As fases iniciais da Copa Sul-Americana nem sempre costumam ser empolgantes. Mesmo depois da mudança no regulamento do torneio, os brasileiros começaram em ritmo lento a edição passada – vide as eliminações de Cruzeiro e São Paulo logo de cara. Esta quinta-feira na competição continental, todavia, excedeu as expectativas. De diferentes maneiras, foram três jogos interessantes envolvendo as equipes do país. O Atlético Paranaense não tomou conhecimento do Newell’s Old Boys, atropelando os leprosos com os 3 a 0 na Arena da Baixada. O Botafogo viveu uma noite de fortes emoções contra o Audax Italiano, arrancando a virada por 2 a 1 nos acréscimos do segundo tempo. Por fim, em duelo pegado, o São Paulo não reclama de levar para casa 0 a 0 contra o Rosario Central no Gigante de Arroyito.

Segundo o técnico Fernando Diniz, o Atlético Paranaense fez a melhor partida no ano. Nem mesmo os desfalques inesperados de Jonathan e Thiago Carleto atrapalharam o rendimento. Foi um primeiro tempo emblemático, pela maneira como os rubro-negros controlaram o Newell’s e construíram o placar. Os três gols saíram em apenas 35 minutos, com Pablo, Nikão e Guilherme. Já no segundo tempo, os leprosos deram sorte por não sofrerem um massacre, diante das oportunidades perdidas pelo Furacão. Que os argentinos não vivam o seu melhor momento, a diferença foi gritante na Baixada.

No mesmo horário, o Botafogo jogava no Chile. E encontrou certos problemas diante do Audax Italiano. O time de Alberto Valentim criou pouco durante o primeiro tempo e saiu em desvantagem, com o brasileiro Sérgio Santos aproveitando rebote de Gatito para estufar as redes. Já na segunda etapa, os destaques saíram do banco. Primeiro, Loco Abreu, reserva na equipe chilena. O ídolo botafoguense foi homenageado por seu antigo clube, mas não criou muita coisa em campo. Crescendo na partida, os alvinegros passaram a pressionar e empataram aos 27, com Brenner. Já o herói entrou aos 37: Rodrigo Pimpão, incendiando a reta final. Protagonizou boas jogadas e apareceu de maneira decisiva aos 45, completando o cruzamento de Gilson.

E no fim da noite, Rosario Central e São Paulo realizaram um embate intenso – de muita pegada, entradas duras e desentendimentos. Defendendo-se bem, os tricolores deram poucos espaços à pressão inicial dos canallas, com uma postura bastante atenta. Porém, os são-paulinos precisaram lidar com a expulsão de Rodrigo Caio logo aos 35 minutos. Com um a menos, o time de Diego Aguirre dependeu ainda mais desta solidez, e barrou a posse de bola dos rosarinos. Aliás, o Tricolor poderia ter movimentado o placar, com um arremate de Nenê que explodiu no travessão. O Central ameaçou principalmente nas bolas aéreas, com Marco Rubén. Não aproveitou a vantagem numérica e ainda terminou com dez, depois que Federico Carrizo também recebeu o vermelho aos 36.

Dos brasileiros que jogaram nesta semana pela Sul-Americana, Fluminense e Atlético Paranaense são os que deram os maiores passos rumo à segunda fase, apesar de lidarem com intempéries fora de casa nos jogos de volta. De resto, tudo segue aberto. E as emoções em parte das estreias indicam mais empenho na volta. Um bom sinal à Sul-Americana, paulatinamente mais valorizada.