Ivan Perisic chegou à Copa do Mundo como um dos principais jogadores da sua seleção. Sempre badalado na Internazionale, é um ponta esquerda útil no esquema tático, mas vai muito além disso com e sem a bola. Bom driblador, chuta muito a gol e cria muitas chances para o seu time. Pelo alto, com seu 1,86 metro de altura, ou por baixo, com seus dribles e cruzamentos, costuma ser importante. Contra a Inglaterra, na semifinal da Copa, ele foi decisivo. Marcou um gol, chutou uma bola na trave, participou de outro e sai de campo tendo sido crucial para levar a Croácia à final da Copa.

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Em uma seleção que tem Luka Modric como o principal nome e Ivan Rakitic como outro jogado badalado, Perisic pode ser menos conhecido a muitos, mas é um dos principais jogadores da Croácia há algum tempo. Pela Inter, na Itália, sua presença é considerada essencial ao time. Na seleção croata, atuando pelo lado esquerdo, Perisic tem sido importante. Nesta partida, foram sete chutes a gol. Carimbou um na trave. Só acertou um desses chutes no gol. Justamente o lance em que ele empata o jogo. Só que esse é só um pequeno dado sobre a sua participação no jogo.

O seu gol foi de um mérito enorme. O cruzamento de Vrsaljko foi ótimo, mas Perisic só fez o gol porque atacou a bola. Quando o lateral croata está com a bola para cruzar, ele está atrás de dois marcadores. Escapou de Trippier, de Walker e deu um golpe acrobático na bola, surpreendendo o marcador, que nem viu ele chegar. Um gol de técnica, mas também de atitude, de vontade.

Logo depois, ele fez uma jogada individual, ao seu estilo, driblando e chutando na trave. Poderia ter virado o jogo ali, naquele pedaço de segundo tempo que a Croácia era melhor. Veio, então, a prorrogação. E o segundo tempo extra. Naquele lado, onde tinha saído o seu gol. Em uma bola mal afastada por Walker, Perisic acreditou. A defesa inglesa não. Pareceu sentir que o lance estava salvo. Perisic se esticou todo na bola para alcançar, de cabeça, e tocar para frente, buscando Mandzukic. Achou. Especialmente porque nem Stones, nem Maguire pareciam esperar por isso. O centroavante aproveitou, chutou cruzado, de primeira. O sonho, então, se tornou realidade.

“Foi um duelo muito difícil, nós todos sabemos o que estava em jogo e como uma semifinal é importante para um país como a Croácia. Nós começamos devagar, mas mostramos nossa personalidade, assim como tivemos nos dois últimos jogos eliminatórios quando estávamos um gol atrás nos dois jogos. Nós não costumávamos ser tão resilientes”, disse Perisic.

“Há 20 anos eu estava em Omis, minha cidade natal. Eu torci para a Croácia, vestindo uma camisa da seleção. Eu podia apenas sonhar em jogar pelo meu país e marcar um dos gols mais importantes para nos classificar para a final”, afirma ainda Perisic.

Quando o pequeno Perisic via a Copa do Mundo pela TV, há 20 anos, alcançar os feitos do time de Suker, Prosinecki e Boban parecia mesmo só um sonho. Agora, ele foi além. Junto com essa Croácia incrível, alimenta as fantasias de milhares de garotos que, como ele, assistem a Perisic, Modric, Rakitic e Mandzukic levaram o país dos Bálcãs à final. Talvez semeando novos sonhos que se manifestarão a daqui mais 20 anos.