Nas decisões da CBF, todos os estados possuem o mesmo peso, e na assembleia geral que ocorre nesta quarta-feira para definir o futuro da entidade, não será diferente. Figurinhas carimbadas, como o paulista Marco Polo Del Nero, e nomes obscuros, como Zeca Xaud, presidente da Federação Roraimense há mais de 30 anos, se encontrarão no Rio de Janeiro para decidir os rumos da entidade junto com os vice-presidentes regionais e os representantes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

Saiba mais sobre os vice-presidentes regionais da CBF e os presidentes de federação que estarão na Assembleia Geral:

VICE-PRESIDENTES

José Maria Marín (Sudeste)
Ex-governador de São Paulo entre 1982 e 1983, Marín poderá assumir a CBF caso a renúncia de Ricardo Teixeira seja consumada, pois é o vice mais velho (79 anos). Recentemente, ganhou notoriedade por “embolsar” uma medalha de campeão na cerimônia de premiação da Copa São Paulo 2012.

Fábio Marcel Nogueira (Sul)
Com apenas 34 anos, Fábio é o vice mais novo da história da CBF. Formado em administração de empresas em 2000 e pós-graduado em gestão esportiva no ano seguinte, ocupou a vice-presidência da Federação Catarinense representando a região Litoral. Renunciou em 2007, ano em que compôs a chapa da CBF indicado pelas três federações do Sul.

Fernando Sarney (Norte)
Filho do senador José Sarney, Fernando tem 56 anos e administra o Sistema Mirante de Comunicação, cuja emissora, a TV Mirante, é afiliada da Rede Globo no Maranhão. Em 2006, ele foi acusado de vários crimes contra o sistema financeiro em uma investigação da Polícia Federal chamada “Operação Faktor”.

Marcos Antônio de Miranda Ferreira (Nordeste)
Formado em administração de empresas, Marcos Antônio foi por 12 anos diretor da TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia em Vitória da Conquista, no Centro-Sul Baiano. Em 2004, ingressou como diretor comercial da Federação Baiana (FBF) e em 2007 assumiu o cargo que ocupa atualmente na CBF.

Weber Magalhães (Centro-Oeste)
Presidente da Federação Brasiliense entre 1996 e 2004, Weber é tido como o homem de confiança de Ricardo Teixeira para assumir a CBF. Formado em educação física e candidato derrotado a deputado federal pelo Distrito Federal nas últimas eleições, ele chefiou a delegação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002 e afirma ter construído uma relação de amizade com o técnico Felipão. Habilidoso politicamente, já contaria com o apoio de várias federações para ser o próximo presidente da entidade.

PRESIDENTES DE FEDERAÇÕES ESTADUAIS

Antônio Aquino Lopes (Acre)
Advogado, é presidente da Federação Acriana há mais de 20 anos.

Gustavo Feijó (Alagoas)
Também advogado, assumiu a presidência da Federação Alagoana em 2008. É muito ligado ao Corinthians Alagoano, clube cujo nome do estádio é Nélson Feijó, pai de Gustavo.

Roberto Góes (Amapá)
Prefeito eleito de Macapá em 2008 e primo de Waldez Góes, atual governador do Estado, Roberto Góes chegou a ser preso pela Polícia Federal em 2010, acusado de encobrir provas importantes em investigações, mas nada foi provado. No futebol, ele comanda a Federação Amapaense há mais de uma década e foi o chefe da delegação da Seleção Brasileira nas Copas América de 2004 e 2007.

Dissica Tomáz Valério (Amazonas)
Outro da turma dos políticos, Dissica Tomáz é prefeito da pequena cidade de Eirunepé, no interior amazonense, e é presidente da FAF há mais de duas décadas. Em 2010 chegou a ser destituído do cargo, mas logo recuperou o posto.

Ednaldo Rodrigues (Bahia)
Ex-diretor das Ligas Amadoras da FBF, assumiu a presidência da entidade em 2002 se aproveitando do trânsito que tinha com os clubes amadores. Reeleito em 2005, já deveria ter deixado o cargo, mas usou de sua “habilidade” política para se manter no poder. Foi convidado para ser um dos vice-presidentes da CBF, mas recusou, abrindo espaço para Marcos Antônio de Miranda Ferreira.

Mauro Carmélio (Ceará)
Advogado com especialização em direito esportivo, foi eleito presidente da Federação Cearense em junho de 2009 após ser assessor jurídico e vice-presidente da entidade.

Miguel Alfredo de Oliveira Jr. (Distrito Federal)
Advogado, 40 anos, foi nomeado interventor da Federação Brasiliense em março de 2011 após a renúncia de Fábio Simão, envolvido em um escândalo de corrupção.

Marcus Vicente (Espírito Santo)
Ex-deputado federal, comanda a Federação Capixaba desde 1994 e está cotado para disputar a prefeitura da cidade de Serra pelo PP.

André Pitta (Goiás)
Começou como office-boy da Federação Goiana e foi subindo até assumir a presidência em 2007, após a morte de Wilson da Silveira. Jovem, já teve sucesso em algumas ações de marketing e é tido como um dos aliados mais fieis de Ricardo Teixeira. Ainda não se manifestou, no entanto, sobre a possibilidade de uma nova eleição na CBF.

