Por toda a badalação que sustenta, a França fez um jogo sofrível na Copa do Mundo. Tirando os minutos iniciais do duelo em Kazan, contra a Austrália, os Bleus ficaram devendo. Seu sistema de jogo não funcionou e raríssimas foram as boas jogadas ofensivas. E por mais que não tenha sido o único a jogar mal, e mesmo que tenha anotado o gol da vitória por 2 a 1, Paul Pogba ficou abaixo da crítica. Dentro do que Didier Deschamps propõe aos franceses, o meio-campista é essencial. Ou dever ser, o que não aconteceu ao longo dos 90 minutos sonolentos na estreia.

Diante de uma Austrália muito bem montada na defesa, a França não encontrou o caminho para o gol. Acionou muito os laterais, que não são exatamente as opções mais agudas à disposição de Deschamps. Viu o trio de ataque ficar muito afunilado na área, sem dar amplitude ou proporcionar jogadas de linha de fundo. Abusou dos cruzamentos. E, pior de tudo, não teve qualquer tipo de criação pelo meio. Com um trio central muito mais físico, “de pegada”, os toques quase sempre iam de um lado para o outro, até que os laterais decidissem cruzar. Há, claro, muitos méritos dos Socceroos trancando o setor, especialmente pela presença de Aaron Mooy. Mas sempre se espera mais de um time tão renomado como o francês. E se espera um toque diferente de um jogador com o talento comprovado de Pogba, o que raras vezes se viu nos últimos meses.

Sem que os atacantes abrissem espaços, talvez Deschamps precisasse de um armador, mas a lesão de Dimitri Payet deixou os Bleus carentes nesta função. Assim, a bola mais vertical, em teoria, teria que vir de Pogba. Até deu um lançamento ou outro, mas as jogadas não frutificaram. Eram muitos passes para o lado, de um jogador que por vezes parecia não querer se apresentar com intensidade. Ele sequer conseguia avançar para tentar quebrar as linhas de marcação dos australianos. Em meio à burocracia, Antoine Griezmann acabava sendo aquele que tentava um pouco mais, sem sucesso.

Pogba, ainda assim, foi determinante. Justamente no momento em que fez o que precisava. Pegou a bola na faixa central e, entre duas tabelinhas, chegou dentro da área em condições para finalizar. Méritos para Olivier Giroud, que pode ser inferior aos outros do trio de ataque na França, mas possui características importantes a uma partida tão amarrada. Foi ele quem saiu da área, puxou a marcação e abriu o espaço para a infiltração. Fez um excelente trabalho como pivô e devolveu a Pogba, com açúcar. Então, o meio-campista fuzilou, em chute desviado que bateu no travessão e entrou. Ao final, o camisa 6 acabou sendo um dos elementos para segurar a bola e gastar o tempo, ante o triunfo magro – e sofrível.

Esta é a segunda Copa do Mundo de Pogba. Há quatro anos, era apenas um coadjuvante que podia mostrar o seu trabalho. Hoje, a sua importância é indiscutível, principalmente na faixa central que carece de criatividade. A evolução da França no Mundial passa necessariamente por seus pés. Se não for assim, seria ideal repensar o esquema de jogo, ou mesmo o protagonismo dado ao camisa 6. Pelo que se viu contra a Austrália, um adversário fraco, é preciso muito mais do que um mero lampejo para se satisfazer nos próximos compromissos.