A grande expectativa que cerca o Mundial de Clubes é ver um clube sul-americano enfrentando um europeu na grande final. No entanto, nem só de Conmebol e Uefa vive o torneio da Fifa: o Mundial tem representantes de todas as confederações continentais, além da vaga para o campeão do país-sede, existente desde a edição de 2007. E, apesar de os não-europeus ou sul-americanos terem chegado apenas uma vez à final, isso não quer dizer que não haja bons competidores africanos, asiáticos ou norte-americanos.

Veja cinco boas campanhas que mostram o bom futebol do resto do mundo:

5. Monterrey (terceiro lugar, 2012)
O Monterrey de César Delgado foi longe no Mundial do ano passado (Foto: AP)

O Monterrey de César Delgado foi longe no Mundial do ano passado (Foto: AP)

Quem viu apenas a semifinal entre Chelsea e Monterrey deve ter ficado com uma péssima impressão do time mexicano: os Blues, mesmo sem alguns titulares, sufocaram o campeão da Concacaf, que já no começo do segundo tempo estava perdendo por 3 a 0, com direito a gol contra do zagueiro Dárvin Chávez, e nem ao menos conseguiram esboçar alguma reação — o gol de honra de Aldo De Nigris só veio nos acréscimos.

Porém, a amarelada não apaga o que foi uma boa campanha do Monterrey: vitórias sólidas contra o Ulsan Hyundai nas quartas-de-final, por 3 a 1, e contra o Al-Ahly, por 2 a 0, na disputa de terceiro lugar, respectivamente. A equipe mexicana ainda terminou a competição com o melhor ataque, marcando seis gols em três jogos, e com o artilheiro da competição, o argentino César Delgado, com três gols.

4. Urawa Red Diamonds (terceiro lugar, 2007)
O Urawa Red Diamonds quase segurou o Milan (Foto: AP)

O Urawa Red Diamonds quase segurou o Milan (Foto: AP)

O terceiro lugar, conquistado nos pênaltis contra o Etoile du Sahel após empate por 2 a 2, pode parecer modesto e apertado, mas foi nas outras partidas que o Urawa Red Diamonds mostrou seu valor.

A vitória por 3 a 1 nas quartas-de-final contra o Sepahan foi fácil: 3 a 1, com gols de Nagai, Washington e Aghily contra – Karimi descontou para os iranianos no final da partida. E, mesmo contra o poderoso Milan de Kaká, Pirlo e Seedorf, os japoneses fizeram boa partida, mas pecaram nas finalizações. O magro placar de 1 a 0, gol de Seedorf aos 23 minutos do segundo tempo, mostra que o Urawa Red Diamonds soube ser um adversário competitivo. Além disso, Washington terminou como artilheiro do torneio, com três gols.

3. Al-Ahly (terceiro lugar, 2006)
Aboutrika agradeceu aos céus pelo terceiro lugar (Foto: AP)

Aboutrika agradeceu aos céus pelo terceiro lugar (Foto: AP)

Recordista em participações no Mundial de Clubes – em 2013, o time egípcio disputará a competição pela quinta vez, assim como o Auckland City, da Nova Zelândia -, o Al-Ahly fez sua melhor campanha em 2006, quando ficou com o terceiro lugar.

Depois de bater sem dificuldades o Auckland City nas quartas de final – 2 a 0, com gols do angolano Flávio e do ídolo Aboutrika -, Al-Ahly complicou o jogo contra o Inter. Pato abriu o placar para o time brasileiro, mas Flávio empatou no começo da segunda etapa. Só aos 27 do segundo tempo, Luiz Adriano marcou o segundo gol do Colorado e selou a eliminação dos egípcios. Na disputa de terceiro lugar, vitória sobre o América-MEX por 2 a 1, com dois gols de Aboutrika, que terminou a edição como artilheiro, tendo marcado quatro vezes.

