Sebastian Giovinco nasceu e cresceu na Juventus, mas foi nos Estados Unidos que atingiu todo seu potencial. Sem dúvida, trata-se de um dos melhores jogadores da Major League Soccer nos últimos anos. Com a camisa do Toronto, o jogador de 30 anos marcou 58 gols e deu 41 assistências em 91 partidas da liga americana, ao longo de três anos. Nada mal para quem começou a se apaixonar pelo futebol quase por acaso.

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Esta é a história que o pequeno italiano de 1,63 metros conta no Player’s Tribune. Quando era criança, crescendo em Turim, não acompanhava o esporte de perto. Gostava de passar seu tempo livre perto da mãe, que trabalhava no bar de um de seus tios. Atrás, havia um campo de futebol de terra. Um dia, os garotos estavam preparando-se para disputar uma partida com sete jogadores de cada lado e faltava um. Chamaram Giovinco.

“Acho que eles estavam desesperados porque, como eu era a única pessoal em volta, me colocaram no time. E, na hora, eu sabia: as coisas seriam diferentes para mim. Jogar futebol me deixava feliz. Era divertido. Ajudava a fazer amigos. Então, quando cheguei em casa naquele dia, contei para o meu pai sobre o time e que queria continuar jogando nele. Voltei no dia seguinte. E no dia seguinte”, contou.

Aquele campo de futebol tornou-se a principal fonte de diversão de Giovinco. “Era tudo que tínhamos. Não havia nenhum grande cinema, nenhum shopping. Nada. Você poderia jogar futebol ou… jogar futebol”, lembra. E futebol Giovinco jogou, “naquele campo horrível”, até ser chamado para fazer testes na Juventus. “Depois de mais ou menos um ano jogando naquele time, um olheiro da Juventus me convidou para integrar a academia do clube. Provavelmente parece uma maluquice, mas foi assim tão rápido mesmo. Um dia eu jogava pelo meu pequeno time local e, no dia seguinte, um cara aparece para falar com meu pai e eu integro a academia da Juve”, disse.

A família de Giovinco morava perto do Delle Alpi, mas não o frequentava. Não tinha dinheiro para ingresso, nem para uniformes. O pai do jogador era torcedor do Milan, basicamente porque era de Milão e, naquela época, os rossoneri eram o clube mais forte. “E, quando eu estava com 17 anos, fui levado ao escritório do técnico para assinar meu primeiro contrato profissional com a Juventus. Como eu era menor de idade, meu pai foi comigo. Eu lembro a primeira vez que eu entrei em campo no estádio. Não era nada como aquele campo sujo perto de casa. Eu estava jogando com Del Piero, dando assistência para Trezeguet”, afirmou.

Giovinco ajudou a Juventus a voltar à primeira divisão, depois do escândalo do Calciopoli, mas não conseguiu ter o espaço que gostaria. Em 2015, com o contrato chegando ao fim, assinou pelo Toronto e, desde então, vem tentando transformá-lo em campeão da Major League Soccer. A primeira tentativa acabou nas quartas de final da conferência, contra o Montreal. A segunda, na decisão por pênaltis da grande final, contra o Seattle Sounders.

“Estou em Toronto há quase três anos, e há duas coisas que ainda não vi. Uma delas são as Cataratas do Niágara. E vou vê-la, um dia. Mas, primeiro, há outra coisa que quero ver. Outra coisa que preciso ver: o Toronto vencendo a Major League Soccer. Chegamos perto ano passado, mas perto não é o bastante. Sou da Itália e jogou a maior parte da minha carreira lá. E na Itália, temos um ditado: é que nem ir para Roma e não ver o Papa. Não quero comparar o título da MLS com uma visita ao Vaticano, mas…eu não vim tão longe para não ver o Toronto campeão”, disse.