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Os milagres de Suárez, o tipo de craque que a Copa adora

Luis Suárez era um jovem promissor quando disputou a Copa de 2010. Uma das estrelas do poderoso ataque do Uruguai e protagonista do Ajax, mas que ainda firmava seu nome.  Foi à África do Sul para ser reconhecido pelo resto do planeta. Fundamental na caminhada da Celeste, sobretudo pelos gols decisivos contra México e Coreia do Sul. No entanto, não houve momento maior do que as quartas de final contra Gana. A defesa em cima da linha, que evitou o gol dos africanos e deu a sobrevida para que o Uruguai chegasse às semifinais. As mãos de Suárez já eram eternas nos Mundiais.

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Muita coisa aconteceu em quatro anos. Suárez, mais do que um nome conhecido, se tornou mesmo um dos maiores craques do mundo. Transferiu-se do Ajax para o Liverpool. Enfrentou diversas polêmicas, que serviram para que amadurecesse e acabaram deixadas para trás. Balançou redes, muitas redes. Marcou golaços e se tornou um dos artilheiros mais temidos pelos goleiros. Tudo para voltar à Copa como estrela. Mas, ainda assim, quase perdê-la.

A lesão no joelho de Suárez fez os uruguaios terem pesadelos. Rezarem por sua melhora. E acabaram tornando o retorno do atacante às Copas ainda mais triunfantes. Um mês depois de passar por uma pequena cirurgia pelo joelho e sair do hospital de cadeira de rodas, o atacante estava de volta aos gramados como a grande esperança da Celeste. O início sem o craque não tinha sido nada bom, com os pesadelos consumados na derrota para a Costa Rica. Uma nova queda para a Inglaterra e o Uruguai voltaria para a casa. Iria se despedir do país que, 64 anos, viveu sua maior história justamente em um Mundial.

Luis Suárez comemora o gol que abriu o placar na Arena Corinthians

Luis Suárez comemora o gol que abriu o placar na Arena Corinthians

Logo contra a Inglaterra, o país com quem Luisito viveu uma relação de altos e baixos nos últimos três anos. Primeiro, que aprendeu a odiá-lo, diante de tantos casos controversos. Depois, que também descobriu que o amava, com tantas jogadas geniais. A partida em Itaquera serviu para os ingleses terem certeza: odeiam amar Suárez. Em uma atuação fantástica do craque, decisivo sempre que teve a chance, é que os Three Lions acabaram praticamente eliminados. De um Mundial no qual tiveram boas atuações, diga-se. Nada suficiente para superar a Celeste. Os pés de Suárez também se eternizavam nos Mundiais.

Uruguai 2×1 Inglaterra: Suárez voltou como herói para deixar os ingleses por um fio

O artilheiro abriu o placar a partir de um cruzamento cirúrgico de Cavani. Teve que se desdobrar para cabecear a bola, mas foi matador como de costume. Durante todo o jogo, correu e se dedicou muito. Pois os verdadeiros craques não são apenas aqueles que esperam a bola cair em seus pés. E que, quando isso acontece, não desperdiçam a chance. O gol da vitória foi a maior prova disso, partindo em velocidade e fuzilando Joe Hart. Comemorou em disparada, suportado pelos mesmos joelhos que o condenaram um mês antes.

A substituição do craque aconteceu aos 43 minutos do segundo tempo. Para fechar o Uruguai, mas também para que recebesse a merecida ovação do estádio lotado. Mais cenas marcantes fora do campo. O abraço apertado em Diego Pérez no banco de reservas. A forma como foi levantado para o alto pelos companheiros no fim do jogo. As lágrimas na entrevista coletiva. Outro dia de Copa do Mundo inesquecível para Suárez. Para que ele nunca seja esquecido.

Sozinho, Luis Suárez foi capaz de dois milagres em Mundiais. A defesa que eliminou Gana, a atuação monstruosa contra a Inglaterra logo após sua recuperação. A vontade do atacante, a forma como ele coloca o coração nas partidas e deixa isso evidente, o torna ainda mais emblemático. Um gigante. Um gigante das Copas.