O Uruguai faz parte de um seleto grupo de países em Copas do Mundo. Um dos oito com títulos mundiais, um dos cinco com pelo menos cinco campanhas até as semifinais, um dos dez com 12 participações ou mais no torneio. Fazer parte de uma dessas empreitadas é algo para privilegiados. Ser protagonista, então, é o suficiente para se eternizar na história. E nenhum outro uruguaio além de Pedro Rocha pode dizer que participou de quatro Mundiais.

El Verdugo é um dos maiores gênios que já vestiram a camisa Celeste. O meia que ganhou seu apelido graças aos tantos gols que marcou no clássico contra o Nacional. Parte fundamental na máquina do Peñarol, em especial na segunda metade da década de 1960. Um dos maiores goleadores que já vestiram a camisa carbonera e também um daqueles que mais levantaram taças, com oito Campeonatos Uruguaios, três Libertadores e dois Mundiais Interclubes. E também um dos maiores da história do São Paulo, campeão Brasileiro em 1977 e líder na primeira grande campanha continental do Tricolor, vice da Libertadores em 1974.

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Pedro Rocha não morreu, pois a história nunca morre

Com a seleção, o grande momento de Pedro Rocha em uma Copa nunca veio, apesar de tantas chances. Em 1962, o meia era apenas uma jovem promessa de 19 anos, mas ainda assim o camisa 10 do time. Participou de dois jogos da fase de grupos, sem evitar a eliminação precoce para Iugoslávia e União Soviética. Quatro anos depois, na Inglaterra, já era um dos cérebros da Celeste. Marcou um dos gols na vitória sobre a França, a única na primeira fase, suficiente para a classificação. Porém, foi impotente na goleada sofrida para a Alemanha nas quartas.

Seu grande momento seria em 1970. Pedro Rocha vinha voando naquele ciclo de Copa do Mundo. Em 1967, tinha conduzido o Uruguai ao título da Copa América. Diante de 65 mil no Estádio Centenário, marcou o gol na decisão contra a Argentina, dando a 11ª taça da competição à Celeste. Não à toa, foi eleito o craque do torneio.

No entanto, o brilho de Pedro Rocha no México foi interrompido após precoces 12 minutos. O capitão uruguaio sofreu uma lesão grave logo nos primeiros minutos da estreia contra Israel. Não voltaria mais naquele Mundial. Teve que assistir de fora do campo a boa campanha da Celeste, a melhor desde 1970, caindo na semifinal ante o Brasil. El Verdugo poderia ter mudado os rumos daquela semifinal, destruída por Pelé? Nunca se saberá. O fato é que o Rei talvez respeitasse mais os charruas naquela tarde, tamanho apreço que tinha a Pedro Rocha, a quem sempre colocou entre os maiores que viu jogar.

A trajetória do meia pela seleção uruguaia praticamente se encerraria ali. Pouco depois foi para o São Paulo. Seus últimos três jogos com a Celeste aconteceriam exatos quatro anos depois, já na Copa de 1974. Mesmo ausente por tanto tempo, ainda assim foi titular. Não evitou a hecatombe da eliminação na primeira fase, após o time ser engolido pela Holanda. Era hora de abandonar o futebol internacional, embora seguisse em atividade na época da Copa de 1978.

A falta de um título mundial não permite Pedro Rocha se equiparar a Juan Schiaffino, Obdulio Varela, Hector Scarone, José Leandro Andrade ou qualquer outro charrua que já teve a honraria. Pena para os uruguaios. Afinal, de seus grandes craques, El Verdugo é um dos maiores a nunca ter levantado a taça, ao lado de Luis Cubilla e Enzo Francescoli. O talento com a bola nos pés, isso basta para que Pedro Rocha fique para sempre como um dos maiores que já vestiram a camisa celeste. As grandes conquistas, nesse caso, não são necessárias para asseverar a genialidade de um dos grandes da história do futebol.