O Rangers passou por maus bocados nos últimos dois anos. Crise financeira gravíssima, falência decretada, dívidas crescentes, queda para a quarta divisão do Campeonato Escocês. Ainda assim, o clube não perdeu o apoio de seus torcedores em nenhum momento. Mesmo disputando uma liga semiamadora, os Gers continuaram enchendo as arquibancadas do Estádio Ibrox, quebrando recordes de públicos nas divisões inferiores. E esse laço deve aumentar ainda mais nos próximos dias. Parte da torcida quer se tornar sócia do Rangers.

A decisão foi tomada diante do rombo que se amplia, mesmo com o clube sob intervenção administrativa. Recentemente, a direção anunciou perdas de £ 14,4 milhões, de maio de 2012 a junho de 2013. Descontentes com a situação, os torcedores querem tomar para si a responsabilidade de gerir os Rangers. O esquema, aliás, é inspirado no Hearts, que tem 78,97% de suas ações em posse da torcida. O clube de Edimburgo também entrou em concordata, mas teve suas finanças aliviadas por 7,5 mil fãs, que passaram a contribuir com doações mensais.

A ideia dos torcedores do Rangers é juntar 25 mil pessoas, que possam ajudar com £ 20 mensais. Assim, o grupo poderia juntar £ 4,8 milhões em um ano e comprar 25% das ações do clube, permitindo também que tomassem parte nos processos decisórios. Atualmente, o torcedor que quiser pode comprar as ações do clube, mas com um investimento mínimo de £ 500. A ação conjunta tenta tornar esse preço mais acessível a todos.

“Aceitamos nos reunir no final desse mês para discutir diferentes modelos de administração. É uma grande oportunidade para os fãs investirem juntos e terem uma posição importante no futuro do clube”, declarou Gordon Dinnie, presidente do Rangers Supporters Trust. “O dinheiro fortalece nossa voz. Essa campanha espera refletir o senso de unidade evidente nos últimos meses. Nenhum torcedor precisa ser lembrado dos erros dos últimos donos e a gestão dos torcedores é uma tentativa honesta de garantir o fim do trauma dos últimos anos às gerações futuras. Nossas vozes serão ouvidas nas arquibancadas e também dentro do clube”.

O projeto parece muito bem vindo. Botar ordem nas contas é uma necessidade urgente, por mais que a situação em campo esteja boa – o clube lidera a terceira divisão escocesa com 22 vitórias e um empate em 23 rodadas. Solucionar a questão financeira é evitar novas dores de cabeça em um futuro próximo. E a paixão, por mais que também possa cegar, tende a ser um caminho mais seguro de administração. A busca por alternativas que envolvam mais os próprios torcedores e que arrisquem menos o clube deverão ser comuns, bem como a compreensão com as decisões será maior.

Se alcançou tamanha grandeza em 142 anos de história, o Rangers deve muito a sua torcida. E a compra das ações seria apenas um passo formal para que os fãs tomassem parte dos processos internos, depois de tanto apoiarem o clube apenas nas arquibancadas.