Os clubes holandeses seguem empolgados no trabalho da pré-temporada. O Ajax já está em Belek, na Turquia, onde encerrará os trabalhos num torneio amistoso (nesta sexta, enfrenta o Galatasaray, e o vencedor pega Celtic ou Trabzonspor). Treinando em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, o Vitesse já venceu o Wolfsburg (3 a 2), e enfrentará ainda o Hamburg, nesta sexta. Ficando na Holanda mesmo, o Twente superou o Osnabrück, da Alemanha, por 2 a 1, no único jogo previsto para sua intertemporada. O Feyenoord fica em Marbella, no mediterrâneo espanhol, até o domingo – não sem antes enfrentar o Basel, neste sábado.

Enquanto isso, as contratações seguem relativamente tímidas. De válidas, mesmo, só duas negociações. Uma, a saída de Magnus Wolff Eikrem, constantemente utilizado no Heerenveen, para o Cardiff City – transação influenciada pela chegada de Ole Gunnar Solskjaer, técnico que já comandou o compatriota nos juniores do Manchester United e no Molde-NOR. A outra veio com o empréstimo de Zakaria Labyad, decepcionante no Sporting-POR, ao Vitesse. Sendo assim, melhor nem perder tempo e mostrar logo a segunda metade da análise de meio de temporada do Campeonato Holandês, com a parte de baixo da tabela.

Go Ahead Eagles

Posição: 10º lugar, com 23 pontos em 18 jogos
Técnico: Foeke Booy
Time-base: Room; Schmidt, Vriends, Van der Linden e Schenk; Türüç, Overgoor e Rijsdijk (Lambooij); Antonia, Falkenburg e Houtkoop
Artilheiro: Erik Falkenburg (7 gols)
Destaque: Erik Falkenburg (ponta-de-lança)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Não se pode dizer que o objetivo foi atingido. Mas o GAE conseguiu melhorar na metade final do turno, e está aliviado, por enquanto.

O Go Ahead Eagles podia até atrair muita simpatia aqui no Brasil, pelo nome pitoresco. Mas era difícil arranjar um desempenho que permitisse um respiro na luta para não retornar à Eerste Divisie. Pois bem: a equipe continua num nível de mediano para baixo. Mas não se pode dizer que ela se entregará sem luta. Se tem desempenho ruim diante dos ponteiros – destacando-se a goleada sofrida para o Ajax, por 6 a 0 -, consegue melhorar o nível diante dos times iguais a ele.

Tanto que o Orgulho do Ijssel conseguiu terminar a primeira parte da temporada 2013/14 na 10ª posição graças às vitórias sobre Utrecht (2 a 1, na 18ª rodada) e Zwolle (4 a 1, 16ª rodada). E o técnico Foeke Booy realizou uma mudança que aumentou o poder do ataque, ao mandar Falkenburg, antes armador, para o ataque. Bastou para trazer mais técnica à finalização, já que Deniz Türüc e Sjoerd Overgoor podiam cuidar das coisas no meio. Enfim, o Go Ahead Eagles mantém esperanças de ficar na elite. Basta seguir o bom desempenho contra os adversários de calibre igual ao dele.

Zwolle

Posição: 11ª posição, com 22 pontos em 18 jogos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Técnico: Ron Jans
Time-base: Boer; Lachman, Achenteh, Broerse e Van Hintum; Gravenbeek, Klich e Mokotjo; Saymak, Benson e Fernandez
Artilheiro: Fred Benson (5 gols)
Destaque: Mateusz Klich (meio-campista)
Objetivo do início: Tentar escapar do rebaixamento, mesmo após as perdas. Conseguindo distanciar-se da zona de queda, ficar no meio da tabela
Avaliação: O começo foi muito bom, mas os Dedos Azuis caíram velozmente. Estão em posição relativamente segura, mas precisam se controlar para não despencar de vez.

Parecia um sonho. Mas era a realidade: com cinco rodadas, o Zwolle não só ocupava a liderança do Campeonato Holandês, como o fazia de maneira invicta, com quatro vitórias e um empate. Além disso, o time aparentava a organização típica dos times de Ron Jans, com um meio-campo que conseguia marcar os times de modo leal e um ataque veloz, com um finalizador confiável em Fred Benson. Claro, não podia durar para sempre, até pela qualidade limitada dos Dedos Azuis. E derrotas para Ajax e Vitesse acabaram com a invencibilidade.