2. Mazembe (vice-campeão, 2010)
O Mazembe derrotou o Internacional nas semifinais (Foto: AP)

O Mazembe derrotou o Internacional nas semifinais (Foto: AP)

Desde seu retorno, em 2005, o Mundial de Clubes abre a possibilidade de um título mundial não ser decidido entre um europeu e um sul-americano. É verdade que o caminho dos europeus e sul-americanos até a final é facilitado pelas diferenças técnicas e pela entrada já nas semifinais. Mas, você sabe, futebol é uma caixinha de surpresas, dentro de campo são 11 contra 11, e tantos outros clichês e frases feitas sustentam essa possibilidade. E a possibilidade se concretizou em 2010, com o TP Mazembe, time da República Democrática do Congo e campeão africano daquele ano, eliminando o Internacional.

O caminho do Mazembe no Mundial começou com uma vitória sofrida por 1 a 0 sobre o Pachuca, num jogo em que o time mexicano teve mais chances, mas o gol do lateral Bedi, após passe de Kabangu, foi decisivo. Já na semifinal, o Internacional fez uma partida fraca e acabou derrotado por 2 a 0, com gols de Kabangu e Kaluyituka.

A chance de ir além e ser o primeiro campeão mundial não-europeu ou sul-americano virou pó na final, com impiedosos 3 a 0 da Internazionale, com gols de Pandev, Eto’o e até do então jovem Biabiany. Mas a dancinha de Kidiaba e o bom futebol dos seus companheiros entrou para a história: o Mazembe foi o primeiro africano vice-campeão do Mundial de Clubes.

1. Necaxa (terceiro lugar, 2000)
O Necaxa foi campeão da Concacaf em 1999 e participou do Mundial do ano seguinte (Foto: AP)

O Necaxa foi campeão da Concacaf em 1999 e participou do Mundial do ano seguinte (Foto: AP)

Pode parecer estranho um terceiro lugar ficar acima de um vice-campeão numa lista de melhores, mas é isso mesmo: o Necaxa foi o melhor não-europeu ou sul-americano na história do Mundial de Clubes.

A explicação está no formato da edição “isolada”, por assim dizer, de 2000: o torneio foi disputado por oito equipes, sendo duas sul-americanas (Corinthians e Vasco) e duas europeias (Real Madrid e Manchester United). O terceiro lugar do Necaxa, portanto, significa que o time mexicano superou Manchester United e Real Madrid — o que, convenhamos, não é pouca coisa.

O regulamento daquele ano dividiu as oito equipes sem dois grupos, sendo que o primeiro colocado de cada um iria para a final e os segundos disputariam o terceiro lugar. O Necaxa ficou na mesma chave que Vasco, Manchester United e South Melbourne.

A caminhada dos mexicanos começou com um bom resultado: 1 a 1 contra os Red Devils. Montecinos abriu o placar logo aos 14 minutos do primeiro tempo e o empate do time inglês só viria aos 43 do segundo tempo, com Dwight Yorke.

Na segunda rodada, vitória sobre o South Melbourne, campeão da Oceania, por 3 a 1 — gols de Montecinos, Delgado e Cabrera. A participação do Necaxa terminou com uma derrota para o Vasco da Gama: Aguinaga (sim, aquele) abriu o placar aos cinco minutos de jogo, mas Odvan e Romário viraram para a equipe carioca: 2 a 1. O time mexicano ficou em segundo lugar, empatado em número de pontos com o Manchester United (4 pontos cada), mas com vantagem no saldo de gols (1 a 0).

Classificado para a disputa de terceiro lugar, o Necaxa enfrentou o Real Madrid. No tempo normal, empate em 1 a 1: gols de Raúl, para os merengues, e de Agustín Delgado para os mexicanos. A igualdade se manteve na prorrogação e, na disputa de pênaltis, vitória por 4 a 3 do Necaxa, consagrando a melhor participação de um não-europeu ou sul-americano num Mundial de Clubes.