A influência da ditadura militar argentina na Copa do Mundo de 1978 é marcante. Desde a escolha do país como sede, na tentativa de justificar o regime junto à população, assim como durante a realização do torneio. São muitas as acusações de que houve uma pressão para que a Argentina se sagrasse campeã pela primeira vez. E, quase 36 anos depois daquele Mundial, surge uma nova história envolvendo um dos jogadores que disputaram o torneio: Ralf Edström, um dos destaques da Suécia, revelou que foi sequestrado e interrogado pelos militares argentinos durante a competição.

O incidente não foi diretamente relacionado à competição. Edström foi pego enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires, após a partida contra a Áustria. Foi perguntado sobre a sua procedência e acabou liberado após mostrar suas credenciais da Copa.

“Saí sozinho uma noite, então apareceram homens com armas ao meu lado e pediram que eu os seguisse. Eles me levaram por muitos corredores abaixo do campo próximo ao hotel e fui interrogado por um homem com óculos escuros sentado atrás de uma mesa”, declarou Edström, em entrevista a uma rádio sueca. “Meu coração batia forte, ainda que estivesse seguro de que não se atreveriam a fazer nada com um jogador da Copa. Mas não me atrevo a imaginar o que poderia ter acontecido se não tivesse minha identidade”.

Edström preferiu contar apenas aos seus companheiros o que havia acontecido, mas nem sequer aos técnicos e dirigentes suecos. Temia que cruzasse com os argentinos na segunda fase do Mundial, embora a sua seleção tenha sido eliminada na última rodada da primeira etapa, na última posição do Grupo 3. Resolveu revelar apenas agora, entrevistado para um documentário sobre a Copa de 1978.

O jogador acredita que o motivo tenha sido uma conversa que ele teve dias antes com um estranho, um advogado argentino, enquanto tomava café. “Acredito que foi isso que esses homens, que entendo que pertenciam à junta militar, me sequestraram alguns dias depois, porque haviam me visto com aquela pessoa”, complementou. “Pensei em contar aos meios de comunicação, mas me pareceu que era caso sensível, tendo em conta que estávamos na metade da Copa e que poderíamos pegar justamente a Argentina se conseguíssemos a classificação”.

O sequestro de Edström não influencia diretamente o resultado do Mundial. Mas só amplia a noção de quão repressiva era a influência do regime militar argentino durante o período.