O fracasso camaronês nesta Copa do Mundo já era esperado. Os Leões Indomáveis tinham boas chances de amargar a lanterna da chave e a previsão se confirmou. E derrocada veio  porque Camarões mostrou, ao longo da Copa do Mundo, todos os problemas e pontos vulneráveis já conhecidos.

Os camaroneses sofrem com um meio-campo pragmático e sem criatividade, que sempre faz a mesma jogada: busca os lados do campo com Chupo-Moting e Moukandjo. O time é muito previsível e falta talento, enquanto sobra força física. Na retaguarda, a defesa é muito fraca e o goleiro Itandje não passa segurança alguma. E como se não bastasse tudo isso, os destaques do time, Eto’o e Song, estão longe do auge. Todos esses problemas eram conhecidos antes da Copa e não foram resolvidos para o Mundial. Muito pelo contrário, eles ficaram ainda mais visíveis e se multiplicaram durante os jogos contra México, Croácia e Brasil.

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E se dentro das quatro linhas o time é cheio de falhas, fora de campo os problemas não acabam. Além da situação de Eto’o, que se aposentou da seleção e voltou atrás, brigou com o técnico Volker Finke e teve desavenças com a federação local, afirmando que faltava profissionalismo, a equipe teve vários episódios antes e durante do Mundial que evidenciaram que o clima não estava nada bom.

Camarões atrasou sua vinda ao Brasil por desavenças na premiação – será que alguém realmente acreditava que esse time poderia ir longe? – e a imprensa do país afirmou que o grupo teve problemas na concentração. Além da presença de prostitutas no hotel da equipe, a imprensa camaronesa garantiu que o grupo está dividido entre os amigos de Eto’o e os amigos de Song. Curiosamente, no jogo contra a Croácia, quando o volante do Barcelona foi expulso de forma infantil, Ekotto, que seria do grupo do atacante, e Moukandjo, que seria do grupo do meio-campista, precisaram ser separados para não trocar sopapos dentro de campo.

Os Leões Indomáveis realmente não tinham condições de ir longe nesse Mundial. Tática e tecnicamente, o time está muito aquém de Brasil, México e Croácia, e sobram problemas extracampo. São muitos fatores negativos em uma única equipe. O fracasso do time era uma tragédia anunciada que apenas se comprovou neste Mundial.

No entanto, uma lição deve ser tirada de tudo isso. Eto’o está certo em suas críticas. Realmente falta profissionalismo no futebol e federação do país. A liga é fraca, o trabalho de base é ruim e a renovação e revelação de talentos está muito aquém do esperado. Não é à toa que Camarões, nos últimos anos, deixou de ter uma equipe talentosa e com bom futebol, como em anos anteriores, e mostrou um time com muita força física e pouco talento. Muito deve ser feito, e para começar, os cartolas devem ter mais profissionalismo e oferecer uma estrutura melhor, além de investir nas categorias de base e revelação de talentos. Não faltam garotos com talento sonhando com a carreira profissional. Faltam dirigentes que tenham a mentalidade certa e ofereçam o mínimo para que o futebol camaronês possa evoluir.