Com um time bem diferente sob o comando de Ernesto Valverde e sem Neymar, o Barcelona tem feito muitos pontos, mesmo que sem o desempenho estelar e com futebol vistoso de outras temporadas. O time que formou o badalado trio de ataque MSN agora é muito mais o time de Messi. E se Neymar queria ser protagonista e por isso foi ao PSG, outro brasileiro chegou. A ideia não era que Paulinho substituísse o compatriota, mas na prática, em alguns aspectos, é o que tem acontecido. Ele se tornou um dos grandes parceiros de Messi em campo.

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Algo que tem sido dito sobre Paulinho é que ele caminha nas sombras de Messi. E a metáfora não é pejorativa, de modo algum. Em um depoimento dado ao jornal El País, uma pessoa falou, do centro de treinamento do Barcelona descreveu o papel do meio-campista. “Como um relógio de arena, Paulinho está sempre com um olho nos movimentos de Leo para completar o jogo da equipe no ataque ou para compensar na defesa”, disse a pessoa ao jornal.

Sem Neymar, o substituto inicialmente foi Deulofeu, que não correspondeu como desejado. Paco Alcácer ganhou força nas últimas semanas, entrando em uma parceria com Messi e Suárez, mas acabou lesionado e não será opção para o clássico com o Real Madrid. Assim, o foco passa a ser o meio-campo. Saiu o 4-3-3 da temporada passada com o ataque de estrelas e entrou o 4-4-2 mais sistemático, com Paulinho como um símbolo que conquistou o espaço pelas atuações e funções que exerce. Ele não chegou para substituir Neymar, mas está fazendo isso, inclusive com gols, mas principalmente como coadjuvante de Messi.

Rotulado desde que chegou como um jogador que não tem o DNA do Barcelona, Paulinho teve que buscar o seu caminho de outra forma, mostrando outras qualidade e se encaixando naquilo que o time precisava. “Estou me adaptando muito rápido, fui muito bem recebido e me acolheram muito bem, foi fácil”, disse o jogador. Em campo, Paulinho parece à vontade e, fora dele, tem o apoio no vestiário do mais importante jogador do time, Messi.

“Paulinho se relaciona muito bem com o gol, tem muita chegada e acompanha muito bem a jogada”, descreveu Valverde sobre o brasileiro. E isso tem a ver com uma mudança no equilíbrio do time. Na temporada passada, os atacantes marcaram 84 dos 116 gols, liderados por Messi (37), Suárez (29), Neymar (13) e Alcácer (6). Foram responsáveis por 74% dos gols do time. Nesta temporada o número caiu para 62%, com Messi (14), Suárez (9), Alcácer (2) e Deulofeu(1). Isso contando apenas os jogos da liga. São 26 dos 42 gols do time. Na temporada passada, os meio-campistas marcavam 18% dos gols. Com a mudança nesta temporada, subiu para 26%. Paulinho é o maior responsável, com seis gols. Depois, vem Denis Suárez (2), Iniesta, Sergi Roberto e Busquets (1 cada).

A mudança do time passa também por um jogo muito mais concentrado no meio-campo. Sem o 4-3-3, que tinha Neymar muito aberto pela esquerda com o objetivo de abrir o campo, quem preenche o corredor é Jordi Alba, pela esquerda, que se tornou um grande parceiro de Messi nos gols. Na direita, Sergi Roberto e Aleix Vidal fazem as vezes de chegada ao ataque, mas sem a mesma voracidade e qualidade do lado esquerdo – e que havia com Dani Alves.

Se Paulinho é o grande responsável pelos gols do meio-campo, a falta de gols do ataque passa por uma fase ruim de Suárez, que tem marcado menos gols do que os catalães se acostumaram a ver. Mas isso tem mudado nos últimos jogos e, se contarmos as últimas cinco partidas, o uruguaio marcou cinco gols. Voltou a aparecer. Mas é Paulinho que tem preenchido o vazio de Neymar, especialmente nas chegadas ao ataque, mas com uma recomposição defensiva maior, pela posição. Bom para o Barcelona.