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Os sete Maracanazos da Copa Libertadores

Maracanã lotado, mas em silêncio depois de uma grande frustração na Libertadores. A cena emblemática foi vivida pelo Flamengo nesta quarta-feira, após a derrota para o León. Mais um Maracanazo, que sequer é inédito nesta nova versão do estádio, quanto mais para os rubro-negros na competição continental. As decepções dos cariocas na Libertadores, aliás, costumam ser frequentes, motivadas por uma série de questões que já tentamos desvendar.

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Ao longo da história da Libertadores, são sete Maracanazos. Sete vezes em que os grandes clubes do Rio de Janeiro caíram de joelhos em sua grande casa para adversários estrangeiros, em partidas decisivas – não contabilizamos os duelos com outros brasileiros. O Flamengo é o mais acostumado com essa tristeza, vivenciada quatro vezes. Já o Vasco nunca passou por tamanha provação no estádio porque geralmente manda suas partidas no torneio em São Januário, onde há o trauma de uma eliminação para o Boca Juniors em 2001. Relembre cada uma dessas derrotas:

Libertadores de 1971: Fluminense 0×1 Deportivo Itália

O primeiro vexame de um carioca na Libertadores aconteceu na penúltima rodada da primeira fase de 1971. Em uma época na qual só os líderes do grupo se classificavam, o Tricolor ficaria muito próximo da vaga se vencesse o Deportivo Itália. E o clima de otimismo era enorme sobre o então campeão do Robertão, que havia enfiado 6 a 0 nos rivais em sua visita à Venezuela. O problema é que o time comandado por Zagallo saiu atrás no placar, em um pênalti convertido por Manuel Tenorio. Depois disso, bombardeio para cima da meta de Vito Fassano, que se consagrou ao segurar o 1 a 0 diante de Flávio Minuano, Samarone, Lula e outros destaques do Flu. O Pequeño Maracanazo (como a imprensa venezuelana chamou a partida) custou caro aos cariocas, que foram eliminados na rodada final, em nova derrota no Maracanã, desta vez para a Academia do Palmeiras.

Libertadores de 1982: Flamengo 0×1 Peñarol

O Flamengo era o atual campeão continental e ainda tinha um timaço. Da equipe que levou também o Mundial em 1981, apenas Raul e Mozer estavam ausentes. E para seguir sonhando com o bicampeonato, o time de Zico, Júnior, Adílio e Nunes precisava de uma vitória simples contra o Peñarol no Maracanã, o que o colocaria na final. A massa rubro-negra compareceu em peso, com 90 mil torcedores lotando as arquibancadas. Só faltou combinar com os carboneros. Os uruguaios, que eram estrelados por Fernando Morena, Mario Saralegui e Venancio Ramos, venceram por 1 a 0. E a honra de calar o Maraca foi do brasileiro Jair, revelado pelo Internacional. Na decisão, os aurinegros se sagrariam campeões ao baterem o Cobreloa.

Copa Libertadores de 2008: Flamengo 0×3 América

Para muitos flamenguistas, a derrota mais dolorida de todas. Era uma tremenda festa no Maracanã. O Flamengo havia sido campeão estadual e estava ali para botar a faixa no peito. Também se despedia de Joel Santana, que iria para a África do Sul e deixava o comando do time com Caio Júnior. E, claro, tinha a tranquilidade do excelente resultado conquistado no Estádio Azteca, uma vitória por 4 a 2 que dava aos cariocas o direito de perder por até dois gols de diferença, caso não tomassem mais do que três gols. Mas o Fla não marcou nenhum e permitiu que Cabañas marcasse dois, além de mais um de Esqueda, que eram suficientes aos mexicanos. A atuação da vida do paraguaio, que colocou a bola embaixo do braço e fez o que quis. Para emudecer o Maraca.

Copa Libertadores de 2008: Fluminense 3×1 LDU Quito (nos pênaltis, LDU 3×1)

Esteve longe de ser um vexame do Fluminense. Afinal, os tricolores haviam feito o que parecia impossível depois da dura derrota por 4 a 2 em Quito. Mesmo depois de Bolaños abrir o placar para os equatorianos, Thiago Neves destruiu a favor dos cariocas. Uma atuação impecável para a virada. E uma virada rápida: aos 13 minutos do segundo tempo já estava 3 a 1. O Flu tinha meia hora para fazer mais um gol, mas parou aí. Nem 30 minutos de prorrogação foram suficientes para a glórida definitiva. E começou a se desenhar a frustração dos quase 80 mil que enchiam o Maracanã. Conca, Washington e o mesmo Thiago Neves desperdiçaram suas cobranças, diante de um triunfante Cevallos. Vitória por 3 a 1 dos Albos, que impediam o título inédito do Flu na Libertadores. Uma história bem parecida com o que aconteceu na Copa Sul-Americana de 2009, quando os 3 a 0 tricolor no Rio foi insuficiente depois de tomarem de 5 a 1 em Quito.

Libertadores de 2010: Flamengo 2×3 Universidad de Chile

O Flamengo tinha se classificado de forma épica nas oitavas de final, superando o Corinthians de Ronaldo. Todavia, o sonho de fazer a América ruiu logo na fase seguinte. O Maracanazo aconteceu ainda no jogo de ida, quando a Universidad de Chile venceu por 3 a 2. Victorino, Olarra e Álvaro Fernández fizeram os gols dos chilenos, que sempre estiveram à frente no placar e chegaram a abrir dois gols de vantagem nos primeiros 25 minutos de jogo. Já na volta, em Santiago, nem mesmo a atuação fabulosa de Adriano ajudou. Montillo fez o gol da classificação, em uma falha do goleiro Bruno. A vitória por 2 a 1 foi insuficiente para o Fla, que vivia os últimos dias de seu Imperador antes da transferência para a Roma.

Libertadores de 2014: Botafogo 0×1 Unión Española

O Botafogo só precisava da vitória para confirmar sua classificação na Libertadores. Era um jogo no qual tudo parecia a favor dos alvinegros. Até o velho estigma de ser Botafogo pesar. A equipe de Eduardo Húngaro perdeu gols aos montes, incluindo uma sequência incrível no início do segundo tempo. Era o futebol repetitivo e pouco criativo, baseado nos cruzamentos de Jorge Wagner. Não rendeu nenhum fruto e custou caro demais nos minutos finais, quando Gustavo Canales cobrou um pênalti para lá de duvidoso que não só deu a vitória à Unión, como também classificou os chilenos. Na rodada final, os botafoguenses ainda tinham a vantagem do empate contra o San Lorenzo, mas foram meros espectadores do épico vivido pelos cuervos.

Copa Libertadores 2014: Flamengo 2×3 León

Podia ser um jogo de fase de grupos, mas tinha o peso de confronto decisivo. Depois de uma vitória heroica sobre o Emelec, o Flamengo também precisava bater o León para avançar às oitavas de final. A torcida fez seu papel, lotando o Maracanã e empurrando o time durante 83 minutos. Até o gol de Carlos Peña fechar a vitória dos mexicanos, que sempre estiveram em vantagem e que, naquele momento, podiam até sofrer mais um tento. A desorganização dos rubro-negros foi fatal.

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