Pelé é o maior atacante da história das Copas (Foto: AP)

Pelé e mais nove: os melhores atacantes da história das Copas

Chegou a hora dos atacantes. Os homens que às vezes tocam muito pouco na bola, mas têm a responsabilidade de transformar o esforço dos companheiros em vitórias. Transformar passes e cruzamentos em gols. Batalhar contra defesas adversárias, na força ou na habilidade, antes de se encontrar com o goleiro, o adversário final. E também precisam dar um jeito de vencê-lo.

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Encabeça a nossa lista a dupla que nunca perdeu um jogo de futebol quando entrou em campo junta: Pelé e Garrincha. Os dois deram três títulos mundiais para a seleção brasileira. Johan Cruyff completa o pódio, apesar de ter jogado uma única Copa. Entra tão bem posicionado porque revolucionou o futebol no torneio mais difícil e mais respeitado do mundo. Como nas nossas outras listas, os jogadores em atividade não foram considerados porque ainda estão construíndo suas histórias e muita gente boa ficou fora, como Leônidas da Silva, Paolo Rossi, Kempes e Stoichkov, mas só poderíamos escolher dez, certo? Nada deve impedi-los de nos cornetar, no entanto.

1º – Pelé

Brasil
Quatro mundiais (1958, 1962, 1966 e 1970)
14 jogos, 12 gols

Pelé marcou 12 vezes em Copas do Mundo, tem média de quase um gol por partida e é o único jogador que venceu a competição três vezes. E isso porque é perfeitamente possível dizer que sua trajetória em mundiais foi muito atrapalhada por lesões. Em 1962, havia balançado as redes do México e dado uma assistência na partida anterior quando se machucou enfrentando a Tchecoslováquia. Na Inglaterra, apanhou tanto dos que retornou apenas contra Portugal, meio no desespero, e mal conseguiu jogar.

Mas quando conseguiu, foi absolutamente decisivo. Estreou em 1958 na última rodada dos Grupos contra a União Soviética e nunca mais saiu. Fez o gol da vitória contra o País de Gales e destruiu a França. Depois das decepções dos anos 1960, voltou com tudo no México e liderou a equipe mágica do tricampeonato. Foi eleito o melhor jogador e se aposentou das Copas do Mundo em grande estilo.

2º- Garrincha

Brasil
Três mundiais (1958, 1962 e 1966)
12 partidas, 5 gols

O mundo conheceu a picardia de Garrincha em 1958, nos passeios de Mané pelas ruas da Suécia ou nos dribles desconcertantes durante a Copa do Mundo. Deixou um filho e joões de várias nacionalidades diferentes. Como Pelé, virou titular contra a União Soviética, no lugar do ponta direita Joel. Segunda a lenda, por causa de um lobby de Nilton Santos e Didi, seus parceiros de Botafogo.

O grande torneio de Garrincha foi no Chile, e é até um pouco contraditório que tenha assumido tanto a responsabilidade depois que Pelé se machucou. Não que o rapaz das pernas tortas fugisse de divididas ou se escondesse, mas costumava jogar sempre da mesma forma: lúdica, leve, divertindo-se. Mas, em 1962, queria vencer e impulsionou os seus companheiros, com o auxílio inestimável de Amarildo, ao bicampeonato.

3º – Johan Cruyff

Holanda
Um mundial (1974)
7 partidas, 3 gols

Como pode um jogador disputar apenas uma Copa do Mundo, marcar somente três gols, não ser campeão e ainda assim ser considerado o terceiro maior atacante da história? Sendo Johan Cruyff, o capitão do time inovador de Rinus Michels que espantou o mundo com uma nova forma de jogar futebol. Cruyff marchou com Neeskens, Rensenbrink, Krol e companhia por cima de times tradicionais como Uruguai, Argentina e Brasil, em uma época em que o futebol holandês era muito pouco respeitado. Parou apenas em Munique, na decisão contra a dona da casa Alemanha, mas fez três gols em sete jogos e foi eleito o melhor jogador do torneio.

4º – Gerd Müller

Alemanha
Dois mundiais (1970 e 1974)
13 partidas, 14 gols

O maior artilheiro da história das Copas do Mundo foi Gerd Müller até Ronaldo driblar o goleiro de Gana e colocar a bola nas redes. O recorde do atacante da seleção alemã durou 32 anos, mas o que o Fenômeno não conseguiu fazer foi superar a média de gols de Müller, que fez os seus 14 gols em apenas 13 partidas. Embora tenha sido campeão em 1974, seu torneio mais prolífico foi o do México. Marcou sete vezes nas três partidas da fase de grupos (três no Peru e na Bulgária), decidiu as quartas de final contra a Inglaterra na prorrogação e fez mais dois gols naquela semifinal histórica diante da Itália. Em casa, quatro anos depois, fez “somente” quatro gols, mas alcançou a glória maxima: o gol do título.

