O Ramadã é um dos cinco pilares do Islamismo. O nono mês do calendário islâmico, em que os fiéis precisam se aproximar dos valores transmitidos por Maomé. E que se tornou uma questão vital também na Copa do Mundo. Afinal, o início do período se deu justamente no último final de semana. O jejum obrigatório, que não permite nem mesmo a ingestão de líquidos durante o dia, deve influenciar algumas das seleções nos mata-matas do torneio. Em especial a Argélia, o país árabe nas oitavas de final.

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Os argelinos não são os únicos muçulmanos nas fases decisivas do Mundial. Há muçulmanos também em outros elencos, como Nigéria, França, Alemanha e Bélgica. Bacary Sagna e Mesut Özil, por exemplo, não irão praticar o jejum durante o Ramadã, para manter o ápice físico durante a Copa. Ainda assim, alguns preferem seguir os preceitos religiosos. Existe um fator psicológico nisso também, uma questão de fé, que pode influenciar positivamente a atuação.

É claro, há exceções na prática dos preceitos do Ramadã, dadas a enfermos, grávidas, crianças e idosos. Mesmo assim, elas também dependem da autoridade religiosa do segmento do fiel – já que essa divisão de autoridade é bem mais dispersa no islamismo, diferentemente das religiões cristãs. Nas Olimpíadas de 2012, que também coincidiu com o nono mês islâmico, muitos dos atletas optaram por não cumprir o jejum.

Na Argélia, um grande debate se levantou para discutir o jejum do elenco na Copa. O técnico Vahid Halilhodzic preferiu não entrar na questão e respeitar a opção de seus jogadores. Em decisão coletiva, os argelinos respeitaram o Ramadã nos dias em que não entraram em campo, mas foram aconselhados pelo Imã, o líder religioso que acompanha a delegação, a não jejuarem no dia da partida decisiva contra a Alemanha. Puderam se alimentar normalmente nesta segunda, evitando problemas físicos durante o jogo mais importante da história do futebol argelino.

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Não é uma questão nova pelos argelinos, é verdade. Como a maioria absoluta do elenco atua na Europa, já conciliou o Ramadã com o meio da temporada por seus clubes. “A coisa mais difícil é se manter hidratado. Alguns jogadores irão adiar o jejum para outro período. Mas, dependendo da minha condição física, eu jejuarei”, afirmou Madjid Bougherra, que por cinco anos atuou no futebol britânico e respeitava o jejum à medida em que percebia que a falta de comida ou de líquidos não atrapalharia o seu desempenho.

Os argelinos sabem que, para enfrentar a Alemanha, um dos favoritos nesta Copa do Mundo, precisam estar em condições físicas plenas. Será um jogo no qual devem ser muito exigidos defensivamente, mais do que foi na estreia contra a Bélgica. E no qual precisarão ter pernas para explorarem os contra-ataques, valiosíssimos contra a lenta defesa alemã. Tudo por um momento que a seleção pode não viver outra vez tão cedo.