Quando o Real Madrid vendeu Mesut Özil para o Arsenal, muitos acusavam os merengues de estar fazendo bobagem. “Não existe melhor armador do mundo do que ele” e “Bale não vai ser o maestro do time como ele” eram os comentários tão comuns. Pouco mais de sete meses depois, já deu para notar que o galês realmente não cumpre o mesmo papel do alemão. Embora o camisa 11 garanta, sim, muitas assistências, a maioria delas vem em cruzamentos ou jogadas em diagonal. É uma flecha, como Cristiano Ronaldo, não um arco similar a Özil. Ainda assim, o Real continua com um grande garçom. Que já estava no Bernabéu.

Ángel Di María soma 18 assistências na temporada, entre La Liga e a Liga dos Campeões. É a maior marca entre jogadores das cinco grandes ligas europeias, considerando também seus números nas competições continentais – Koke, Bale e Rooney aparecem logo atrás na lista, com 15 passes para gol cada um. Superou sua própria marca pessoal, que era de 16 assistências, em 2011/12. E, mais notável ainda, o argentino já foi além da marca de Özil na temporada passada: foram 17 passes para gol do alemão, em 42 jogos. Di María precisou só de 36 partidas, jogando em uma posição diferente, vindo mais de trás que o alemão. Um arco bem mais efetivo para as três flechas do ataque do Real Madrid, o trio Benzema, Bale e Cristiano Ronaldo, com qualidade nos passes em profundidade e nas bolas paradas.

O jogo deste sábado nem valeu muito como parâmetro sobre os talentos de Di María na armação. Depois de 45 minutos muito duros, em que a Real Sociedad foi melhor em Anoeta e só não saiu em vantagem por causa dos milagres de Diego López, o Real Madrid saiu em vantagem pouco antes do intervalo, com Asier Illarramendi. Bale ampliou a diferença no segundo tempo com um chutaço de fora da área, enquanto Pepe fez o terceiro. E, permanecendo apenas dez minutos em campo, Di María teve tempo suficiente para brilhar. Deu uma enfiada de bola sensacional para Álvaro Morata fechar a conta, 4 a 0 no placar.

Com mais uma assistência, o camisa 22 chegou a oito nas últimas dez partidas – média de uma a cada 86,6 minutos em campo. Um rendimento essencial para o Real Madrid na reta final da temporada. Contra o Barcelona, Di María foi o melhor do time em campo e só desapareceu depois que Sergio Ramos foi expulso, sobrecarregado na marcação. Ainda assim, mostrou que os merengues podem contar com ele em momentos decisivos. Algo importantíssimo para uma equipe que sonha com seu décimo título na Liga dos Campeões, além de tentar tirar os três pontos de diferença do Atlético de Madrid para se alçar à liderança do Espanhol.