France Soccer League One

O PSG bicampeão francês conseguiu ser ainda mais arrasador que o da temporada passada

Ao contrário do que o dinheiro dos xeiques catarianos possa sugerir aos desavisados, o Paris Saint-Germain possui sua história no futebol francês. Não é a mais tradicional, mas possui seus capítulos grandiosos. Repletos de lendas, como Weah, Raí, Carlos Bianchi, Safet Susic, Ronaldinho e Rocheteau. Nenhum deles capaz de repetir o feito de Ibrahimovic, Thiago Silva e companhia, que sacramentaram o primeiro bicampeonato francês da história do clube. Um resultado já previsível, consolidado nesta quarta, sem nem mesmo a equipe precisar entrar em campo, com o empate do Monaco com o Guingamp.

>>> A cobertura completa do PSG na Trivela

São três anos desde que o dinheiro começou a jorrar como petróleo no Parc des Princes. A primeira temporada não foi tão boa como os parisienses esperavam, mas na seguinte a taça foi levantada. De uma maneira mais suada do que em 2013/14, quando mesmo tendo o Monaco como rival endinheirado, o PSG se sagrou campeão com uma facilidade ainda maior. Confirmou a conquista com menos jogos, teve um aproveitamento melhor, passou mais tempo na liderança, sofreu menos derrotas. Não foi só um mar de rosas, é verdade, mas em pouquíssimos momentos os líderes perenes foram ameaçados.

Um sucesso que não passa necessariamente pela continuidade, já que Carlo Ancelotti deixou comando do time e foi substituído por Laurent Blanc. Para explicar, separamos cinco pontos que destacam a evolução. Logicamente, a fragilidade dos concorrentes na Ligue 1, boa parte deles tendo que lidar com problemas financeiros, também tem influência em toda essa facilidade da conquista dos parisienses. Ainda assim, existe muitos méritos próprios no título do PSG – por mais que a torcida não ande lá muito satisfeita, por conta do fracasso na Liga dos Campeões.

Ibrahimovic ainda mais espetacular

Ibrahimovic chegou a 25 gols na Ligue 1 contra o Saint-Étienne (AP Photo/Thibault Camus)

O craque do PSG já tinha sido brilhante em sua primeira temporada no clube. Foram 30 gols e 10 assistências em 35 partidas. Parecia impossível melhorar. Só parecia. Ibra perdeu alguns jogos por lesão, mas nem isso atrapalhou seu show, assim como a chegada de Edinson Cavani não atrapalhou o protagonismo como alguns apontavam. O camisa 10 soma 25 tentos e 16 assistências, com participação direta em 54,6% dos gols do time. Somente em uma das 16 partidas nas quais ele marcou os parisienses não venceram. Números que apenas provam na ponta do lápis o papel decisivo, visível em cada partida em que ele chama a responsabilidade.

As possibilidades de variar no ataque

Ancelotti já tinha um bom número de opções para municiar seu setor ofensivo. Ainda assim, elas aumentaram para Laurent Blanc. Cavani sumiu em alguns momentos, mas ainda assim tem seu peso na conquista. Bem mais adaptado do que em seus primeiro semestre, Lucas se tornou o principal garçom da equipe. Pastore deixou de ser tão inconstante, enquanto Lavezzi se manteve como um coadjuvante precioso, salvando a pátria em diversos momentos. Mesmo que as expectativas se concentrassem em Ibrahimovic, o sueco estava bem acompanhado para cumpri-las. Não à toa, a média de gols aumentou consideravelmente: de 1,8 para 2,2.

A segurança defensiva

Se há um grande legado de Carlo Ancelotti ao Paris Saint-Germain, este é a coesão defensiva. A principal característica dos trabalhos do italiano foi mantida por Laurent Blanc, outro que conhece muito bem do riscado pela carreira como zagueiro. Thiago Silva apareceu menos do que na temporada passada, o que não diminui seu papel de esteio da zaga. Alex, em compensação, viveu um ano ótimo, enquanto os laterais cumpriram bem seus papeis. Além disso, é preciso exaltar a grande forma de Salvatore Sirigu, que passou 19 jogos sem sofrer um gol sequer e com algumas defesas magníficas.

A fase dos volantes

Germany Soccer Champions League

Talvez o setor do PSG que menos perde com as substituições é o meio de campo. Thiago Motta, Marco Verratti e Blaise Matuidi ganharam a companhia de Yohan Cabaye, quatro volantes de primeira linhagem. Se um ficar de fora, alguém tão bom quanto entra no lugar. Em especial, Verratti se confirma cada vez mais como uma realidade, mais consistente e menos descontrolado. Já Matuidi só não é o craque da campanha porque Ibrahimovic está no time. O francês está hoje entre os melhores volantes do mundo e prova isso a cada rodada, combinando seu poder de marcação com a potência que vem dando ao ataque.

A força no Parc des Princes

Na temporada passada, o PSG tinha campanhas bem parecidas dentro e fora de casa. Não comprometia nos jogos em Paris, mas também não brilhava. Diferentemente do que ocorreu desta vez. Seguiu com força como visitante e se tornou um monstro no Parc des Princes. Em 17 partidas na capital, foram 14 vitórias e só três empates, todos no primeiro turno. Além disso, a média de gols é bem alta, 2,7 por jogo. E a de tentos sofridos chega a ser absurda, de tão baixa que é. Os parisienses tomaram só cinco gols em casa, mantendo sua meta invicta por 13 jogos – a invencibilidade atual é de sete rodadas, 667 minutos. O Lille, em dezembro, foi o último a balançar as redes de Sirigu no estádio e o único a anotar mais de um gol.