Wilshere

Os problemas que afastaram o Arsenal do título da Premier League

Nós não acreditamos em Arsène Wenger e até já pedimos desculpas. Não parecia que a contratação de Mesut Özil seria suficiente para transformar um time que parecia muito fraco em, ao menos, um concorrente à vaga na Liga dos Campeões. O Arsenal surpreendeu e chegou a brigar pelo título, mas está levando algumas injeções, forçadas, de realidade. O que justifica essa queda de rendimento que levou o time a ganhar apenas dois dos últimos seis jogos que disputou pelo Campeonato Inglês e deixou o Chelsea abrir quatro pontos na liderança?

A campanha do Arsenal não surpreende à toa. As vitórias no começo da temporada não resolveram alguns gargalos do elenco. Já teve campeão brasileiro com Leandro Euzébio e Gum na zaga, mas a missão de qualquer time fica mais complicada quando Laurent Koscielny tem que ser titular. Há uma abundância de meias ofensivos, mas poucos marcadores, o que não é tanto um problema pelo estilo de jogo da equipe. Se Wenger quiser variar, porém, não há opções.

Os centroavantes merecem um parágrafo a parte. Olivier Giroud fez 12 gols na Premier League, mais do que se esperava – não se esperava muito -, mas nunca foi o camisa 9 dos sonhos de nenhum Gunner. E as alternativas são Nicklas Bentdner, que dispensa explicações, e Yaya Sanogo, um jovem de 21 anos, que teve sua segunda chance como titular nas oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique. Quer prova maior de que o elenco do Arsenal é curto?

Ainda mais para um clube que tradicionalmente sofre muito com lesões. Thomas Vermaelen machucou-se duas vezes nesta temporada. O próprio Sanogo ficou um bom tempo afastado. O melhor jogador do semestre passado foi Aaron Ramsey, que não entra em campo desde dezembro. Theo Walcott está fora da temporada. Em algum momento dos últimos oito meses, Cazorla, Wilshere, Podolski, Arteta, Rosicky e Chamberlain, ou seja, quase todos os atletas importantes, perderam ao menos dois jogos por lesão.

Fica difícil fixar um time titular. Da vitória contra o Fulham, a última antes da sequência dos últimos seis jogos, na qual o Arsenal conquistou apenas oito de 18 pontos disponíveis, Wenger fez nove alterações na equipe, na defesa, no meio-campo, e no ataque.

Também houve a queda de rendimento de alguns jogadores, principalmente Mesut Özil. Ainda é prematuro demais dizer que o meia alemão foi uma contratação fracassada – um flop, como os ingleses dizem -, mas é claro que ele caiu de rendimento. O mestre das assistências não dá um passe para gol desde 28 de janeiro. De 14 de dezembro para cá, deu dois, esse contra o Southampton e outro contra o poderosíssimo Coventry City, pela Copa da Inglaterra. A confiança da torcida ficou ainda mais abalada quando ele bateu um pênalti completamente displiscente contra o Bayern de Munique, que poderia ter dado outro rumo àquela partida de oitavas de final.

A torcida não tem mais paciência para esperar o título que não vem desde 2005, mas a realidade do Arsenal, no começo da temporada, era classificar-se com muita dificuldade para a Liga dos Campeões do ano que vem e chegar na fase de mata-mata da edição atual. Isso deve conseguir, até com mais facilidade, apesar de o Tottenham já estar a apenas seis pontos, na quinta colocação. Com tantos problemas, de lesões, elenco e desempenho, mais do que isso seria muito difícil de conseguir, mesmo.

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A partir de agora, eu, que comecei a ler a Trivela pelas colunas de futebol inglês do Caio Maia, sou o responsável por esse espaço e vou fazer o possível para não deixar o nível cair muito, inclusive em relação aos textos do meu predecessor e companheiro Leandro Stein.