Dentro de campo, a chegada de Neymar ao Barcelona tem dado cada vez mais resultados positivos. Fora dele, no entanto, a negociação dos catalães com o Santos parece estar longe de ter um desfecho definitivo. Se a escolha do brasileiro entre as várias propostas que teve fosse um seriado, poderíamos chamar todas as suspeitas fiscais de agora de spin-off da “produção original”. Desta vez, o problema seria que os números apresentados no contrato do jogador seriam incondizentes com a realidade.

O Barça teria contratado Neymar por € 57,1 milhões, divididos da seguinte maneira: € 17,1 milhões para o Santos e € 40 milhões para a N&N, empresa do pai do jogador. No entanto, segundo Jordi Cases, um conselheiro do time catalão, o destino dos € 40 milhões seria desconhecido. E o Ministério Público espanhol tem apertado o cerco para investigar os trâmites da transferência.

Em 2011, o Barcelona pagou à empresa do pai de Neymar € 10 milhões de euros como garantia de que o jogador se juntaria ao Barça quando seu contrato com o Santos terminasse em 2014. No entanto, como a operação foi feita antes do fim do vínculo, o Barça justificou o pagamento dos € 40 milhões como consequência da quebra do acordo preliminar. O Ministério Público disse haver indícios de que os números não batem, e que o pagamento dos € 40 milhões não consta no balanço de 2013 do Barcelona, o que caracterizaria o contrato do jogador como “simulado”. Diante disso, a Justiça pediu a apresentação dos documentos da negociação para o Santos e até mesmo para a Fifa.

O Barça, então, assumiu uma postura bastante agressiva, publicando um comunicado em que expressa sua indignação. O clube condenou que, mesmo após ter de apresentar o contrato com o jogador e suas contas anuais, precise dar mais explicações: “É difícil entender por que cartas rogatórias foram entregues ao Santos e à Fifa, sendo que o Barcelona já colocou tudo à disposição”.

Os catalães defenderam a legitimidade da operação e até deram uma pequena cutucada nas outras equipes que queriam contar com Neymar. “Nossos concorrentes estavam dispostos a fazer a mesma operação e por muito mais dinheiro, mas o Barça já havia se adiantado, pela perícia e habilidade de sua equipe de negociação.” O Barça completa dizendo que, o que o fiscal chama de “simulação contratual” não constituiria um delito e afirmando que erraram ao entender o contrário.

Independentemente das explicações dos catalães, o Ministério Público deverá continuar em cima da negociação, seguindo a investigação mesmo após a apresentações dos documentos pelo Barça. Só resta saber até que ponto o processo pode atrapalhar o clube. Segundo o jornal El País, a questão já chegou aos vestiários, sob os temores de que haja uma crise de ciúmes em relação aos ganhos de Neymar. Já o presidente Sandro Rosell, que teve seu nome relacionado a outras investigações de fraudes, fica mais uma vez sob suspeitas. Se, por tudo o que fez em campo nos últimos tempos, o Barcelona quase sempre foi colocado como exemplo, as crises fora de campo tendem a manchar essa imagem.