo Palmeiras nos pênaltis, após empates por 1 a 1 e 3 a 3.

2008

Corinthians tropeça diante do Noroeste e fica de fora das semifinais

Em 2008, com a fórmula de disputa de pontos corridos e mata-mata, os quatro primeiros colocados da primeira fase, que continha apenas um turno, avançavam às semifinais. Na última rodada dos pontos corridos, o Corinthians estava um ponto atrás da Ponte Preta, quarta colocada, e torcia por um tropeço da Macaca diante do Santos para ter condições de se classificar. O Peixe, de fato, segurou os pontepretanos, com um empate em 2 a 2. No entanto, o Corinthians fracassou em passar pelo Noroeste, em Bauru, foi derrotado por 3 a 2 e viu os campineiros avançarem, chegando até a final, quando acabaram derrotados pelo Palmeiras.