Em setembro de 2017, Pavel Nedved fez uma promessa. O craque tcheco, aposentado em 2009, assinou um contrato com o Skalná. Aos 45 anos, defenderia o clube do povoado onde cresceu e no qual iniciou a carreira, permanecendo nas categorias de base até os 13 anos. Nove meses depois, enfim, sua palavra se cumpriu neste sábado. Durante a comemoração de 100 anos do Skalná, o meio-campista vestiu a camisa alvinegra. Atuou em uma partida das divisões regionais do Campeonato Tcheco e, mais importante, teve o gosto de dividir o campo com Pavel Junior, seu filho de 17 anos, que joga regularmente pelos nanicos.

Nedved não balançou as redes e sofreu uma dolorosa derrota por 4 a 1, mas demonstrou a velha categoria e o comprometimento que sempre marcaram sua trajetória. “Tentamos ganhar, mas não aconteceu. Eles foram melhores e nós não tivemos nossa atuação mais inspirada. Foi um jogo difícil”, comentou, na saída de campo. O craque vestiu a camisa 11 e permaneceu em campo até o apito final. Criou chances, serviu seus companheiros e também recebeu um cartão amarelo, sem aliviar aos adversários. Mais do que uma tarde festiva, foram minutos do mais puro empenho do veterano. Além disso, apresentou uma forma física invejável.

Do lado de fora do campo, o Skalná precisou lidar com a comoção que a presença de Nedved causou. As arquibancadas estiveram lotadas, com 2,5 mil presentes vendo a partida dos alvinegros. Enquanto isso, nos arredores do vilarejo, centenas de torcedores buscavam sua oportunidade de assistir ao craque. Um tumulto daqueles, a uma cidadezinha que possui apenas 1,9 mil habitantes.

Nedved não descarta outras aparições pelo Skalná. O clube ocupa a sexta colocação em sua competição regional, parte da sétima divisão, e tem mais duas partidas a cumprir até o fim do campeonato. O meia indica até mesmo a possibilidade de renovar seu contrato. Enquanto isso, mantém o seu trabalho à frente da Juventus, um dos mentores do departamento de futebol da Velha Senhora, agora como vice-presidente. O veterano sabe como conciliar as duas maiores paixões. E o esforço para vestir novamente a camisa listrada dos nanicos representa bem como o amor não tem tamanho. A relação com o primeiro clube de sua vida permanece, mesmo 32 anos depois.