Semana após semana, os mistérios que envolvem a transferência de Neymar ao Barcelona conseguem se tornar ainda mais intrigantes. Primeiro, o Ministério Público levantou a suspeita de que os valores teriam sido maiores do que os declarados pelo clube. Agora, a acusação é de que a transferência custou um preço estratosférico: € 95 milhões, segundo matéria do jornal espanhol El Mundo. Um preço € 38 milhões superior ao divulgado inicialmente, dividido entre os mais diferentes destinatários para que a mudança ao Camp Nou fosse concretizada.

Segundo a matéria, até a família de Neymar teria se beneficiado com mais € 10 milhões apenas para que novas promessas do Santos fossem observadas, enquanto € 2,5 seriam redirecionados para projetos sociais do jogador em favelas brasileiras. Além do mais, parte desses contratos extras só foi assinada depois da apresentação do craque. A disputa entre Barcelona e Real Madrid pela compra do atacante, aliás, parece ser a grande impulsionadora de tantos trâmites nebulosos. Os valores que excedem a transferência seriam uma forma de bater a oferta merengue, sem gerar tantos prejuízos com obrigações legais. Pode custar ainda mais caro. Segundo o Blog do PVC, Santos e Grupo Sonda também estão atrás do prejuízo que podem ter tomado – segundo eles, em um negócio que talvez tenha atingido os € 140 milhões.

Por enquanto, ainda não dá para cravar o furo de reportagem como verdadeiro, mas a história deverá fazer com que a justiça espanhola se debruce sobre o caso ainda com mais afinco. Se a acusação de apropriação indébita for mesmo comprovada, poderá levar até alguns dirigentes blaugranas ao banco dos réus. Entre eles, o presidente Sandro Rosell.

A idoneidade do Barcelona, clube que já foi apontado como modelo pela maneira como era conduzido, nunca esteve tão em xeque. A se observar a longa ficha contra Rosell, nada surpreendente. O homem-forte dos blaugranas chegou ao poder credenciado por sua carreira como executivo da Nike e por ser braço-direito de Joan Laporta, mas ignorando-se vários meios suspeitos que o levaram sua administração ao sucesso. Algo que pode custar caro aos catalães, menos de quatro anos desde a ascensão do cartola ao poder.

A ficha suja de Rosell

Confira as principais suspeitas que incidem contra o presidente do Barcelona:

- É acusado de, junto com Ricardo Teixeira, ter desviado dinheiro do amistoso entre Brasil e Portugal, realizado em Brasília há cinco anos. O espanhol é sócio da Ailanto Marketing, contratada para gerir o evento. O desvio calculado é de R$ 8 milhões, dos quais R$ 1 milhão teria ido para os bolsos de Rosell.

- Em 2001, foi um dos investigados pela CPI da Nike, criada para analisar os contratos da empresa de material esportivo com a CBF. Na época, Rosell morava no Rio de Janeiro e era representante da Nike na América Latina. A comissão indiciou 130 pessoas, mas acabou não sendo levada para frente pelas autoridades responsáveis.

- Rosell era o gerente da ISL na Espanha. A empresa de marketing esportivo faliu, acusada de envolvimento em diversas fraudes, incluindo o pagamento de propinas a dirigentes da Fifa. O Mundial de Clubes de 2001, previsto para a Espanha, não aconteceu justamente por conta da bancarrota da ISL.

- É acusado de ignorar o contrato com o grupo de marketing MCM, firmado na gestão de Joan Laporta como presidente. Segundo a empresa, os valores são superiores ao do acordo com a Qatar Foundation – braço beneficente da família real do Catar. O país é investigado em várias frentes, incluindo no processo de compra de votos para a escolha da sede da Copa de 2022. A empresa, inclusive, não teria recebido a última parcela de € 200 mil pela construção de La Masía.

- O Barcelona é investigado pela Fifa por contratar ilegalmente seis jogadores para suas categorias de base. O clube também trava batalha judicial com o jovem Raúl Baena, que reclama de um contrato exploratório firmado quando tinha 13 anos.

- Em dezembro, foi acusado de ficar com € 40 milhões da compra de Neymar, não declarados pelo Barcelona. Segundo o jornal ‘El Mundo’, o dirigente teria ficado com a diferença entre os € 57 milhões declarados pelo Barcelona e os € 17,1 milhões recebidos pelo Santos. Posteriormente, este valor foi relacionado como pagamento à sociedade de Neymar pela ‘preferência’ dada ao Barcelona.