Para quem estava na primeira divisão do Campeonato Espanhol há quatro anos, enfrentar a nova realidade na terceirona não é fácil. O Mallorca, mais do que isso, era uma potência nacional na virada do século, a ponto de terminar por duas vezes na terceira colocação de La Liga, de conquistar a Copa do Rei, de figurar na Liga dos Campeões e de disputar a decisão da Recopa Europeia em 1998/99. Entretanto, a má gestão que assolou o clube principalmente a partir do início desta década o levou abaixo. E o reerguimento tem a participação de um nome bem conhecido: Steve Nash, lenda do basquete, que também atua como coproprietário e membro da diretoria dos bermellones.

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A chegada de Nash ao Mallorca aconteceu em janeiro de 2016, quando a situação já estava bastante crítica. Meses antes, os jogadores tinham repassado o bicho por evitarem o rebaixamento para os funcionários, que sofriam com os salários atrasados. Além do mais, as dívidas públicas geravam ameaças constantes de bancarrota. O ex-armador desembarcou nas Ilhas Baleares ao lado do antigo patrão, Robert Sarver, dono do Phoenix Suns e acionista majoritário do Mallorca. Prometiam estabilizar as contas dos bermellones e recolocá-los na elite do Espanhol.

O começo da empreitada está longe de ser simples. Sem fazer loucuras, os novos donos não conseguiram impulsionar o Mallorca na segunda divisão. Pior, viram o time ser rebaixado, descendo à terceirona pela primeira vez desde a década de 1980. Não é o que abala a confiança de Steve Nash, já experiente no futebol por seu trabalho no Vancouver Whitecaps, um dos proprietários da franquia da Major League Soccer. De qualquer maneira, o canadense demonstra ter total noção do desafio que encontra na Espanha.

Viajando periodicamente para visitar o clube e monitorar a gestão, Nash esteve no Mallorca durante o final de setembro e passou alguns dias nas Ilhas Baleares – estadia destacada pela reportagem do programa El Día Después, do Canal+. Afirmou que é um sonho ser um dos donos do clube e ter a possibilidade de reconstruí-lo, embora demonstre total consciência sobre o tamanho das dificuldades e o longo caminho que terá pela frente.

“O pior que pode acontecer no futebol é ser rebaixado. Estávamos muito decepcionados, mas ao mesmo tempo o clube levava seis ou sete anos em que não trabalhavam bem. Creio que essa foi uma oportunidade para vermos os erros que cometiam há mais tempo, para poder corrigi-los e aprender com eles, para criarmos uma estrutura mais estável”, declarou. “Creio que temos que olhar para muitos clubes que realmente fazem as coisas bem. Temos que pegar estas coisas boas e colocá-las em contexto, porque o que o Barcelona faz talvez não seja possível no Mallorca. Mas há certas coisas que podemos aprender com eles, e existem aspectos de clubes com o nosso tamanho que podemos adaptar”.

Líder de seu grupo regional na terceira divisão, o Mallorca faz excelente campanha até o momento. Conquistou oito vitórias em nove rodadas, com 17 gols marcados e apenas dois sofridos. O caminho para o acesso é longo e, mesmo com o título da chave, prevê um mata-mata para confirmar o retorno à segundona. De qualquer maneira, os esforços para reabilitar os bermellones são consideráveis. Quem sabe, para permitir que o sucesso de Steve Nash se estenda muito além das quadras.