Foram meses de preocupação para a seleção russa, com amistosos fracos, problemas físicos e um time que não inspirava confiança para representar bem o país sede da Copa do Mundo de 2018. Todas elas, porém, foram rapidamente dissipadas pelo nível do futebol apresentado nas duas primeiras rodadas. Depois de atropelar a Arábia Saudita na abertura, por 5 a 0, a Rússia conseguiu outra boa vitória, nesta terça-feira, contra o Egito, por 3 a 1. Tudo bem que o primeiro tempo foi muito ruim, e que o gol inicial saiu de uma mistura de azar e falta de técnica do lateral egípcio. Mas, com vantagem no placar, os donos da casa souberam criar as suas oportunidades e matar o jogo.

Agora, a Rússia está praticamente nas oitavas de final. A vaga é selada já nesta quarta-feira, caso a Arábia Saudita perca ou empate com o Uruguai, o que, convenhamos, é bem provável. Mesmo que haja uma zebra gigantesca no outro jogo do Grupo A, os sauditas teriam que também ganhar do Egito, e os uruguaios teriam que tirar pelo menos sete gols de saldo no confronto direto. Difícil, hein? 

Horrível

Foi um primeiro tempo muito ruim em São Petersburgo. A Rússia começou a partida animada, se impondo no campo de ataque, mas sem criar nada. Suas ações mais perigosas foram cruzamentos pela área africana, que deixaram os defensores em estado de alerta. Mas nada além disso. El Shanawy fez uma defesa, a única entre os dois goleiros na primeira etapa. A partir da metade do período, o Egito conseguiu equilibrar o jogo e foi mais ameaçador. Salah não entrou definitivamente na partida, sem muito espaço ou apoio na ponta direita. Mas esteve envolvido em dois lances que, na falta de coisa melhor, foram os que mais próximo chegaram de chances de gol. Abdel-Shafi cruzou de Trivela para a segunda trave, onde Salah estava pronto para completar. Mas Zhirkov cortou. Perto do fim, Salah recebeu na entrada da área, dominou com a perna direita, girou e bateu com a esquerda. Para fora, mas com perigo. 

A sorte começa

Do jeito que estava a partida, seria difícil surgir um gol em jogada trabalhada. Golovin cruzou da direita, e El Shenawy conseguiu cortar. Zobnin pegou o rebote e chutou para dentro da área, meio mascado. Ahmed Fathi se desequilibrou na hora de se adiantar a Dzyuba e cortou com a canela. Precisava ter passado um pouco mais de giz. A bola tomou um efeito bizarro e entrou no canto do Egito. 

A competência completa

Com vantagem no placar, a Rússia finalmente achou os espaços para criar suas chances. Mario Fernandes recebeu dentro da área, foi para a linha de fundo e cruzou rasteiro. Cheryshev apareceu para completar. Logo na sequência, a Rússia ampliou com um belo gol de Dzyuba, que recebeu um longo lançamento, dominou, deu o corte e mandou para as redes. Belo gol do centroavante russo. Dois golpes relâmpagos que mataram o jogo. E os sonhos do Egito.

Mo Salah

Depois de ser poupado, Salah foi titular contra a Rússia. E fez o que conseguiu fazer. Não jogou especialmente bem, errando alguns domínios e alguns passes, provavelmente sem ritmo de jogo. Quando conseguia dominar, foi perigoso e criou a jogada mais perigosa do Egito. Atrapalhou também a ausência de alguém para dialogar e um estilo muito diferente do que ele tem no Liverpool. Não houve pressão à saída de bola e transições rápidas para que ele pegasse a bola no mano a mano pela ponta direita. Mesmo assim, Salah sofreu o pênalti, marcado por meio do assistente de vídeo, e bateu com muita categoria para marcar. 

Ficha técnica

Rússia 3 x 1 Egito

Estádio: Estádio de São Petersburgo, em São Petersburgo (Rússia)
Árbitro: Enrique Cáceres (Paraguai)
Gols: Ahmed Fathi, contra, Denys Cheryshev e Artem Dzyuba (RUS); Mohamed Salah (EGI)
Cartões amarelos: Smolov (RUS); Trezeguet (EGI)

Rússia: Igor Akinfeev; Mario Fernandes, Ilya Kutepov, Sergei Ignashevich e Yuri Zhirkov (Fedor Kudryashov); Roman Zobnin, Yuri Gazinskiy, Aleksander Samedov, Aleksandar Golovin e Denis Cheryshev (Daler Kuzyaev); Artem Dzyuba (Fedor Smolov). Técnico: Stanislav Cherchesov

Egito: Mohamed El Shenawy; Ahmed Fathi, Ali Gabr, Ahmed Hegazy e Mohamed Abdel-Shafy; Mohamed Elneny (Amr Warda), Tarek Hamed, Mohamed Salah, Abdalla El Said e Trezeguet (Ramadan Sobhi); Marwan Mohsen (Mahmoud Kahraba). Técnico: Héctor Cúper