Antônio Américo (Maranhão)
Advogado e ex-presidente do TJD-MA, foi nomeado interventor da Federação Maranhense após o afastamento do presidente Alberto Ferreira, em 2011. Posteriormente, venceu a eleição convocada pelos dirigentes dos clubes.

Carlos Orione (Mato Grosso)
Aos 75 anos de idade, Orione está no comando da Federação Matogrossense há 31 anos e é o segundo mais antigo presidente de federação na assembleia.

Francisco Cezário de Oliveira (Mato Grosso do Sul)
Formado em direito, educação física e pedagogia, foi jogador do Operário, prefeito da cidade de Rio Negro-MS em duas oportunidades, e já é presidente da Federação Sul-Matogrossense há cinco mandatos.

Paulo Schettino (Minas Gerais)
No cargo desde 2004, é ferozmente criticado por alguns clubes do interior mineiro, que o acusam de olhar apenas para as equipes da capital. Ainda assim, recentemente conseguiu prorrogar seu mandato de 2012 até o fim da Copa do Mundo de 2014. Especula-se que, em uma eventual sucessão, apoie o nome de Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista.

Antônio Carlos Nunes de Lima (Pará)
Conhecido popularmente como “Coronel Nunes”, foi secretário de segurança do Estado do Pará e comandou a Federação Paraense pela primeira vez entre 1982 e 1987. Voltou ao cargo em 1994 e não saiu mais, sendo reeleito em cinco oportunidades.

Rosilene de Araújo Gomes (Paraíba)
Primeira mulher a ser presidente de uma federação de futebol, está no cargo desde 1989 e sofreu recentemente um forte movimento de oposição que pedia sua destituição do cargo. Formada em psicologia, possui especialização, mas não exerce a profissão.

Hélio Cury (Paraná)
Assumiu o cargo em 2007 sucedendo Onaireves Moura, que ficou 22 anos no poder. Desde então, tomou medidas  impopulares, como o “Supermando” no regulamento do Campeonato Paranaense e a obrigação imposta ao Coritiba de ceder o Couto Pereira ao Atlético Paranaense durante o período em que a Baixada estiver sendo reformada para a Copa do Mundo, pelo custo irrisório de R$ 30 mil. Com o apoio forte das Ligas Amadoras, já costurou uma manobra para ficar até 2022 no poder.

Evandro Carvalho (Pernambuco)
Ex-delegado, assumiu a presidência em setembro de 2011 após o falecimento de Carlos Alberto Gomes de Oliveira. Formado em direito, dá aulas no Recife e possui um escritório de advocacia.

Cesarino Oliveira (Piauí)
Ex-jogador de futebol e dono de lojas de artigos esportivos, só teve o mandato reconhecido pela CBF nesta segunda-feiira, após um grande imbróglio na Federação Piauiense, no qual vários clubes pediram desfiliação da entidade.

Rubens Lopes (Rio de Janeiro)
Formado em medicina, foi presidente do Bangu e vice da federação por muito tempo, durante a gestão Eduardo Viana, assumindo o comando em 2006, logo após a morte do “Caixa D’Água”. Especula-se que seja uma das vozes “rebeldes” que estaria articulando a convocação de novas eleições para a CBF.

Francisco Noveletto (Rio Grande do Sul)
Empresário que se estabeleceu no ramo fonográfico e depois expandiu seus negócios, assumiu a presidência da FGF em 2004 e permanecerá no cargo pelo menos até o fim da Copa de 2014. Assim como Rubens Lopes, teria articulado para que houvessem novas eleições na CBF em caso de renúncia de Ricardo Teixeira.

José Vanildo da Silva (Rio Grande do Norte)
Advogado e conselheiro do ABC, assumiu a entidade em 2007 após o afastamento do presidente anterior, Alexandre Cavalcanti, por problemas de saúde. Ensaiou uma aproximação política com Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista, em 2011.

Heitor Costa (Rondônia)
Formado em odontologia, Heitor Costa já foi deputado estadual e é o único presidente da história da Federação de Futebol do Estado de Rondônia. Assumiu o cargo em 1989 e é conhecido por sua fidelidade a Ricardo Teixeira, que será posta à prova mais uma vez.

Zeca Xaud (Roraima)
Está no poder desde que a FRF foi criada, em 1974 e foi eleito em 2010 para o seu 11º mandato.

Delmir Peixoto (Santa Catarina)
Deputado estadual entre 1971 e 1983, assumiu a presidência da Federação Catarinense em 1985 e permanece por lá desde então. Aos 70 anos, já afirmou que pretende se candidatar a mais uma reeleição em 2015.

Marco Polo Del Nero (São Paulo)
Advogado com especialização em direito penal, assumiu a presidência da Federação Paulista em 2003 e é membro do Comitê Executivo da Conmebol desde 2007. É apontado como um membro “conservador” do colégio eleitoral e já indicou que tentará articular para que José Maria Marín, sobre quem exerce grande influência, seja o presidente da CBF caso Ricardo Teixeira renuncie.

José Carivaldo de Souza (Sergipe)
Formado em administração de empresas, foi prefeito do município de Macambira, no interior sergipano, e é pai do atual prefeito, Ricardo de Souza. Aos 69 anos, é presidente da Federação Sergipana desde 1990.

Leomar Quintanilha (Tocantins)
Senador por Tocantins desde 1995, era um dos principais representantes da “Bancada da Bola” na CPI do Futebol.