Iker Casillas, Gianluigi Buffon e Petr Cech invariavelmente farão parte de qualquer lista que indicar os melhores goleiros do mundo neste início de século. O currículo de cada um deles fala por si, com títulos e defesas espetaculares. Nos últimos anos, Manuel Neuer passou a ter lugar cativo neste grupo, merecidamente pela trajetória que construiu no Schalke 04 e no Bayern de Munique. São quatro goleiros monstruosos? Sem dúvidas. Mas isso não deveria ser o suficiente para torná-los cativos em qualquer prêmio de melhor goleiro do ano.

Foi exatamente o que aconteceu na premiação da FIFPro, chancelada pela Fifa e a principal do mundo no quesito. Buffon, Casillas, Cech e Neuer foram quatro dos cinco indicados ao posto de goleiro na seleção do ano, montada pela entidade e divulgada no dia da entrega da Bola de Ouro. Neste ano, o quarteto recebe a companhia de Victor Valdés, indicado merecidamente depois de um excelente início de temporada com o Barcelona – em 2012, a vaga transitória ficou com Joe Hart.

A votação da FIFPro é realizada pelos jogadores profissionais filiados à entidade. E é óbvio que o nome tenha peso preponderante nesta eleição, especialmente em uma posição na qual a alta cúpula é tão bem sacramentada. Não à toa, em oito anos de prêmio, Casillas ganhou cinco vezes e Buffon, duas. A exceção foi Dida, o primeiro agraciado, ajudado pelas grandes campanhas com o Milan em 2005.

Se a perspectiva histórica ajuda a perpetuação dos nomes, uma análise do ano traz muitos questionamentos. Casillas sequer foi titular do Real Madrid, eclipsado por Diego López. E, por mais que Valdés tenha crescido de produção, o melhor goleiro da Espanha na última temporada foi Thibaut Courtois. Cech esteve menos em evidência na Inglaterra do que David De Gea, Hugo Lloris e Simon Mignolet. Mesmo Buffon não foi tão bem com a Juventus e acabou questionado, sem tanto brilho quanto Samir Handanovic. Nem mesmo Neuer é unanimidade, com a forte concorrência de Roman Weidenfeller e Marc-André ter Stegen na Alemanha.

Tirando Neuer, todos os outros concorrentes ao prêmio de melhor goleiro do mundo podem ter suas indicações questionadas, ainda que Valdés seja o mais próximo de justificá-la. O problema é quando são monstros sagrados da posição. A não ser que Buffon, Casillas ou Cech aposentem em breve, será difícil vê-los de fora da disputa – e mais fácil reclamar de alguns que, desmerecidamente, ficarão de fora da festa.

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