O RB Leipzig pode ter considerado uma decepção sua campanha de estreia na Liga dos Campeões. Em um grupo equilibradíssimo, não teve forças para assegurar uma das duas primeiras posições. Ainda assim, o “rebaixamento” à Liga Europa surgiu como um prêmio, diante do cenário bem mais aberto. E não será surpresa se os Touros Vermelhos pintarem na final continental. Demonstrando muita consistência nos mata-matas, o time de Ralph Hasenhüttl venceu mais uma, saindo em vantagem no jogo de ida das quartas de final. Encarando o Olympique de Marseille, garantiu o triunfo por 1 a 0 na Red Bull Arena. Mais uma vez, a qualidade nos contra-ataques determinou o sucesso do clube da Red Bull.

Não era um jogo fácil ao Leipzig, cabe frisar. Com cinco na defesa, o Olympique dava a posse de bola aos anfitriões e não concedia espaços ao ataque adversário. No final do primeiro tempo, o gol dos franceses pareceu maduro, com direito a uma bola no travessão de Bouna Sarr e boas defesas do goleiro Peter Gulácsi. Entretanto, justamente depois de uma bola salva pelo arqueiro húngaro, os Touros Vermelhos criaram a jogada para o gol da vitória, já nos acréscimos. Emil Forsberg avançou pelo meio e lançou Timo Werner. Em disparada, o atacante cortou a marcação e bateu rasteiro. Nem foi seu melhor chute, mas o goleiro Yohann Pelé (substituto de Steve Mandanda) facilitou, deixando a bola passar de maneira bisonha.

Já no segundo tempo, o Leipzig tentou forçar os erros da defesa do Olympique, confiando na velocidade de sua linha de frente. Logo diminuiria o ritmo, recheando mais o meio-campo, talvez esperando um contragolpe fatal. Os franceses tiveram mais a posse de bola e finalizaram mais, embora não levassem tanto perigo à meta de Gulácsi, sem um chute certo sequer. Os celestes pareciam não querer se expor, para retornar ao Vélodrome e tentar resolver diante de sua torcida.

O contra-ataque do RB Leipzig é um dos melhores do mundo. Timo Werner possui uma aceleração excepcional, complementada pela visão de Forsberg e acompanhada por outras tantas boas alternativas ofensivas – como Bruma, Jean-Kévin Augustin e Yussuf Poulsen. Ainda é um time em processo de amadurecimento, considerando a baixa média de idade entre os seus titulares. De qualquer maneira, tem suas virtudes, como se escancarou na recente vitória sobre o Bayern de Munique. E estes predicados tendem a valer bastante em uma competição eliminatória, como a Liga Europa, em que a qualidade para resolver partidas na mínima brecha conta muito. Embora o confronto com o Olympique de Marseille esteja aberto, há a boas chances de seguir em frente. Seria já um marco ao projeto ambicioso da Red Bull.