- Tá, Babbo. Pode babar pelo Manchester. Jogou muito contra o Wigan… Jogou sem volantes. É assim que se joga. É assim que se jogava antes da Batalha de Hastings… Sim, em “Asterix entre os Bretões” há uma fala do Panoramix elogiando o 4-4-2 sem volantes e…

- Vai tirando uma, filhão. Mas do Manchester falo depois. E do Barça, também. Show de bola com times ofensivos. Meio-campo leve, vontade de atacar e encantar. Uma beleza. Mas é sempre bom aproveitar para falar da comissão técnica da Fifa. A que escolheu a lista prévia dos 30 nomes dos melhores do mundo em 2007.

- É pelo tal do conjunto da obra? Só por isso para o Thuram, Vieira, Cannavaro e mais alguns estarem na lista. Até o seu querido Henry, de janeiro até agora, só com boa vontade. Vai ver que ele deve ganhar aqueles Oscar honorários…

- Deve ser. Mas o que justifica a ausência do Totti, artilheiro do Italiano? O Ibra, então? Jogou muito. Foi bicampeão nacional.

- Fábregas, cacilda! O Niño Torres é bom, mas o que ele fez a mais que o Cesc? Nada.

- Filhão, é tudo questão de gosto. Eu mesmo não consigo fechar minha lista de 30: faço, refaço, rabisco, e já fico insatisfeito.

- Mas o Claudio Zaidan, colega da Bandeirantes, mais uma vez mandou bem: como foi legal botarem o Riquelme na lista. É sinal de que o pessoal ao menos está olhando a Libertadores. Não só o que rola na Europa.

- Tem mais alguém da América do Sul que merecia ser listado, alguém que joga ou jogou por aqui em 2007?

- Talvez o Rogério Ceni, né, Babbo? Mas acho que você já falou a respeito no teu blog. Concordo em termos como você, mas vamos falar dos melhores da lista. Do Gattuso, por exemplo…

- Pois é. No meu time, sempre tentaria arranjar um lugarzinho pra ele. Não queria 11 Gattusos, mas ao menos um. Agora, na lista dos 30 melhores do mundo… Fosse para pegar um a mais do campeão europeu, seria o Seedorf, pelo que passou a jogar a partir de abril…

- Ambrosini…

- Não brinca. Mas mesmo o Nesta, que ainda acho o melhor do planeta, não teve aqueeeeeela temporada.

- Mas sempre tem de ter os melhores na média, né, Babbo? Como o Buffon e o Cech, por exemplo.

- Tá certo. Esses dois, sempre. Catam tudo.

- O Buffon cata bem até fora de campo…

- Filhão, não deixa a sua mãe ler a frase de cima… Mas precisa ter goleiro, né? Assim como precisa a Fifa dar uma de Heleno Nunes.

- Quem é que é esse cara? É personagem de novela do Manoel Carlos?

- Não. Ele coloca umas Helenas nas novelas dele. Além da filha.

- Boa. Você pode falar mal de profissional nepotista…

- Quieto, filhão, ops, quieto, Luca. Mas, então: Heleno Nunes era o presidente da CBD na época do regime militar. Ele que cunhou a frase “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”. Hoje, para não ficar mal o Blatter, um jogador do país na lista dos 30.

- Daí o Rafa Márquez. E se tinha um ano em que o Juninho Pernambucano não merecia ser lembrado era este…

- Sim. Já o Tevez, pelo West Ham, e, agora, pelo Manchester, merece.

- O Lahm? A Copa já foi, o Bayern estava mal no primeiro semestre…

- Sim. O Klose eu colocaria. O Lampard é outro que entra pela conjunto da obra.

- Afonso Alves?

- Não, né. Mas ele não é tão ruim assim. Não o chamaria para a seleção. Mas não o chamaria de tudo quanto é nome. Lembra o primeiro LP do Língua de Trapo.

- LP? É um tipo de torpedo, SMS?

- Depois te mostro umas fotos… É o pai do CD. Enfim, filhão: no final do lado A…

- Lado A do LP?

- Tá. Depois te mostro um. Ou vai ver um DJ trabalhar.

- Prefiro ver a ouvir.

- Boa. Mas, então: no fim do lado A do LP do Língua, havia uma “enquete” com populares. Aí um sujeito perguntava:

- Você conhece o Língua de Trapo?

A moça respondia “não”. Ele insistia:

- O que você acha do trabalho deles. Ela respondia:

- Uma merda.

É assim que fazemos com o Afonso e com tantos outros.

- Tá legal, Babbo. Eu não posso falar palavrão. Você pode?

- Respeite os mais velhos.

- Tá bom. E feliz meu dia, neste sábado. Embora você seja muito mais criança que eu.