A Fiorentina tinha uma missão a cumprir neste domingo. E nem era exatamente em busca da vitória no encontro com o Benevento, pela Serie A. Acima disso, a Viola deveria honrar a memória de Davide Astori, em seu primeiro jogo desde o falecimento do capitão. Isso aconteceu da melhor maneira possível, e com diferentes nuances. Nas arquibancadas, prevaleceu o respeito com as diversas homenagens realizadas pela torcida violeta. Já em campo, muito além de todo o esforço dos companheiros em simplesmente atuar, mesmo depois de uma perda tão sentida há poucos dias, os anfitriões comemoraram a vitória no Estádio Artemio Franchi – com uma pitada de destino, graças ao tento do substituto Vitor Hugo, com o cruzamento de Riccardo Saponara, responsável por uma carta belíssima ao amigo. Já o técnico Stefano Pioli destacou o que fica para a sequência do trabalho em Florença.

“Tivemos que voltar a jogar e quebrar o gelo, então foi bom retornar diante de nossa torcida. Dizer que foi um dia emocionante ainda ficaria abaixo do que aconteceu. Nós não podemos pretender que tudo vai voltar a ser como era, porque não tem como. Se nós tínhamos um grupo unido antes, e Davide merece muitos créditos por isso, então estamos ainda mais próximos. Não estou certo se foi a melhor ideia jogar hoje, mas os jogadores queriam ir para campo. Eles estão enfrentando uma situação maior que eles, Astori era uma figura central em tudo o que fazíamos. Estes rapazes são jovens e queriam dar sua alma por Davide hoje”, afirmou o treinador.

“Davide transmitiu valores. Ele é uma pessoa que, para todos que tiveram sorte o suficiente de conhecê-lo, você apenas poderia apreciar. Davide colocou o máximo em sua profissão. Precisamos garantir que a memória de Davide seguirá com a gente. Agora cabe a nós seguir em frente, com aquilo que ele foi capaz de semear. Nunca antes vimos o time, os torcedores e o clube tão unidos. Você precisa acreditar em algo na vida. Era certo que isso seguisse desta maneira. Ele sempre foi positivo e pensava que nós estávamos no melhor caminho. Sem dúvidas, foi uma semana que não desejo a qualquer um. Cada um experimenta a dor à sua maneira, mas eu tentei ficar próximo dos rapazes. Se éramos próximos antes, estamos ainda mais agora”, complementou.

Já do outro lado, outra declaração impactante veio de Roberto De Zerbi, treinador do Benevento. O comandante do lanterna da Serie A revelou que a preparação ao jogo teve que ser totalmente diferente. Privilegiou o lado humano, em vez de questões táticas ou técnicas. Era preciso respeitar o que a Fiorentina viveu antes, com Astori usando a braçadeira da Viola.

“Foi muito difícil jogar aqui em Florença hoje e foi muito difícil se preparar a um jogo deste tipo. Jogadores são seres humanos, não robôs que você pode ligar e desligar a cada domingo. É normal que você não consiga prepará-los a uma partida real. Estamos felizes por sermos protagonistas em um dia no qual o amor, o respeito e a memória prevaleceram, a um rapaz que permanecerá dentro de nossos corações”, declarou De Zerbi. “Nós nos preparamos aos jogos vendo os vídeos do próximo adversário, mas desta vez eu decidi não fazer isso, porque na última partida da Fiorentina havia o Astori. Não conseguiria estudar ideias táticas pensando que aquele garoto não estaria mais lá”.