Que o Zwolle caísse, era até esperado. Entretanto, a queda veio perigosamente: a última vez que o time ganhou foi na 10ª rodada, quando aplicou 6 a 1 no ADO Den Haag. Depois, quatro empates e quatro derrotas – destas, três nas últimas três rodadas. Algo até injusto, para um time que demonstra certo talento no meio-campo, com o polonês Klich. Mas é verdade também que a defesa passou a apresentar fragilidades. Que devem ser controladas, para que a queda do Zwolle não continue no returno e o sonho do início não vire pesadelo.

NAC Breda

Posição: 12ª posição, com 22 pontos em 18 jogos
Técnico: Nebojsa Gudelj
Time-base: Ten Rouwelaar; De Roover, Drost, Kwakman e Van der Weg; Seuntjens, Hadouir e Buijs; Sarpong (Poepon), Perica e Lurling
Artilheiro: Rydell Poepon (5 gols)
Destaque: Stipe Perica (atacante)
Objetivo do início: Ficar no meio da tabela, sem correr riscos de rebaixamento
Avaliação: Todo cuidado continua sendo pouco. Mas o NAC Breda fez boas contratações e parece pronto para viver uma temporada menos dura.

A posição em que o NAC Breda está na tabela não é para se relaxar: o 12º lugar não está tão longe assim da zona de rebaixamento/repescagem. E a situação financeira do clube também é preocupante: vez por outra, a ameaça de falência bate à porta. Pelo menos, este perigo diminuiu, por ora. A prefeitura de Breda diminuiu o valor do aluguel do estádio Rat Verlegh e gastará 250 mil euros para ajudar o clube, o que deverá dar um respiro nas contas dos aurinegros, por mais que a federação tenha colocado o clube na categoria 1, entre os mais endividados.

Mas falando estritamente de futebol, a posição ainda inspira cuidados. Só que algumas contratações que o clube fez ajudaram bastante na campanha menos sofrida. No ataque, por exemplo, Jeffrey Sarpong trouxe mais velocidade, enquanto o croata Stipe Perica mostra ser bom nas finalizações, trazendo concorrência a Poepon. Com veteranos como Lurling e Ten Rouwelaar ainda confiáveis, o NAC tem boas condições de afastar o perigo do rebaixamento.

Heracles Almelo

Posição: 13º posição, com 22 pontos em 18 jogos
Técnico: Jan de Jonge
Time-base: Pasveer; Te Wierik, Schenkeveld, Veldmate e Davidson; Bel Hassani (Quansah), Rienstra e Cziommer (Bruns); Rosheuvel, Uth (Amoah) e Linssen
Artilheiro: Bryan Linssen (5 gols)
Destaque: Ben Rienstra (zagueiro/volante)
Objetivo do início: Ficar no meio da tabela
Avaliação: O objetivo ainda pode ser alcançado, mas o time andou irregular. É ver se a mudança tática vai melhorar a situação – já melhorou no fim do turno.

O clube de Almelo também não parece ser daqueles marcados para cair. Tem um nível mediano, e isso parece o suficiente para ficar na Eredivisie. Ainda assim, a saída de Willie Overtoom, de fato, enfraqueceu a armação das jogadas para o ataque. E na defesa, o goleiro Remko Pasveer continua trazendo pouca segurança. Até com a bola nos pés: errou 500 passes em 2013, 142 a mais do que o segundo jogador do Campeonato Holandês a errar mais passes.

Com a timidez na armação da jogada, os atacantes eram forçados a voltar mais para pegar as jogadas, o que até aumentou o destaque de Mikhail Rosheuvel e, principalmente, Bryan Linssen. Até que Jan de Jonge fez mudanças no time: deslocou o seguro Ben Rienstra para o meio, como volante, e colocou um armador a mais, Simon Cziommer, para ajudar Ibrahim Bel Hassani. No ataque, Mark Uth, o finalizador, caiu em má fase e deu lugar ao experiente Matthew Amoah. Resultado: quatro jogos sem perder, no fim do turno (duas vitórias e dois empates). Se a melhora continuar, os Almeloers podem garantir rapidamente o alívio.

RKC Waalwijk

Posição: 14º colocado, com 18 pontos em 18 jogos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Técnico: Erwin Koeman
Time-base: Seda; Apau, Gouano, Van Hoevelen e Amieux; Duits, Sno e Braber; Castelen, Joachim e Schet
Artilheiro: Sander Duits (5 gols)
Destaque: Jan Seda (goleiro)
Objetivo do início: Escapar do rebaixamento
Avaliação: Por enquanto, os Católicos conseguem evitar uma queda maior. Mas o time precisa melhorar o quanto antes para afastar o perigo.