5º – Ronaldo

Brasil
Quatro mundiais (1994, 1998, 2002 e 2006)
19 jogos, 15 gols

A atuação fantasma de Ronaldo contra os franceses, na final de 1998, depois de passar mal, não macula a história rica do jogador brasileiro em Copas do Mundo. Depois de assistir ao tetracampeonato do banco de reservas, nos Estados Unidos, ficou determinado a ser o craque de um título mundial do Brasil. Aos 22 anos, carregou o time de Zagallo à decisão na França, mas não conseguiu vencer Zinedine Zidane. Na Coreia do Sul e no Japão, a história foi diferente. Acabou como artilheiro, campeão e autor dos dois gols da decisão. Ainda disputou 2006 para quebrar o recorde de Müller, já acima do peso, e mais uma vez não conseguiu vencer Zinedine Zidane. Seria um bônus para uma carreira que já era mais brilhante.

6º – Just Fontaine

França
Um mundial (1958)
6 partidas, 13 gols

Era uma espécie de magnetismo: Just Fontaine entrava em campo em jogo de Copa do Mundo, a bola ia para o fundo da rede. Marcou 13 vezes em seis partidas pela seleção francesa em 1958, sua única participação: quatro na Alemanha, três no Paraguai, duas na Irlanda do Norte e Iugoslávia, e uma na Escócia e no Brasil. Foi o suficiente para o país europeu terminar em terceiro, antes de qualquer francês ouvir falar de Michel Platini ou Zinedine Zidane. Até hoje, ninguém fez tantos gols em uma única edição de mundial quanto Fontaine.

7º – Giuseppe Meazza

Itália
Dois mundiais (1934 e 1938)
9 jogos, 3 gols

Na época pré-guerra, ninguém jogou tanta bola em Copas do Mundo quanto Giuseppe Meazza, o coração da seleção italiana de Vittorio Pozzo, bicampeão mundial. Foi eleito o melhor de 1934, mas fez apenas um gol quatro anos depois: o que deu à Itália a vitória contra o Brasil na semifinal. Em 1942, já no Milan, teria idade suficiente para disputar outro mundial, mas a Segunda Guerra Mundial impediu que a lenda de Meazza fosse maior do que já é.

8º – Romário

Brasil
Dois mundiais (1990 e 1994)
8 jogos, 6 gols

Aos 24 anos, preterido por Careca e Müller, Romário atuou em um único jogo de 1990, mas quatro anos depois nem o presidente da República faria Carlos Alberto Parreira tirá-lo do time. O Baixinho salvou a seleção brasileira contra o Uruguai, nas eliminatórias, e ganhou o prêmio de melhor jogador do Mundial porque foi decisivo para tetracampeonato. Marcou nas três partidas da fase de grupos, nas quartas e na semifinal. Infelizmente, não pudemos ver mais de Romário em Copas porque Zagallo e Felipão não o levaram para as competições futuras. Azar da Copa do Mundo.

9º – Eusébio

Portugal
Um mundial (1966)
6 partidas, 9 gols

Levar Portugal para uma Copa do Mundo já era difícil. Entre 1930 e 2002, o país participou de apenas duas. Levar Portugal à semifinal de uma Copa do Mundo pode soar como uma missão impossível, mas Eusébio, o Pantera Negra, conseguiu com louvor. Artilheiro da Copa da Inglaterra com nove gols, garantiu seu nome nos livros de histórias em um único mundial, passando por cima até do então bicampeão Brasil. Sua grande atuação foi nas quartas de final, contra a Coreia do Norte. Os asiáticos abriram 3 a 0 em 25 minutos, mas o moçambicano não quis nem saber: fez quatro gols e virou o jogo.

10º – Ferenc Puskás

Hungria
Dois mundiais (1954 e 1962)
6 partidas, 4 gols

Não é qualquer time que enfia oito gols na Alemanha em uma Copa do Mundo. Na verdade, apenas aquela geração dourada da Hungria, liderada por Ferenc Puskás. Isso depois de estrear com um 9 a 0 contra a Coreia do Sul. O problema é que ninguém faz isso com os alemães e sai impune. Puskas se machucou e só voltou na decisão, a vingança. Abriu o placar, Czibor ampliou, mas a Alemanha virou e foi campeã. Puskas ainda jogou em 1962, pela Espanha, mas, gordinho, só fez número na eliminação na fase de grupos.