Em termos de emoção, a rodada das Eliminatórias Sul-Americanas foi excelente. O Equador não tem mais chances de se classificar à Copa do Mundo, mas restam seis seleções vivíssimas na briga pelas últimas quatro vagas. Só um desastre tirará o Uruguai da Rússia. Enquanto isso, a briga de foice prevalece no resto da tabela. Não apenas pelo empate do Peru na visita à Argentina, mas também pelas vitórias heroicas de Chile e Paraguai – ou, neste último caso, pela derrapada inadmissível da Colômbia. Enquanto os chilenos reagiram rapidamente ao possível tropeço em Santiago, com o triunfo por 2 a 1, os paraguaios arrancaram uma virada milagrosa em Barranquilla, já nos minutos finais, também por 2 a 1. Vão para a rodada final alimentando as suas esperanças.

No Estádio Monumental David Arellano, o Chile precisava cumprir a sua parte. Pegava um Equador em crise, já desenganado sobre as suas chances de ir ao Mundial, cheio de novatos. E uma das apostas de Juan Antonio Pizzi foi Jorge Valdívia, ídolo da casa, dando apoio a Eduardo Vargas e Alexis Sánchez no ataque. Deu certo. Depois de um passe de calcanhar errado do Mago, que Alexis recuperou, o armador cruzou para Vargas abrir o placar aos 22 minutos. A Roja tinha mais posse de bola e criava mais chances, mas tomou um susto tremendo aos 38 do segundo tempo. Depois de uma bola longa vinda da defesa, Roberto Ordóñez fez a jogada e cruzou para Romario Ibarra completar. O alívio chileno, ao menos, aconteceu instantes depois. Com o gol escancarado, após defesa de Banguera, Alexis Sánchez marcou o segundo tento dos anfitriões e confirmou os três pontos.

O pior aconteceria com a Colômbia. Empurrados pela multidão no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, os Cafeteros chegaram a estar matematicamente classificados à Copa do Mundo ao longo de dez minutos. Embora o Paraguai tivesse acertado a trave no primeiro tempo e desse seus sustos, a pressão maior era colombiana. O goleiro Anthony Silva ia se consagrando, com uma série de grandes defesas. Aos 34 do segundo tempo, porém, veio o gol que carimbaria os passaportes dos anfitriões. Yimmi Chará lançou Radamel Falcao García, que se encarregou de balançar as redes, chutando com sutileza na saída do goleiro. O problema é que os colombianos relaxaram. Permitiram o empate aos 44, em saída errada de David Ospina, com a sobra ficando para Óscar Cardozo fuzilar. Já aos 46, depois de uma grande chance perdida por Santiago Arias, os guaranis armaram o contra-ataque. Ninguém acompanhou e, depois que Derlis González cruzou, Ospina soltou a bola para Antonio Sanabria anotar.

O Brasil, classificado, é o único totalmente tranquilo. O Uruguai empatou sem gols na visita à Venezuela, mas pode se classificar até com uma derrota para a Bolívia no Centenario, desde que a Argentina não tire uma diferença de nove gols no saldo. O Chile assume a terceira colocação com 26 pontos, mas sabe que a missão não será tão simples na visita aos brasileiros. Em quarto, também com 26, a Colômbia vive situação delicada ao encarar o Peru em Lima, em jogo de vida ou morte. Com 25 pontos, os peruanos só dependem de si. E a Argentina, mesmo fora da zona de classificação, com 25 pontos, também só depende de si, desde que faça sua parte contra o Equador em Quito. Por fim, o Paraguai corre por fora com 24, mas não está tão alheio à briga. Jogando contra a Venezuela em Assunção, os guaranis precisam vencer e torcer por um tropeço da Argentina ou por uma derrota do Chile para descolar ao menos um lugar na repescagem.

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