Ao assumir a seleção da Espanha após a Euro 2016, Julen Lopetegui atraía algumas desconfianças: conseguira sucesso nas equipes de base da Furia/Roja (técnico campeão europeu sub-19 em 2012 e sub-21 em 2013), mas como seria com a seleção principal? Expectativas amenizadas com uma boa campanha nas Eliminatórias da Copa de 2018, o técnico pôde aprofundar seu trabalho. E Lopetegui o analisou neste domingo, em entrevista aos jornalistas Diego Torres e José Sámano, para o diário “El País”, com vistas à estreia do time na Copa, contra Portugal, na sexta.

Mas os bons resultados não impediram que Lopetegui ainda fosse cauteloso ao comentar sobre o que a Espanha pode fazer. O técnico ainda vê margem de melhora: “Queria que fosse uma equipe mais completa, com as melhores respostas coletivas possíveis, tanto atacando quanto defendendo”.

Ainda assim, confrontado pelos entrevistadores com o fato de que oito jogadores haviam estado tanto na eliminação para a Itália na Euro passada quanto nos 4 a 0 sobre a Azzurra durante a qualificação, melhor momento da Espanha sob Lopetegui, o técnico explicou que nunca pretendeu recomeçar, após o trabalho do antecessor Vicente del Bosque: “Buscávamos uma evolução, não uma revolução. Até porque encontramos uma equipe em muito boa forma”.

Sobre a desconfiança a respeito do que podia fazer, o treinador lembrou de sua relação com Sergio Ramos, Andrés Iniesta e David Silva, únicos jogadores presentes nas convocações espanholas importantes desde a Euro 2008: “Eu esperava que a reação deles fosse a que foi. Os jogadores buscam respostas, soluções e argumentos. Nós tratamos de dar isso a eles. A partir disso, nossa relação foi muito boa: honesta, clara, concisa e profissional”.

Perguntado sobre a boa atuação da seleção, mesmo com o excesso de jogadores para o meio-campo – Thiago Alcântara, Rodrigo, Silva, Iniesta, Isco -, Julen explicou: “Os jogadores entenderam que o fato de termos uma série de condições não os exime de uma série de responsabilidades. E não me refiro somente aos momentos em que não temos a bola. Também precisamos jogar rápido, com dois toques, ter opções permanentes e de opções indo por dentro. Essa mobilidade, esse dinamismo dos jogadores, acho que foi o que nos fez jogar bem”. Ainda houve elogios a outro nome do setor: Sergio Busquets. “Ele foi e é determinante no seu time e na seleção”.

Finalmente, Lopetegui desconversou sobre o favoritismo espanhol para o título mundial: “Não brigarei com ninguém que esteja imaginando [o título]. Se a equipe gerou esta esperança, bem vinda seja ela. Grandes equipes têm essa vontade”. Perguntado se apostaria no título, concluiu a entrevista com uma piada: “Se eu estivesse tomando uma com os amigos, claro que lhes diria [que a Espanha será campeã]. Mas não estou tomando uma”.