Poucos personagens no futebol mundial têm sido motivo de tanta dúvida – de tanta desconfiança, até – quanto José Paulo Bezerra Maciel Júnior, vulgo Paulinho. “Convocar um cidadão esquecido no Campeonato Chinês?!” Tite arriscou, e Paulinho está convertido em titular absoluto na Seleção Brasileira – com direito a atuação de gala contra o Uruguai, nas Eliminatórias da Copa. “O Barcelona gastar tanto dinheiro em Paulinho, com tantas outras carências?” Pois é: o Barcelona gastou. Paulinho veio do banco neste sábado, contra o Getafe, pela quarta rodada do Campeonato Espanhol. E fora de casa, novamente deixou as desconfianças caladas: fez o gol da virada na difícil vitória por 2 a 1.

Difícil vitória, sim senhor. O Barcelona em nada lembrou o time fluido que demoliu a defesa da Juventus, terça passada, pela Liga dos Campeões. Encontrou um Getafe dedicado na defesa, e tendo boas atuações individuais no meio e no ataque. Mostra disso veio aos 17minutos do primeiro tempo, com boa chance do Geta: Dakonam Djené deixou a bola para Gaku Shibasaki, pela esquerda. O meio-campista japonês cruzou, e Gerard Piqué tentou tirar. Seu desvio quase piorou tudo: o zagueiro pegou mal na bola, ela foi sobrando na pequena área, e Jorge Molina só não fez 1 a 0 porque, sem ângulo nem equilíbrio, tocou para fora.

O destino ainda ofereceu mais um revés aos visitantes no Coliseum Alfonso Pérez: aos 29 minutos, Ousmane Dembélé saiu por lesão, dando lugar a Gerard Deulofeu. O forte calor e o esforço do Getafe desgastavam os barcelonistas. E finalmente, aos 39, veio o gol merecido do time azul. Por sinal, bonito gol: em chute alto de Djené, a defesa rebateu, e Shibasaki arrematou de primeira, no ângulo esquerdo de Marc-André ter Stegen, para o 1 a 0. O empate quase veio nos acréscimos, em cobrança de falta de Lionel Messi que Vicente Guaita defendeu com perfeição. Mas o Barcelona via: talvez precisasse de mais rapidez e esforço para superar o adversário.

Ernesto Valverde começou a mudar isso no segundo tempo. A entrada de Denis Suárez já acelerou mais os Blaugranas, que quase empataram aos 10 minutos, em bom chute de Sergi Roberto. De quebra, a lesão que tirou Shibasaki de campo, pouco antes, enfraqueceu o poder ofensivo do Getafe. Finalmente, aos 17, veio o empate, que já aliviava mais as coisas. Denis Suárez apareceu livre na área, recebeu passe de Sergi Roberto e finalizou com estilo: chute colocado, no canto direito, fora de qualquer alcance para Guaita.

Mas ainda faltava mais rapidez. E Paulinho entrou, aos 32 minutos, no lugar de um esfalfado Ivan Rakitic. Bastaram apenas cinco minutos para que ele, novamente, calasse as dúvidas por um dia, virando o jogo: Messi fez lançamento em profundidade com a precisão que lhe é típica, Paulinho ganhou de Djené na disputa corporal, entrou livre na área e chutou sem chances para Guaita.

E pôde sair gritando na comemoração, com a quarta vitória em quatro jogos. Gritando, quem sabe, para dizer que, enquanto seguem duvidando, ele segue jogando.