Nada indica uma conspiração especial dos astros em 3 de março. Mas o fato é que quatro jogadores que marcaram época no futebol mundial nasceram neste mesmo dia, em anos diferentes. Nándor Hidegkuti, o cérebro tático dos Mágicos Magiares. Zbigniew Boniek, considerado por muitos o melhor jogador polonês da história. Dragan Stojkovic, o último ídolo da Iugoslávia dilacerada. E Zico. O camisa 10 completa 61 anos nesta segunda, com a honra de ser o maior expoente entre tantos gênios do futebol.

Particularmente, Zico me suscita duas perguntas. A primeira não se aplica só a ele, mas talvez só Pelé permita algo parecido no futebol brasileiro: alguém conseguirá superar, em um futuro distante que seja, a idolatria do Galinho no Flamengo? Alguns rubro-negros chamam o 3 de março de ‘Natal’, tamanha a devoção pelo craque. O gênio, o prata da casa, o supercampeão: três elementos que, separadamente, já fazem um ídolo. Juntos, formam um deus, como é Zico na Gávea.

A outra pergunta certamente já passou pela cabeça de vários: qual seria o tamanho de Zico se tivesse vencido uma Copa do Mundo? O respeito, que já é gigantesco, tenderia a aumentar ainda mais com um título de tamanha expressão. Ainda que a seleção de 1982, mesmo derrotada pela Itália, seja tão valorizada por muita gente justamente por não ter triunfado. Algo que também poderia se aplicar, em proporções menores, se tivesse uma passagem mais expressiva pelo futebol italiano.

Em um dia tão especial, Zico terá seu maior presente na Sapucaí. Será o homenageado no samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense. Nossa homenagem é bem mais simples. Relembra todos os seus lances na vitória mais importante de sua carreira, os 3 a 0 sobre o Liverpool no Mundial Interclubes de 1981: