Os jogos fora de casa costumam ter um significado grande para os visitantes na Libertadores. Não é uma questão apenas de jogar em um estádio lotado com a torcida adversária. Há o clima hostil, os caldeirões, as viagens longas, as particularidades da região. Nesta quarta, o Botafogo enfrentou tudo isso, e o péssimo gramado, assim como a altitude em Sangolquí. No entanto, por mais que o ambiente tenha dificultado a vida, uma das principais razões da primeira derrota na fase de grupos estava dentro dos próprios alvinegros. A falta de controle foi fundamental para o triunfo do Independiente del Valle por 2 a 1.

A qualidade dos adversários foi sentida pelo Botafogo no primeiro tempo. Os equatorianos ameaçavam bastante a meta de Jefferson e abriram o placar aos 26 minutos, em belo tiro de Christian Núñez. O que não derrubou os cariocas, que conseguiram se refazer no segundo tempo. Diante do campo impraticável, a insistência nas bolas paradas de Jorge Wagner era mesmo uma boa alternativa. E se transformou no empate aos 14 minutos da segunda etapa, em escanteio que Bolívar completou para as redes, após desvio de Dória. A igualdade não era um mau resultado, mas a virada também era possível para os alvinegros.

Isso até os 30 minutos. Bolívar, um dos jogadores mais experientes do grupo, capitão em título de Libertadores, foi capaz de um lance juvenil. Deu uma entrada dura em um adversário e, como já tinha cartão amarelo, acabou expulso. Mas não parou por aí. Os botafoguenses se revoltaram com a decisão do árbitro e pioraram a situação. De tanto reclamar, Edílson também recebeu o vermelho. Com nove homens, o empate se tornaria uma vitória para os visitantes. Não deu. Com uma liberdade em muito possibilitada pelas expulsões, Junior Sornoza arriscou o chute do meio da rua e não deu chances para Jefferson.

Não dá para prever qual o resultado do jogo se o Botafogo se mantivesse com 11 jogadores em campo, ou pelo menos 10. O fato é que não se pode dar um mole desses na Libertadores. Em uma competição na qual as condições costumam ser tão adversas, jogar com dois a menos foi a chave para o fracasso. Por sorte, os alvinegros têm tempo para recuperar. Mesmo com a derrota, seguem líderes no embolado Grupo 2, com os mesmos quatro pontos de San Lorenzo Independiente del Valle, mas dois jogos em casa. O episódio é simbólico para os botafoguenses aprenderem desde já que, por maior que seja a pressão, precisam ter os nervos no lugar na Libertadores. Neste ponto, a falta de tarimba recente na competição continental não pode atrapalhar.

Abaixo, o lance das duas expulsões do Botafogo:

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