O Corinthians teve os piores cinco minutos em muito tempo no começo da partida contra o Independiente. Foi atacado impiedosamente e viu o adversário abrir o placar. Demorou toda a metade da etapa inicial para se assentar melhor na partida, altura em que os adversários já haviam ampliado. A derrota por 2 a 1, em Itaquera, foi justa e deixou aberto o Grupo 7 da Libertadores. 

LEIA MAIS: O Corinthians de gols quase inevitáveis conquistou uma grande vitória na Argentina

O diagnóstico é a combinação de dois fatores. O Corinthians, desde o começo de abril, não tem uma semana livre de treinamentos. São seis jogos em duas semanas e meia, e Fábio Carille não roda o elenco como deveria. E não porque não quer: porque não tem peças para isso. Um estilo de jogo que depende tanto de intensidade e concentração naturalmente sofre quando existe desgaste físico e mental. 

Não quer dizer que a curva corintiana descerá como no segundo turno do Brasileiro do ano passado, mas é normal que haja oscilações. E inegavelmente o Corinthians entrou em campo um pouco desligado. E pegou um Independiente ligado, mordido e ciente do que deveria fazer. Com um bom toque de bola, os argentinos foram criando oportunidades. 

Foi muito boa a tabela de Romero com Meza, que cruzou rasteiro de volta para o atacante. Cássio fez uma boa defesa, mas Benítez abriu o placar no rebote. Aos 5 minutos, Meza apareceu no mesmo setor, novamente livre, e exigiu duas intervenções do goleiro corintiano. Balbuena, ao cortar cruzamento de Bustos, também da direita, acertou o travessão. 

A partida esfriou durante os 20 minutos seguintes, mas o Corinthians, pouco acostumado a trabalhar em desvantagem no placar, não conseguiu agredir. E, então, o Independiente deu sorte: escanteio cobrado pela esquerda, e Romero desviou contra as próprias redes. O paraguaio redimiu-se com um belo trabalho de pivô que deixou Jadson cara a cara com o goleiro. O meia não desperdiçou: 2 a 1. O empate quase surgiu antes do intervalo, mas Campaña defendeu a cabeçada de Romero. 

A segunda etapa teve muito menos emoção. Foi mais morna e travada no meio-campo. As movimentações vieram de substituições de Carille. Pedrinho entrou muito bem e conseguiu fazer alguma bagunça na defesa do Independiente. Surgiu dele a melhor jogada do Corinthians no período, finalizada por Jadson. E Emerson Sheik, dois minutos depois de entrar em campo, foi expulso por empurrar Sánchez Miño para recuperar a bola, depois de uma falta marcada a favor do Corinthians. 

A situação do Corinthians no grupo deixa de ser confortável. Está tudo embolado. Os brasileiros são líderes, com sete pontos, seguidos por Independiente e Deportivo Lara, com seis. O Millonarios tem quatro. Na próxima rodada, o Corinthians enfrenta o Lara, na Venezuela, onde os donos da casa venceram seus dois duelos até aqui. E os colombianos recebem os argentinos, tentando continuar vivos. Nada está definido.