A desmotivação do Barcelona na temporada é evidente. A queda na Liga dos Campeões e os seguidos tropeços em La Liga minaram o caminho dos blaugranas. Falta padrão de jogo, sobram falhas coletivas. Apesar das chances de título que ainda existiam no Espanhol, os catalães pareciam se arrastar na disputa até as rodadas finais. Praticamente se despediram do torneio neste sábado: no último minuto, tomaram o empate por 2 a 2 contra o Getafe, dentro do Camp Nou. Só um milagre garante o bicampeonato ao Barça.

Afinal, são três pontos de diferença para o Atlético de Madrid, que tem um jogo a menos. Se os colchoneros vencerem seu jogo deste domingo, contra o Levante, ficam a um empate de liquidar o Barcelona. E, mesmo assim, três pontos atrás e com dois jogos a menos, o Real Madrid também deve ficar à frente dos blaugranas na tabela. Fim de temporada melancólico, com um jogo decisivo contra o próprio Atleti que tinha tudo para ser quentíssimo e se promete não mais do que protocolar para os catalães.

No Camp Nou, o Barcelona foi superior e fazia por merecer a vitória sobre o Getafe. Lionel Messi fez partida muito boa, enquanto as trocas de passes no ataque funcionaram contra uma defesa frágil. Porém, os anfitriões relaxaram. E deram a brecha para que os Azulones buscassem o empate justamente na maior fragilidade da equipe de Tata Martino: o jogo aéreo. Os dois gols de Lafita nasceram justamente em duas bolas alçadas à área, que o Barça não soube defender. O momento já é do Barcelona se reinventar. Se não existe mais motivação na busca por títulos, há muitos problemas que precisam ser resolvidos o quanto antes.

No entanto, se as interrogações sobre o time são enormes, as sobre Messi parecem tão grandes quanto. Está claro que o camisa 10 não vive uma fase tão espetacular quanto a de anos anteriores. Ainda assim, mesmo em um ano permeado por lesões, os números do craque são excelentes para um jogador “comum”: 41 gols e 15 assistências em 44 partidas. A questão maior é o seu rendimento em grandes partidas. Contra o Real Madrid, no segundo turno do Campeonato Espanhol, Messi arrebentou. Exceção em meio a atuações apagadas na maioria dos jogos decisivos que o Barcelona fez na temporada.

Contra o Getafe, Messi lembrou um pouco de seu melhor. Anotou um belo gol e insistiu em marcar um golaço, que não veio, apesar das várias tentativas. Ainda assim, foi o melhor em campo. O camisa 10 está sempre um centímetro atrás, um segundo mais lento que seu auge. O jogo coletivo do Barcelona não tem ajudado muito, mas também a forma física atrapalha. Os lampejos do gênio seguem, sem a frequência de acerto que dele se espera.

Há quem aposte que Messi está se poupando. Seria tudo uma jogada pensada para chegar ao ápice na Copa do Mundo, o grande objetivo de sua carreira. Difícil de afirmar, especialmente quando se pensa na fome competitiva que o argentino tem. De qualquer forma, parece mesmo que o atacante não está jogando em 100% de seu físico. Evitando o desgaste ou abaixo do patamar que já atingiu? Resposta que, agora, só deverá ser dada mesmo no Mundial. E se não for  mesmo balela, Messi terá que reinventar alguns de seus traços em campo. Uma capacidade que só os grandes craques têm.