O projeto era ambicioso e parecia ter tudo para dar certo. Disposto a voltar à fase dourada vivida na década anterior, onde obteve o tetracampeonato continental na Concacaf, uma Copa Sul-Americana (primeiro título oficial de uma equipe azteca em competições da Conmebol) e cinco campeonatos nacionais, o Pachuca abriu a temporada 2012/13 investindo alto no elenco. Atletas experientes no cenário mexicano como Alberto Medina e Òscar Rojas se juntaram ao promissor Néstor Calderón e a medalhões como Nery Castillo, ex-Manchester City (ING), e o espanhol Raúl Tamudo, maior artilheiro da história do Espanyol. Todos sob o comando de Hugo Sánchez, um dos maiores jogadores da história do futebol mexicano e de passagem vencedora pelo comando técnico do Pumas UNAM.

O que aparentava ser o início de um período dourado para os Tuzos revelou-se um fiasco. Com rendimento pífio de praticamente todas as contratações, o clube ostentou o segundo pior ataque do Apertura, não obteve nem mesmo a vaga para o mata-mata (fechou a competição no modesto 13º lugar) e já no meio da temporada dispensou boa parte dos altos (e caros) investimentos e encerrou o contrato de “Hugol”.

Corta para 2014. Começando uma temporada sem grandes contratações ou expectativas, longe do favoritismo de outrora e com um time sem grandes estrelas, repleto de jovens promessas e destaques da base, um Pachuca disciplinado comeu pelas beiradas na primeira fase da Liga MX, conquistou sua vaga na última rodada e superou os favoritos Pumas e Santos na Liguilla para voltar à decisão de um campeonato mexicano depois de cinco anos de ausência. Mas o que mudou de lá para cá?

As respostas para esse questionamento são variadas, mas costumeiramente passam por uma junção de fatores que vão de força coletiva a foco do investimento na base. De um time multicampeão na primeira década do século, os Tuzos somavam três torneios sem alcançar a Liguilla, mas também sem preocupar-se com o descenso. Trocando em miúdos: um time sem muitas pretensões, de meio de tabela. Além disso, o intenso entre e sai de jogadores dificultou bastante a formação de um elenco minimamente competitivo.

Para o Clausura, o Pachuca dispensou nomes caros, mas de poucos resultados, como Cavenaghi, Riascos, Suárez e Ludueña, optando por jovens apostas do próprio futebol mexicano ou pinçadas no futebol sul-americano. E é justamente aí que reside por boa parte do sucesso do clube.

Uma das apostas foi mais do que certeira: o equatoriano Enner Valencia, contratado junto ao Emelec após o título nacional e a artilharia da Copa Sul-americana. Bastaram quatro meses em gramados aztecas para o “Súperman” virar ídolo em Hidalgo. Com 14 gols na primeira fase, garantiu a liderança da tabela de artilheiro. E como se não fosse o suficiente, anotou mais quatro para se tornar também o maior marcador da Liguilla até aqui, responsável direto pela classificação nas quartas de final ao anotar uma “tripleta” sobre o Pumas em pleno estádio Olímpico.

À parte o bom momento de Valencia, o sucesso dos Tuzos tem uma estrutura mais solidificada: o futebol da base. Mesmo durante a fase de vacas magras, o bom projeto das categorias inferiores do clube foi mantido. E o tricampeonato do campeonato sub-15, bem como os dois títulos do sub-17 e o torneio nacional sub-15 do último ano, além de inúmeras taças em copas internacionais, apontam isso. Um bom exemplo pôde ser visto nas atuais edições das duas principais categorias do futebol mexicano. O Pachuca fechou a primeira fase na liderança tanto da categoria sub-20 quanto do sub-17.

Se restarem dúvidas quanto aos frutos gerados pelo bom trabalho realizado na base em Hidalgo, basta analisar os grandes destaques da classificação obtida nas semifinais sobre o Santos: além de Valencia (25 anos), Isaác Rodríguez (23), Diego de Buen (22), Jürgen Damm (21), Rodolfo Pizarro (20) e Hirving Lozano (18) brilharam, os dois últimos crias diretas da base.

Mesmo nomes mais experientes do grupo, como o zagueiro Marco Iván Pérez e o goleiro Rodolfo Cota, foram lapidados em Hidalgo. O elenco é tão jovem, que somente dois jogadores têm mais de 30 anos. O equatoriano Walter Ayoví e o goleiro quarentão Òscar Pérez se tornaram imprescindíveis, seja pela técnica, seja pela referência com a qual guiam os destaques do grupo. Ambos dão o tom de tranquilidade e cadência que permitiram ao Pachuca alcançar a decisão mesmo sem um elenco brilhante.

Ainda que o título não venha, ter voltado à decisão com um grupo jovem, cheio de pratas da casa e sem depender de medalhões e grandes investimentos, aponta uma alternativa válida não somente para os Tuzos, mas para boa parte do futebol azteca, acostumado a investir grande parte do orçamento disponível em contratações de estrangeiros ou repatriados em decadência. Mesmo o León, em busca do bicampeonato e adversário na final, é um exemplo de como a força coletiva e bons valores pescados no futebol local podem ser as bases para um time campeão. Ver esse modelo aplicado (com sucesso) em um clube acostumado a abrir os cofres é uma ótima notícia para a Liga MX.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo das semifinais do Clausura: William Yarbrough (León); Rodolfo Pizarro (Pachuca), Rafa Márquez (León), Hugo Isaác Rodríguez (Pachuca) e Edwin Hernández (León); Luis Montes (León), Diego de Buen (Pachuca), Carlos Peña (León), Jürgen Damm  (Pachuca) e Hirving Lozano (Pachuca); Enner Valencia (Pachuca); T: Gustavo Matosas (León);