Até que o RKC conseguiu se recompor das perdas no mercado de transferências para a temporada 2013/14. Se Zoet retornou ao PSV, o tcheco Jan Seda emplacou (fez 90 defesas até a 16ª rodada, mais do que o antecessor fizera em toda a temporada anterior) e deve ser contratado em definitivo. Cedido pela Atalanta, por empréstimo, o francês Prince-Désir Gouano também foi boa revelação na zaga. Finalmente, no ataque, o luxemburguês Aurélien Joachim faz o que pode.

Mas… não é tudo. O RKC se mostrou uma equipe defensiva demais no primeiro turno. Às vezes, deu certo, como no 0 a 0 contra o Ajax em plena Amsterdam Arena, quando Seda teve ótima atuação. Mas o mais frequente é ver os Católicos sofrendo com a ameaça dos ataques adversários. Claro, o clube procura modos de minorar o sofrimento. Um deles foi a volta de Evander Sno, que deverá fortalecer o meio-campo em sua parte ofensiva. A sequência de cinco jogos sem derrota – inclua-se aí um empate com o Twente e uma vitória contra o Feyenoord – serve de ânimo para seguir na luta.

Roda JC

Posição: 15º colocado, com 18 pontos em 18 jogos
Técnico: Ruud Brood (até a 17ª rodada), Rick Plum/Regilio Vrede (interinos, apenas na 18ª rodada)
Time-base: Kurto; Dijkhuizen, Biemans, Luijckx e Van Peppen; Kali, Pluim, Donald, Fledderus e Hupperts; Németh
Artilheiro: Krisztián Németh (7 gols)
Destaque: Krisztián Németh (atacante)
Objetivo do início: Ficar no meio da tabela
Avaliação: O ataque até mostra talentos, só que a fragilidade da defesa levou o Roda a uma situação difícil. A intertemporada foi período de mudanças

Como falar que um time possuidor de uma boa vitória sobre o PSV (2 a 1, de virada) é ruim? E como foi penosa a derrota para o Ajax (outro 2 a 1 de virada), sofrida nos últimos três minutos de jogo! Pois é: de fato, o Roda não era time para estar nessa situação. A equipe de Kerkrade mostra um meio-campo que até desempenha bem o seu papel ofensivo, com Mark-Jan Fledderus e Guus Hupperts fazendo as jogadas que Krisztián Németh finaliza bem. Aliás, o húngaro até merecia uma transferência para um clube médio, seja da Holanda, seja de um centro maior do futebol europeu. Mas… todos os citados são jogadores de ataque. E é preciso cuidar da defesa para fazer uma boa campanha.

Coisa que o Roda não fez: é o segundo time mais vazado do campeonato, com 41 gols, junto do Go Ahead Eagles, só mais seguro do que o lanterna NEC. Até o volante Kees Luijckx foi recuado para a zaga, mas nada ajuda, a começar pelo goleiro Filip Kurto, de altamente instável. O golpe final foi a derrota por 4 a 3 para o NEC, após chegar a vencer por 2 a 0, na 17ª rodada. Ruud Brood caiu, e não aproveitará os eventuais benefícios que o fortalecimento do meio-campo possa trazer. No returno, restará ao ex-jogador Jon Dahl Tomasson, tirado do Excelsior (segunda divisão), pensar algo que possa ajudar a defesa, em sua primeira experiência mais exigente como técnico.

ADO Den Haag

Posição: 16º colocado, com 17 pontos em 18 jogos
Técnico: Maurice Steijn
Time-base: Coutinho; Zuiverloon, Wormgoor, Beugelsdijk e Meijers; Malone, Van Haaren e Gehrt; Kramer, Van Duinen e Gouriye
Artilheiro: Mike van Duinen e Matthias Gehrt (5 gols)
Destaque: Mike van Duinen (atacante)
Objetivo do início: Vaga na Liga Europa, pelos playoffs
Avaliação: Não só o objetivo dificilmente será alcançado, como o ADO precisa se reestruturar para minorar o perigo da repescagem contra o rebaixamento.

A coluna pensava que as contratações iriam manter o ADO Den Haag com uma equipe média o suficiente para se manter no meio da tabela. Quem sabe, até, brigar por vaga nos play-offs por vaga na Liga Europa, que era o máximo a que o time de Haia poderia aspirar. Um grande erro. A equipe revelou-se muito fraca na atual temporada, por causa de um esquema tático desequilibrado. Por exemplo: pela direita, o lateral Zuiverloon e o volante Mahone são muito defensivos. Já na esquerda, o problema é o excessivo ofensivismo de Aaron Meijers e Matthias Gehrt – Gehrt, inclusive, é escalado no ataque, algumas vezes.

