CUIABÁ – Se um dia alguém disser que governos não fazem muita diferença na vida das pessoas, pergunte a um morador de Cuiabá o que aconteceu por aqui durante a Copa do Mundo de 2014. A capital de um dos Estados mais ricos do país está com obras por todos os lados e isso, claro, tira um bocado do ânimo para comemorar o Mundial. É duro ser feliz quando a roda do seu carro estoura por causa da enorme quantidade de buracos nas ruas.

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Cheguei a Cuiabá no domingo à tarde. A cidade ainda estava atônita com a passagem dos chilenos por aqui, que vieram assistir ao jogo entre a seleção deles e a Austrália. Eles chegaram em milhares à capital do Mato Grosso e animaram substancialmente a cidade. Os bares da Praça Popular, uma das mais importantes, ficaram sem cerveja – chilenos beberam qualquer coisa que pudesse virar álcool por aqui. Mas, na medida em que os devotos de Valdívia foram indo embora, um clima meio acabrunhado voltou a tomar conta do município.

Quem disse que a Coreia do Sul só vive de Gangnam Style?

Os russos que estão em Cuiabá para ver o jogo contra a Coreia do Sul ainda não honraram a tradição de picardia, muitas vezes involuntária, que acompanha a Mãe Rússia por todos os lados. Ainda não beberam caipirinha em doses a la Boris Yeltsin. Talvez eles estejam cansados. Ontem, encontrei com um sujeito que veio da Sibéria para Cuiabá, provavelmente uma das conexões aéreas mais improváveis já imaginadas pelo homem. Ele foi da Sibéria para Moscou, de Moscou para Madrid, de Madrid para São Paulo e de São Paulo para Cuiabá. Foram 23 horas de viagem. Convenhamos, e difícil ser feliz depois dessa viagem toda. Para se recuperar, ele estava comendo um delicioso peixe cuiabano e bebendo cerveja, tudo muito bem comportado. Aliás, vale dizer: uma das formas da felicidade é um peixe cuiabano ao forno. Enfim, fecha parênteses.

É isso que nós esperamos dos russos. Nada menos. 

Os coreanos também estão calmos. A maior parte deles veio de São Paulo, onde a colônia é muito forte (e não apenas nas lojas de eletrônicos da avenida Paulista), e do Paraguai. Era mais fácil falar com coreanos em espanhol do que em inglês. Porém, um cantor muito popular na Coreia do Sul, presença fácil nos programas de TV do país, quer romper a calmaria.

Kim Heung Kook, de 55 anos, é uma estrela da música popular da Coreia do Sul. Fez muito sucesso nos anos 80, com uma música sobre borboletas, e hoje é estrela de TV e animador oficial da torcida coreana nas Copas do Mundo. Considerado uma espécie de jogador honorário da equipe, ele acompanha a seleção desde a Copa de 1990, na Itália.

Restaurante em Cuiabá

Restaurante coloca bandeiras de Rússia e Coréia do Sul para receber os visitantes (Foto: Leandro Beguoci)

Para o mundial do Brasil, preparou uma canção especial – “Samba World Cup” – e toda a picardia que houver nessa vida. Mas, ao chegar a Cuiabá, ficou um pouco decepcionado com a falta de gente nas ruas, música e festa.“Quero ver os brasileiros cantando com a gente”, disse ele. “Se a Coreia do Sul ganhar, vou beber e cantar na Praça Popular. Vamos animar a cidade!”, prometeu.

E, para atrair os brasileiros para o jogo, ele se dispôs até a cantar um trechinho de “Cabeça de Boi”, um espécie de hino informal de Cuiabá, no vídeo. Como esta vem sendo a Copa do improvável, vai que os coreanos conseguem driblar os buracos e animar a capital de Mato Grosso? Ia ser interessante.

Onde está a galhardia russa?

Russos ainda não mostraram a galhardia que lhes consagrou no mundo (Foto: Leandro Beguoci)

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