O presidente do Comitê Organizador Local e da Confederação Brasileira de Futebol é José Maria Marin. A chefe de estado do Brasil é Dilma Rousseff. O principal executivo da Fifa é Joseph Blatter. Mas quem manda na Copa do Mundo de 2014 não é nenhum deles. Para proteger ou simplesmente fazer um mimo, aceita-se de tudo que os patrocinadores pedem.

A última história é a proibição de instrumentos musicais nos estádios da Copa do Mundo. Não que isso seja novidade porque na Copa das Confederações já foi assim. Uma reportagem do Portal IG, porém, contou que essa medida foi tomada para agradar uma das patrocinadoras da Fifa, pois a entidade não quer que o barulho distraia os torcedores dos auto falantes e telões nos estádios. A explicação oficial é que “não é necessário porque os brasileiros são lindos, maravilhosos, alegres, supimpas e criam um clima fantástico sem precisar de instrumentos”.

Sejamos justos com a Fifa e coloquemos outras entidades tão chatas quanto ela nesse balaio. A Uefa chegou a proibir que um sexteto inglês de Sheffield tocasse na Eurocopa de 2012, mas voltou atrás após intervenção da Federação Inglesa. Na Olimpíada de 2008, na China, eles também não puderam entrar no Ninho do Pássaro e ficaram nas ruas.

Os hóspedes do hotel que recebe as delegações para o sorteio da próxima sexta-feira também foram privados de exercer livre arbítrio. Podem tomar apenas a cerveja da patrocinadora e não podem beber água de coco, porque nenhuma parceira da Fifa vende esse produto. Ainda bem que ela tem contrato com uma empresa que produz papel higiênico.

Houve também, na época da Copa das Confederações, algumas proibições meio místicas que não foram em frente, como impedir as festas juninas. Outras, como a do acarajé, foram revertidas. Ironicamente, a lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos estádios foi revogada porque o poder soberano nos países durante a Copa do Mundo pertence aos patrocinadores, sejam eles coerentes ou não. Mesmo assim, há restrições para tudo durante os eventos da Fifa, talvez porque nenhuma das suas parceiras comercialize liberdade de escolha.