Juan Carlos Osorio fez um trabalho imenso nesta Copa do Mundo. Exceção feita à derrota para a Suécia, o México teve atuações acima das expectativas. Conquistou a sua vitória mais emblemática na história dos Mundiais contra a Alemanha, bateu também a Coreia do Sul e acuou o Brasil em parte do tempo. Se a classificação às quartas de final não aconteceu, ela parece mais pelas circunstâncias do que necessariamente pela falta de postura dos mexicanos. A equipe possui as suas limitações, é claro, até pela quantidade de ataques que desperdiçou por decisões erradas. Mas o saldo é bastante positivo.

Posto isso, é preciso dizer que Osorio foi infeliz em suas declarações na saída do jogo em Samara. O treinador condicionou o tropeço à “arbitragem ruim”, que para ele parou demais o duelo e permitiu que os brasileiros “gastassem o tempo”. Mais do que isso, preferiu negar o pisão de Miguel Layún em Neymar e disse que o futebol “é um jogo de homens”, daquelas besteiras que só desenhando para explicar. E quando foi perguntado se falava mesmo sobre o camisa 10 brasileiro, de quem ainda não havia citado o nome, se desvencilhou.

“Parece-me que tivemos uma partida de muita posse de bola e isso me sugere que tivemos controle do jogo. Infelizmente, é uma vergonha que se perca tanto tempo com um jogador, e isso tem muito a ver com a arbitragem. Meus jogadores se cansaram disso e não é um bom exemplo para o futebol, sobretudo para as crianças. Este é um jogo de virilidade e de homens, não de tanta palhaçada”, apontou. “Eu nunca mencionei Neymar. O árbitro permitiu muitas faltas que estavam fingindo, não é possível que se atrase o jogo durante quatro minutos por causa de um jogador. Foi um contato muito reduzido e cada vez o árbitro parava a partida”.

Quanto ao seu futuro, Osorio preferiu não ser incisivo. Apontou que sua permanência na seleção mexicana será discutida posteriormente: “Neste momento, minha continuidade é o menos relevante. Acabamos de perder um jogo muito importante, isso dói a todos nós. É preciso dar o luto correspondente. Nos próximos dias, os chefes tomarão uma decisão e eu tomarei a minha”.

Tite, por sua vez, evitou que a polêmica repercutisse através de Neymar. O camisa 10 foi questionado sobre as declarações de Osorio durante a coletiva brasileira. O treinador impediu que ele respondesse. “Dá licença. As hierarquias se mantêm. Técnico fala com técnico, jogador com jogador, direção com direção. Depois eu respondo isso”, declarou o comandante.

Depois, Tite preferiu não se aprofundar no assunto, deixou que as imagens prevalecessem: “Eu não vou responder ao Osorio, eu vi o lance. Todos que estão me assistindo tirem suas conclusões, o vídeo está aí. Imagem não questionamos. Neymar não pisa, pisaram nele. Eu estava do lado, e vi de novo pela televisão. Não precisa falar, é só olhar. Ele tem que jogar bola, eu falo, a direção fala, o árbitro apita. Cada um faz a sua e vamos embora”.