Quando a Internazionale fechou a contratação de Milan Skriniar, sabia que trazia um zagueiro para o futuro. O eslovaco de 22 anos, revelado pelo Zilina, vinha de uma temporada muito boa com a Sampdoria. Além disso, acumulava as suas primeiras experiências com a seleção nacional e também se destacou no Campeonato Europeu Sub-21 de 2017, entre os melhores de sua posição, apesar da queda precoce da Eslováquia. Justificava os €23 milhões pagos pelos nerazzurri, um recorde para o clube (em valores absolutos) na contratação de um defensor, igualando a compra de Fabio Cannavaro em 2002. E em menos de um semestre, já dá para dizer que o investimento no jovem começou a se pagar com êxitos.

Skriniar está entre os melhores zagueiros da Serie A neste primeiro turno, e com sobras. Logo se colocou como uma das referências na defesa menos vazada (ao lado de Napoli e Roma), formando ótima parceria com Miranda – outro, aliás, que recuperou seu melhor futebol nesta temporada. Além disso, é um dos três atletas presentes em todos os 1350 minutos disputados pela Inter nestas primeiras 15 rodadas, ao lado de Samir Handanovic e Iván Perisic. Independentemente da idade, transmite muita firmeza e solidez em suas ações defensivas. E também contribui um bocado ao time ofensivamente, anotando inclusive três gols.

Estatisticamente, Skriniar ocupa o posto de melhor zagueiro da Serie A em duas das principais bases de dados disponíveis – o WhoScored e o Squawka. A sua contribuição ofensiva certamente tem um peso, especialmente pelo número de gols e pela construção de jogo com seus passes. O camisa 37 desempenha um papel essencial na saída de bola dos interistas, se posicionando no centro do campo para abrir o caminho, sempre com muita precisão. Não à toa, se habilita também a atuar como volante, como por vezes faz com a seleção eslovaca. De qualquer maneira, é na defesa que a segurança do novato realmente atrai os holofotes. Ele lidera ou ocupa a vice-liderança da Inter em quase todos os fundamentos  defensivos, exceção feita às interceptações. É o 14° melhor jogador do campeonato, segundo o WhoScored, e o sexto, conforme o Squawka.

O talento de um jogador como Skriniar, de qualquer forma, não pode ser avaliado apenas pelos números. Há algo que se percebe apenas assistindo aos seus jogos. E a maturidade do camisa 7 impressiona. Sabe se posicionar muito bem, primando pela leitura de jogo e pelas antecipações. Combina isso a um excelente vigor físico para chegar junto nos combates e também para controlar o espaço aéreo. Além de possuir um senso coletivo importante, complementando as virtudes de Miranda.

Skriniar tem uma margem de crescimento considerável, levando em conta não apenas a sua idade, mas também o pouco tempo atuando em uma liga de primeiro nível. Os mais próximos ainda elogiam o trabalho diário do eslovaco nos treinamentos, definindo-o como um “operário”, pela maneira como se esforça. O foco exclusivo da Internazionale na Serie A, sem precisar se desdobrar nas competições europeias, ajuda na afirmação do eslovaco, sem maiores desgastes e exigências. Independentemente disso, o nível de confiança que ele passa é notável, sobretudo a uma torcida que sofreu com Jeison Murillo, Andrea Ranocchia e Juan Jesus nos últimos anos.

Uma belíssima mostra do momento esplendoroso de Skriniar veio neste final de semana, durante a goleada por 5 a 0 sobre o Chievo, que valeu a liderança da Serie A. Quando Perisic já iniciara seu show e Mauro Icardi tinha deixado sua marca, o eslovaco apareceu para anotar o quarto gol, aos 15 do segundo tempo. A ação começa com um desarme do zagueiro no campo de defesa. Ele inicia o contra-ataque, parte em velocidade e aparece na área adversária para concluir, após o cruzamento de Antonio Candreva. Decisivo em todos os momentos.

Já o teste de fogo para Skriniar virá no próximo final de semana, diante da Juventus, em Turim. Será apenas um embate que pode garantir a liderança à Inter e também o encontro com o melhor ataque do campeonato, que balançou as redes todas as vezes em que entrou em campo. Desafio e tanto para que o time de Luciano Spalletti ratifique suas credenciais ao título. Já o zagueiro pode se comparar com aqueles que, até um tempo atrás, eram soberanos na arte de se defender na Itália. Quem sabe, para se equiparar aos melhores. Se a diretoria nerazzurra conseguir segurar sua joia (o que já se mostra difícil, diante dos crescentes interesses sobre seu futebol), pode contar com um defensor para dominar por anos a Serie A.