Enquanto existiu, a Supercopa foi uma das competições mais bacanas da América do Sul. O torneio reunia apenas os antigos campeões da Libertadores. Assim, mesmo se ficassem de fora do principal palco, os grandes clubes tinham um campeonato secundário para se satisfazer. E a Supercopa reuniu muita tradição entre 1988 e 1997. Agora, uma de suas finais será revivida, 22 anos depois, com a classificação de Flamengo e Independiente à decisão da Copa Sul-Americana. Os dois clubes fizeram embates marcantes em 1995, culminando em uma das últimas conquistas continentais do Rojo, bem como na frustração total dos rubro-negros no ano de seu centenário.

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Ao longo da campanha, o Flamengo tinha bem mais pinta de campeão. Sua trajetória foi impecável, ganhando todos os seis jogos disputados anteriormente. Eliminou o Vélez Sarsfield (em duelo lembrado especialmente pela pancadaria iniciada por Zandoná e Edmundo) nas oitavas de final, o Nacional de Montevidéu nas quartas e o Cruzeiro nas semifinais. Em um ano no qual a diretoria rubro-negra tinha investido rios de dinheiro para celebrar os 100 anos de fundação do clube, a Supercopa era vista como uma salvação da lavoura, diante da campanha decepcionante no Brasileirão e da derrota na final do Carioca – com o famoso gol de barriga de Renato Gaúcho.

O Independiente, por sua vez, não empolgava da mesma maneira. Era o atual campeão da Supercopa, vencida sobre o Boca Juniors em 1994. Contudo, o elenco passara por mudanças e embalava. Duas das três classificações anteriores aconteceram nos pênaltis – diante de Santos e River Plate, superando com a bola rolando apenas o Atlético Nacional. Recém-chegado a Avellaneda, Faryd Mondragón assumia o protagonismo, heroico ao longo da competição. De qualquer maneira, o desempenho consistente diante de adversários tão pesados (cabe lembrar que o Santos de Giovanni seria vice-campeão nacional meses depois, o Atlético Nacional de Higuita vinha do vice da Libertadores no primeiro semestre e o River Plate de Francescoli faturaria o torneio continental no ano seguinte) mostrava que o Rojo não seria presa fácil.

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O problema naqueles tempos era a empáfia de um Flamengo que dizia ter o “melhor ataque do mundo” e nunca fez por merecer a alcunha. No primeiro jogo, em Avellaneda, os rubro-negros tiveram uma atuação medíocre, mesmo com Romário e Sávio na linha de frente. A estrela da noite foi o atacante Javier Mazzoni, que abriu o placar de cabeça e deu um passe de calcanhar para Cristián Domizzi fechar a conta em 2 a 0. Pouco inventivo, o Fla treinado pelo jornalista Apolinho precisaria de muito mais.

A semana do segundo jogo foi conturbada, especialmente pelo acidente automobilístico em que esteve envolvido Edmundo (fora das finais por contusão), no qual três pessoas morreram. A torcida do Flamengo, ao menos, fez a sua parte ao lotar o Maracanã, em noite marcada pela quebra das catracas – permitindo uma literal invasão do estádio, com estimados 105 mil presentes. A reação rubro-negra, todavia, não foi suficiente. O time de Apolinho venceu por 1 a 0, gol de Romário aos 16 do segundo tempo, aproveitando uma sequência de dois rebotes. A frustração dos flamenguistas era evidente. Melhor para o Rojo de Miguel Ángel López, que contava com uma série de jogadores que fizeram carreiras longas na seleção argentina – incluindo Jorge Burruchaga, Néstor Clausen, Diego Cagna e Gustavo López. O grande destaque, ainda assim, acabou sendo mesmo Mondragón.

Curiosamente, o Flamengo se daria melhor nos outros duelos com o Independiente em competições continentais –  todos ocorridos depois de 1995. A primeira revanche veio na Supercopa de 1996, com os rubro-negros encerrando o sonho do tricampeonato alvirrubro. Fábio Baiano anotou o gol que eliminou o Rojo nas oitavas de final, em vitória por 1 a 0 no Rio após o 0 a 0 em Avellaneda. O time treinado por Joel Santana cairia na etapa seguinte, diante do Colo-Colo.

Depois disso, foram mais dois encontros pela Copa Mercosul, justamente nos anos em que o Flamengo alcançou as finais. Nas quartas de final de 1999, o destaque fica para a goleada por 4 a 0 no Maracanã, com dois gols de Leandro Machado, um de Fábio Baiano e um de Romário. Do outro lado, o Independiente tinha Gabi Milito e Esteban Cambiasso. Já o reencontro aconteceu em 2001, também nas quartas de final. E de novo o Fla enfiou 4 a 0 para cima do Rojo no Rio de Janeiro, após o 0 a 0 na ida. Enquanto o Independiente tinha Diego Forlán e Pablo Guiñazú, o Flamengo de Zagallo possuía várias estrelas, incluindo Júlio César, Petkovic, Beto, Reinaldo e Edílson. Um dos destaques da partida? O zagueiro Juan, autor de dois gols. Um nome para a torcida rubro-negra sempre confiar.