Há aqui e ali alguns jogadores que se mantêm sólidos. Como o goleiro Coutinho e o zagueiro Beugelsdijk, que dão alguma segurança no miolo de zaga. Mas o protagonista é Mike van Duinen, que era promessa, mas virou realidade até pela necessidade que o ADO Den Haag tem de alguém que ajude no ataque. Pelo menos, o técnico Maurice Steijn, antes reticente quanto a reforços, já sabe que a diretoria procura o empréstimo de Donny Gorter, encostado no AZ, para ampliar a segurança no meio-campo. De outro modo, ele sabe que sua permanência no clube onde está desde 2011 corre risco. Como a permanência do ADO Den Haag na Eredivisie.

Cambuur

Posição: 17º colocado, com 16 pontos em 18 jogos
Técnico: Dwight Lodeweges
Time-base: Nienhuis; Droste, Leeuwin, Van der Laan e Bijker; Van Moorsel (Van Brakel), El Makrini e Bakker; Hemmen, Lukoki e Ritzmaier
Artilheiro: Michiel Hemmen (7 gols)
Destaque: Michiel Hemmen (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Será dificílimo sair das últimas posições. O time é fraco, e não deverá ganhar muita coisa com os reforços pretendidos

No guia que preparou para a temporada, a revista “ELF Voetbal” fez uma enquete a 18 grandes símbolos dos clubes que disputariam o Campeonato Holandês. Perguntou a eles quem seria o campeão e o clube rebaixado diretamente. Pois bem: o Cambuur foi apontado pela maioria como a equipe marcada para ir à Eerste Divisie. Ninguém esperava que a decadência do NEC Nijmegen fosse tamanha, claro. Mas o clube de Leeuwarden não está tão longe assim de “preencher as expectativas”.

Tecnicamente, a equipe é fraca. Não há jogadores que se destaquem. Mesmo no ataque, onde Michiel Hemmen faz o que pode, a equipe tentou contratar reforços. Busca até agora Anco Jansen, do De Graafschap, mas já perdeu um desejado: Adnane Tighadouini, sem oportunidades no Vitesse, foi emprestado ao NAC Breda. De resto, o que há é uma equipe de nível baixo, que só está na frente do NEC exatamente por ter vencido os Nijmegenaren, na 14ª rodada. Mas que deve esperar, no mínimo, a repescagem contra o rebaixamento.

NEC

Posição: 18ª posição, com 15 pontos em 18 jogos
Técnico: Alex Pastoor (até a 2ª rodada), Ron de Groot/Wilfried Brookhuis (interinos, na 3ª rodada) e Anton Janssen (desde a 4ª rodada)
Time-base: Johnsson; Vermijl, Van Eijden, Pálsson e Leiwakabessy; Mulder, Koolwijk e Conboy; Hemlein (Jahanbakhsh), Higdon e Jantscher
Artilheiro: Michael Higdon (6 gols)
Destaque: Michael Higdon (atacante)
Objetivo do início: Ficar no meio da tabela, entrando nos play-offs por vaga na Liga Europa
Avaliação: A queda veloz no final da temporada 2012/13 continuou, e o clube sofre para se recuperar. Pode até sair da lanterna, mas será com muito sofrimento.

Na temporada passada, o NEC estava até na disputa de uma vaga nos play-offs da Liga Europa, que envolvem do 5º ao 8º colocado. Mas as últimas rodadas foram terríveis: passando dez jogos sem vitória, os Nijmegenaren caíram para a 15ª posição, e viram a zona do rebaixamento chegar desnecessariamente perto. O Campeonato Holandês 2013/14 deveria ser melhor. Mas não foi: duas partidas, duas derrotas, e o técnico Alex Pastoor, remanescente de 2012/13, foi demitido. Anton Janssen chegou, e desde então tenta organizar a equipe.

Parece difícil, já que o time está abatido. Mas já há mostras de esperança. O ataque está mais organizado: enquanto Michael Higdon assume o papel de finalizador que era esperado, Alireza Jahanbakhsh mostra velocidade. Na defesa, o lateral belga Marnick Vermijl já virou titular e ganha cancha suficiente para retornar aos juniores do Manchester United. E vitórias contra AZ e Roda JC levam o time à acreditar que uma reação é possível. Ela até é. Mas, pelo baixo nível e pela continuidade da brusca queda, dá para crer que não virá sem sofrimento.