- Depois de empates nas duas partidas da decisão (0×0 em Zapopan e 1×1 em Guadalajara), os Leones Negros da Universidad de Guadalajara superaram seus rivais estaduais do Estudiantes Tecos na Final de Ascenso e garantiram vaga na Liga MX da próxima temporada, voltando à elite do futebol azteca depois de 20 anos;

- Sem muitas surpresas, Herrera divulgou na última sexta-feira a lista de 23 convocados para o Mundial no Brasil: Jesús Corona (Cruz Azul), Guillermo Ochoa (Ajaccio-FRA) e Alfredo Talavera (Toluca); Paul Aguilar (América), Miguel Layún (América), Francisco Rodríguez (América), Rafael Márquez (León), Héctor Moreno (Espanyol-ESP), Andrés Guardado (Bayern Leverkusen-ALE), Diego Reyes (Porto-POR) e Carlos Salcido (Tigres UANL); Carlos Peña (León), Luis Montes (León), Juan Carlos Medina (América), Héctor Herrera (Porto-POR), Isaac Brizuela (Toluca), José Jan Vázquez (León) e Marco Fabián (Cruz Azul); Oribe Peralta (Santos Laguna), Javier Hernández (Manchester United-ING), Raúl Jiménez (América), Giovani Dos Santos (Villarreal-ESP) e Alan Pulido (Tigres UANL);

Costa Rica

- Após um empate sem gols no duelo de ida, o Saprissa contou com um tento solitário do meia Hansell Arauz para bater a rival Alajuelense e conquistar o Campeonato de Verano depois de um hiato de sete torneios. De quebra, os Morados isolaram-se na liderança da lista dos maiores vencedores da Primera División, com 30 títulos, um a mais que o clube de Alajuela;

El Salvador

- Após passar pelo Santa Tecla nos playoffs pela quarta vaga, o Dragons bateu o líder da fase regular FAS na partida de ida das semifinais e agora jogará por um empate em Santa Ana para avançar à decisão. Na outra perna da disputa, Juventud Independiente e Isidro Metapán ficaram no empate por 2×2 e decidem a vaga em Metapán, sendo que o clube da casa, atual campeão nacional, tem a vantagem da igualdade;

Guatemala

- Em busca do tetracampeonato consecutivo, o Comunicaciones terá um obstáculo de peso na decisão da Liga Nacional. Depois de superar o Xelajú com duas vitórias na semifinal, os Cremas farão a final do Clausura contra seu arquirrival Municipal, dono do maior número de taças da competição e que superou o líder da primeira fase, Heredia, com dois empates. A série decisiva do “Clásico Nacional” começa na quarta-feira;

Panamá

- Depois de surpreender o líder da fase regular com um imponente 3×0 no duelo de ida das semifinais, o modesto Río Abajo venceu também o jogo da volta e, mesmo rebaixado, fará a decisão da Liga Panamenha, podendo de forma inusitada ser campeão e relegado no mesmo torneio. O rival na final do Clausura será o Chorrillo, que após dois empates no “Clásico del Pueblo”, bateu o rival Plaza Amador nos pênaltis e segue em busca de seu segundo título;

Nicarágua

- Com dois gols do veterano atacante Samuel Wilson, o Real Estelí bateu o Diriangén na primeira partida da final e manteve a vantagem do “Trem do Norte”, que segue em busca de seu heptacampeonato consecutivo da Liga Nacional. Maior campeão da Primera División, o Cacique terá de vencer fora de casa se quiser pôr fim a fila de 8 anos (e 12 campeonatos);

Jamaica

- Waterhouse, Harbour View, Montego Bay e Arnett Gardens são os quatro clubes classificados para as semifinais da National Premier League, que começam nessa semana. Duas vezes campeão nacional e líder da primeira fase, o “Fire-House” enfrenta o Arnett, enquanto o atual campeão Harbour View pega o Seba. Cinco vezes campeão da Red Stripe Premier League e um dos maiores clubes do país, o Portmore terminou a fase regular na penúltima posição e se juntará ao também tradicional Santos na segunda divisão jamaicana na próxima temporada;

Trinidad & Tobago

- Com um imponente 4×1 na casa do adversário, o W Connection venceu o duelo de líderes frente ao atual campeão Defence Force e voltou a abrir vantagem na ponta da TT Pro League, com 49 pontos em 23 jogos, quatro a frente dos “Teteron Boys”. Após um empate sem gols em visita ao terceiro colocado Central, o San Juan Jabloteh segue na vice-lanterna, com apenas 13 pontos;

Cuba

- Um triunfo sobre o Camagüey manteve o Ciego de Ávila com folga na liderança do Campeonato Nacional, somando 32 pontos em 14 partidas. Atual tricampeão, o Villa Clara goleou o Cienfuegos por 5×0, com quatro gols do jovem Arichel Hernández, destaque cubano na última edição do torneio sub-20 da Concacaf, e segue na perseguição aos ponteiros, com 28, enquanto o tradicional Pinar del Río perdeu mais uma, dessa vez para o Holguín, e continua firma em seu caminho rumo ao rebaixamento, na lanterna, com 7 pontos;

Haiti

- Depois de uma goleada implacável sobre o Racine Gros-Morne por 8×1 e um empate sem gols frente ao Don Bosco, o America des Cayes segue na ponta da Digicel Première Division, com 20 pontos em 9 rodadas. O Baltimore bateu o Racing des Gônaïves e assumiu a vice-liderança, com 16. Atual campeão, o Mirebalais venceu o Cavaly e é o oitavo, com 11 pontos.