Peñarol e Nacional caíram ainda na primeira fase da Libertadores (Foto: AP)

Peñarol e Nacional: gigantes envelhecidos e preguiçosos

São as primeiras horas da manhã. O sol ainda não surgiu, mas ele sabe que está lá. A simples consciência de estar acordado e ter consciência incomoda. A preguiça é gigantesca e dilacerante. O movimento de levantar é quase impensável, mas… Ele levanta e quase sem forças apanha o jornal, toma o café e vai se trocar. A roupa qualquer está ótima. De fato não está, mas ir além disso é desgastante demais. Eu não preciso disso, pensa. Eu já fiz o suficiente, se engana. Acho que posso me dar mais um dia de folga, aceita.

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É uma noite de futebol na América do Sul. O jogo no Estadio Centenário de Montevidéu ainda não acabou, mas eles sabem que vai terminar com derrota. A simples consciência de ver mais uma eliminação na Libertadores incomoda. A falta de perspectiva é gigantesca e dilacerante. A noção de dias melhores é quase impensável, mas… Eles continuam e tentam, quase sem forças, o empate. A luta em vão está ótima. De fato não está, mas ir além disso é desgastante demais. O Nacional do Uruguai não precisa disso. Afinal há o Campeonato Uruguaio. Acho que posso sair da Libertadores. Não tem problema.

Pegue  o cenário acima e troque Centenário de Montevidéu por Corona em Torreón e Nacional por Peñarol e temos mais uma história. A mesma história… História.

Difícil imaginar como, mas o fato é que os dois gigantes uruguaios, donos de 8 títulos do continente, estão fora da Libertadores antes mesmo do fim da fase de grupos e bastante conformados com o que aconteceu. Na terça-feira, após o Peñarol cair para o Santos Laguna por 4 a 1, o técnico Jorge Fossati disse que a meta sempre foi manter o título uruguaio e que por isso não havia tanta decepção com o resultado. Já o Nacional tem usado times mesclados desde a terceira rodada, após derrotas para Newell’s e Grêmio. Ou seja… Aurinegros e tricolores colocaram o campeonato uruguaio acima da disputa continental.

Pior: também não têm bons resultados no Clausura. O Peñarol está em quarto, a 3 pontos dos líderes Fénix e River Plate e com mais 7 rodadas a fazer. Já o Nacional é o oitavo, a 5 pontos dos primeiros colocados.

Não é fácil entender o momento ruim, mas é possível apontar pelo menos alguns traços em comum entre os dois times e algumas diferenças importantes com o Defensor Sporting, que faz boa Libertadores, e o Danubio, que terminou o Apertura na primeira colocação do Uruguaio. Enquanto os dois “chiquitos” uruguaios apostam na base e no trabalho de treinadores jovens, Peñarol e Nacional seguem em auto-reverência, trazendo os medalhões de outrora e técnicos que um dia foram bem sucedidos.

Contra o Santos Laguna, por exemplo, o Peñarol teve uma média de idade de 29,5 anos em campo com figuras contestadas como Castillo, Macaluso, Bizera e Pacheco (muito embora seja ídolo do time) tomando os holofotes. Isso sem contar Zalayeta (35 anos), que não jogou, Dario Rodriguez (39 anos) e Orteman (35 anos) que não têm sido relacionados. No banco de reservas está Jorge Fossati, campeão com o Peñarol em 1996, mas que vem de um trabalho ruim no Cerro Porteño.

Já o Nacional teve média de idade de 28,8 anos contra o Newell’s Old Boys, quando perdeu por 4 a 0 e passou a usar time misto na Libertadores. As referências? O goleiro Múnua, o zagueiro Scotti, os meias Cruzado e Nacho González e o atacante Alonso. Isso sem contar Álvaro Recoba  e Cacique Medina, que pouco jogaram. Comandando o experiente time do Bolso está o experiente Gerardo Pelusso, que venceu a elite do futebol uruguaio com o Nacional na temporada 2008-09 e que vem de um trabalho ruim à frente da seleção paraguaia.

A título de comparação, o Defensor Sporting que empatou com o Cruzeiro no Mineirão, teve média de idade de 25 anos, sendo o volante Fleurquín (39 anos) um dos responsáveis para que ela não fosse ainda menor. No banco de reservas de La Violeta está Fernando Curutchet, ex-treinador da base. Pois é…

Mesmo assim não dá pra cravar que 2014 será um ano perdido para os dois gigantes do futebol uruguaio, mas a própria falta de ambição na Libertadores mostra que há algo muito errado em Montevidéu. Não é questão de ter condições ou não de título, mas sim de almejar algo além do campeonato uruguaio. Do contrário, aurinegros e tricolores ficarão tirando sarro um do outro para ver quem é o menos pior.

Mais uruguaias

– No Clausura o Fénix e o River Plate são os líderes com 17 pontos em oito jogos. O Danubio é o terceiro, com 15, seguido pelo Peñarol com 14. O Nacional tem 12 e é o oitavo.

– O campeonato uruguaio passa por um momento de indefinição fora dos gramados por causa da segurança nos estádios. Após o jogo contra o Newell’s, torcedores do Nacional entraram em confronto com a polícia e depredaram o estádio Centenário. O presidente José Mujica determinou que as forças de segurança não façam mais o policiamente no principal palco do futebol do país e também no Gran Parque Central, o que coloca em risco a realização das partidas de Peñarol e Nacional. Ainda não há uma definição sobre o tema. Certo é que as outras canchas estão liberadas.

Chilenas

No Chile, La U acabou ajudando o rival Colo-Colo ao vencer a Católica por 3 a 0. Agora o Cacique, em grande fase, tem 32 pontos na liderança do campeonato, contra 25 dos Cruzados. A Universidad de Chile tem 20 e é a quinta colocada.

Paraguaias

O último fim de semana foi de clássico entre Olimpia e Cerro. A partida terminou empatada por 2 a 2, mas pouco influenciou no campeonato, que tem o Libertad na liderança com 16 pontos contra 12 do Nacional, que tem um jogo a menos. O Olimpia é o quinto com 8, enquanto o Cerro é o sexto, também com 8.

Colombianas

Na Colômbia o Atlético Nacional lidera com 26 pontos em 13 jogos, mas vê o Millonarios se aproximar. O time de Bogotá tem 24 pontos em 12 jogos. A questão é que na Colômbia temos a segunda fase que hoje teria, além dos dois, Once Caldas, Santa Fe, Junior, La Equidad, Boyacá Chicó e Envigado.

Equatorianas

No Equador segue o domínio do Emelec. Os Eléctricos estão invictos com 23 pontos em nove jogos. O Independiente del Valle é o segundo, com 19, mas em 10 jogos. O Barcelona é o sétimo, a LDU a nona e o Deportivo Quito o décimo.

Venezuelanas

Na Venezuela, mesmo com protestos e ameaças de paralisação, o campeonato continua. O Zamora lidera com 22 pontos em nove jogos, seguido de perto pelo Trujillanos e pelo Mineros, que tem 20. O Caracas é o quarto, com 19.

Bolivianas

Na Bolívia enquanto The Strongest e Bolívar lutam por classificação na Libertadores, o Real Potosí lidera o campeonato com 21 pontos contra 20 do San José e 19 do Universitario. O The Strongest é o quarto e o Bolívar o sétimo.

Peruanas

No Peru antes do Descentralizado tem o Torneo del Inca. No grupo A o Juan Aurich é o líder com 16 pontos contra 12 do Alianza Lima. No B o Universidad San Martín tem 13 e lidera. Os campeões de cada grupo se enfrentam na final.