O Brasil está classificado para a Copa do Mundo de 2018. Não faz diferença ser primeiro, segundo, terceiro ou quarto colocado das Eliminatórias Sul-Americanas. A partida desta quinta-feira não valia nada para a equipe treinada por Tite, além da possibilidade de testar jogadores e variações táticas. Diante de 38 mil pessoas na Arena Grêmio, com várias cadeiras vazias e um ingresso bem caro, o Brasil teve uma exibição sonolenta contra o Equador, até ser acordado por Paulinho e Coutinho. Acabou vencendo por 2 a 0.

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A possibilidade de fazer experiências não foi muito utilizada por Tite. O técnico preferiu a continuidade na equipe que vinha atuando, com Willian no lugar de Coutinho, sem jogar desde o fim da pré-temporada por causa de uma negociação com o Barcelona que vem lhe dando muita dor nas costas. Milagrosamente curado no trajeto entre Liverpool e Porto Alegre, o meia-atacante entrou no segundo tempo no lugar de Renato Augusto e ajudou a mudar o panorama da partida. Junto com Paulinho.

Contestado, alvo de gozações e questionamentos, Paulinho pode não ser um sucesso no Barcelona, mas está solidificando cada vez mais a sua posição dentro do elenco da seleção brasileira. Marcou seu quinto gol com a camisa amarela na Era Tite. E foi decisivo, tirando o zero do placar. Os outros tentos foram contra a Argentina e três em Montevidéu, contra o Uruguai. Nada mal.

Seremos rápidos para descrever o que aconteceu no primeiro tempo: houve uma boa chance com Paulinho, em jogada individual, outra com Willian e uma terceira com Gabriel Jesus. Alisson olhava ao horizonte, melancólico, lembrando sua vida em Porto Alegre, enquanto o Equador se esforçava para que ele não precisasse trabalhar. E Neymar estava naqueles dias em que pulou o café da manhã, o almoço e o jantar.

Não é preciso dizer que Neymar foi mais individualista contra o Equador porque se transferiu para o Paris Saint-Germain, time do qual rapidamente se tornou dono. Quando era “coadjuvante” do Barcelona, já colecionava partidas pela seleção em que se recusava terminantemente a passar a bola aos companheiros. Quase todas sob o comando de Dunga. Parece ser uma reação do craque ao mal funcionamento coletivo. Quando as coisas começam a ir mal, sente a necessidade de resolver a parada sozinho. Precisa amadurecer para perceber que a solução não é essa: a responsabilidade do líder que ele ambiciona ser é fazer a equipe melhorar.

Tite mudou o posicionamento das suas peças no começo do segundo tempo. Colocou Coutinho no lugar de Renato Augusto, um pouco mais adiantado, mais próximo do 4-2-3-1 do que do seu rígido 4-1-4-1. Funcionou. O jogo do Brasil foi pouco a pouco ficando mais fluído. A bola parada destravou um pouco mais a partida, quando Paulinho recebeu o escanteio livre, dentro da pequena área, e mandou para as redes. Logo na sequência, um golaço.

Coutinho começou a jogada pela meia-esquerda, onde tanto Jürgen Klopp, quanto o próprio Tite, acreditam que ele possa ser ainda melhor do que na ponta. Deu uma cavadinha para Gabriel Jesus, que deu um balãozinho dentro da área e arrumou de cabeça para o jogador do Liverpool – pelo menos até sexta-feira – completar de dentro da área.

A vitória do Brasil ficou tão longe de ser empolgante quanto poderia. De positivo, uma leve variação tática que pode ajudar a equipe a destravar defesas muito bem fechadas. De resto, a promessa é de um longo ano sem partidas muito competitivas até a Copa do Mundo começar.