Três jogos em três semanas. Três vezes o placar de 3 a 2. Vasco e Botafogo estão acostumando bem suas torcidas. Os últimos encontros dos rivais, desde a fase de classificação da Taça Rio, têm sido fantásticos. E o jogo deste domingo não fugiu à regra, no primeiro duelo da decisão do Campeonato Carioca. Mais uma vez o marcador se repetiu, pela segunda oportunidade favorável aos vascaínos. Além do mais, como ocorreu contra o Fluminense na semifinal (outro 3 a 2, aliás), o gol da vitória do time de Zé Ricardo saiu no apagar das luzes, com Andrés Ríos definindo nos acréscimos do segundo tempo. O personagem da partida, de qualquer maneira, brilhou no primeiro tempo. Yago Pikachu comandou a reação cruzmaltina.

Por um tempo, Pikachu foi tratado com certo folclore. E não se nega a reação natural diante do apelido. Mas desde os seus tempos de Paysandu, a qualidade técnica do coringa se evidencia. Foram vários gols e atuações decisivas em Belém, embora os clubes de outros centros tenham demorado a fazer aposta em um jogador evitado pelo risco de piada. Ao final, o Vasco bancou a contratação. Acerto tremendo, por aquilo que o paraense vem demonstrando. Neste domingo, viveu uma de suas tardes mais inspiradas.

O Botafogo abriu o placar com Renatinho, aproveitando a lambança de Paulão, e tentou controlar a partida através da contenção. Todavia, o nível de solidez do Vasco é impressionante. E o responsável pela virada seria justamente Pikachu, atuando mais adiantado, no meio-campo. Curiosamente, o primeiro gol do paraense sai logo depois ele se desentender com Renatinho, ao tomar um chapéu. Pois o vascaíno fez melhor. Wagner cruzou na medida e ele pegou um chute de primeira, sem deixar a bola cair, indefensável a Gatito Fernández. Dois minutos depois, viria mais, em grande lance coletivo do Vasco. Desábato iniciou a jogada, Wagner passou de calcanhar e Riascos costurou a marcação na linha de fundo, antes que Pikachu aparecesse para arrematar como um homem de área.

Antes do intervalo, todavia, o Botafogo voltou a crescer. Brenner surgiu na área e se antecipou à marcação para concluir de cabeça, deixando tudo igual. Já no segundo tempo, em ritmo menor, a emoção se concentrou nos 15 minutos finais. De um lado, os botafoguenses perderam um gol com Lindoso livre e tiveram um tento bem anulado pela arbitragem. Do outro, Marcinho tirou uma bola de maneira inacreditável em cima da linha e Gatito cresceria para cima de Paulinho. Mas nos acréscimos, a perseverança dos vascaínos valeu mais. Após cobrança de escanteio desviada, Andrés Ríos se esticou para garantir o triunfo.

Pikachu, ao final, sai como o nome mais comentado, mesmo não sendo o herói derradeiro. Tem méritos por aquilo que vem oferecendo ao Vasco, e não apenas nesta tarde. Como lateral ou no meio, é uma das principais válvulas de escape do time. Ainda possui pontos a melhorar, mas o poder de decisão é evidente. São quatro gols no Carioca, além de outros três pela Copa Libertadores, e isso sem contar a capacidade no apoio que não se transforma necessariamente em números. No primeiro duelo com o Botafogo, com o perdão do trocadilho (que vocês já perdoaram no título, imagino), o paraense garantiu o jogo eletrizante. E vem mais por aí na próxima semana, com a promessa de outro duelo intenso na definição do campeão.