Pogba chegou criticado à Copa, mas sai como o jogador decisivo e campeão que sonhou ser

Uma das críticas que mais se faz à França, desde a época da Eurocopa, é que o time joga menos do que pode. Um dos maiores expoentes da geração, Paul Pogba chegou à Rússia sob pressão. O time não rendia tinha um dos maiores jogadores da geração devendo. A Copa 2018 serviu para mudar tudo isso. Com atuações decisivas desde a fase de grupos, mas especialmente a partir das oitavas de final, Pogba foi o que se esperava dele. Um gigante no meio-campo, ditando ritmo, importante defensiva e ofensivamente, como tanto se cobra que ele faça. Na semifinal e final, dois jogos de tirar o chapéu. Na final, Antoine Griezmann foi eleito o melhor do jogo, mas na opinião de muitos – incluindo o autor deste texto –, Pogba merecia o prêmio.

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O desafio para Pogba, assim como para o técnico Deschamps, era encontrar o equilíbrio. Uma das críticas que o meio-campista sofria antes da Copa, na seleção ou no seu clube, o Manchester United, era que ele não conseguia ser o jogador criativo o suficiente para a fase ofensiva, nem eficiente o suficiente na fase defensiva. Na França da Copa do Mundo, Pogba parece ter encontrado o seu espaço no campo especialmente no lado direito. Com Kanté, desta vez titular durante toda a campanha, ao contrário do que aconteceu na Eurocopa. Aliás, Kanté se tornou não só um titular incontestável como um destaque para ficar entre os melhores da Copa.

Com Kanté bem, Pogba cresceu. Méritos também a Blaise Matuidi, titular a partir do segundo jogo da França na Copa, responsável por dar um equilíbrio ao time francês. E se tornou um dos melhores do Mundial. Em uma França que escolheu jogar menos com a bola, a função defensiva de Pogba era muito importante. E ele conseguiu entregar. Ser um marcador implacável nunca foi sua característica, mas com Kanté ao lado, ele só precisa ser eficiente.

Ofensivamente, Pogba tem uma função importante em um time que não tem um meia ofensivo puro. Em um time que tem Griezmann como o jogador atrás do centroavante, Kylian Mbappé pela direita, que é um atacante, e Matuidi pela esquerda, que é mais um volante do que um meia, recai em Pogba a responsabilidade de armar o jogo. E ele fez bem isso. O seu gol na final contra a Croácia é um exemplo. Ele faz um lançamento longo para Mbappé na direita, o atacante avança até dentro da área, cruza para trás, Griezmann domina e toca para Pogba. Ele, que deu o passe na intermediária defensiva, apareceu na meia lua e finalizou duas vezes para marcar o gol.

Paul Pogba, da França (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)

Pogba precisava mostrar o seu tamanho como jogador na Copa. Em 2014, ele foi o melhor jogador jovem, aos 21 anos. Agora, era um jogador mais maduro, pronto para brilhar. Aos 25 anos, Pogba foi o jogador do tamanho que se esperava. Foi grande no setor mais crucial do jogo francês, que foi o que mudou em relação a 2014. O seu papel cresceu, foi melhor em campo e mais líder também. Nos dois maiores e mais importantes jogos da Copa, contra Bélgica na semifinal e Croácia na final, Pogba se apresentou e fez o jogo da França acontecer, decisivamente.

Os olhos de Pogba estavam na taça. Depois das semifinais, ele disse estar feliz, mas disse que não queria estar orgulhoso ainda. Faltava um pouco mais. “Tanto na final da Champions League de 2015 quanto na Eurocopa 2016, eu fiquei com o gosto de derrota”, disse o jogador. “Eu sei de onde eu vim e o que eu passei para chegar a esse ponto. Eu sonhei com Copa do Mundo desde que eu era uma criança. Como garoto, eu sonhei em marcar o gol na final”, disse, de forma premonitória. “Nós temos uma estrela nas nossas camisas, mas não fui eu quem venceu”.

Agora você venceu, Pogba. Venceu e marcou gol na final. Foi o jogador que se esperava. Campeão mundial sub-20 em 2013, quando era capitão e craque da França, titular da França na Copa de 2014 e agora um líder e destaque da França, campeã do mundo. A estrela na camisa agora você venceu, Pogba.