Em uma janela de transferências que não foi tão movimentada assim na Serie A, e particularmente frustrante aos principais clubes do país, o Benevento partiu ao ataque. Nenhum outro time teve uma postura mais agressiva que os pequeninos no mercado. A diretoria trouxe nove reforços, para ver se a equipe consegue fugir do rebaixamento, depois de um primeiro turno (negativamente) histórico. E os novatos continuaram chegando mesmo depois do fechamento do período de contratações. Sem clube desde o término de seu vínculo com o Manchester City em julho, Bacary Sagna assinou com os italianos até o fim da temporada.

Aos 34 anos, Sagna ainda pode oferecer sua contribuição ao Benevento. Não é mais o jogador potente de outros tempos, mas possui bom preparo físico e a experiência necessária para lidar com as adversidades. Não estava tão mal assim no Manchester City, e até surpreende o período inativo, embora o seu salário certamente fosse uma contraindicação. Agora, para chegar à Itália, deve ter reduzido as pedidas, quem sabe para se impulsionar a um clube maior da própria liga. Por sua idade, tem um pouco mais de lenha para queimar.

O que preocupa não é exatamente o presente do Benevento, mas sim o futuro caso a salvação não aconteça. A postura da direção é uma faca de dois gumes: pode até dar certo, assim como também ameaça dificuldades financeiras caso o rebaixamento aconteça – o que parece o mais provável. Vários dos reforços são medalhões e pesam na folha salarial. Além de Sagna, chegaram o volante Sandro (ex-Tottenham), o atacante Cheick Diabaté (ex-Bordeaux), o ponta Guilherme (ex-Legia Varsóvia), o meia Filip Djuricic (ex-Benfica) e o goleiro Christian Puggioni (ex-Sampdoria). Inegavelmente, o elenco ganha qualidade. Mas o time tende a mudar mais da metade de suas peças bem no meio da campanha. Não há tempo para manobras.

Ir com tudo ao mercado quando a degola ameaça não é exceção do Benevento. Os maiores exemplos nesta janela de transferências vêm da Espanha. Assim como os italianos, Las Palmas, Levante e Málaga atiraram para todo lado em busca da salvação. Contudo, também é possível fazer diferente. Basta ver um dos principais concorrentes contra o descenso na Serie A, o Verona. Na temporada passada, logo após o rebaixamento, os gialloblù mantiveram um elenco relativamente caro e conseguiram o acesso imediato. Desta vez, temendo o retorno à Serie B, diminuíram os encargos. Até contrataram, mas nenhum nome midiático, e apenas por empréstimos gratuitos. Enquanto isso, se desfizeram de jogadores rodados como Martín Cáceres, Giampaolo Pazzini e Bruno Zuculini.

Quem está certo por sua visão? Difícil cravar. Mas o caminho do Benevento tende a ser bem mais longo – especialmente em um país no qual os dirigentes não se cansam de falir clubes. Apesar da recuperação nos últimos meses, a equipe permanece na lanterna, com sete pontos conquistados e a 12 de sair do Z-3. O Verona, por sua vez, é o penúltimo – mas já com 16 pontos, a três de voltar a respirar.